de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Julho , 2008, 20:41

 

Nelson Mandela

 


1. O mundo celebra os 90 anos de Nelson Mandela (nasceu em Qunu, a 18 de Julho de 1918). Têm sido muitos os testemunhos eloquentes sobre esta personalidade que representa a luta pelos direitos cívico e sociais da África do Sul do séc. XX. Mais que o activismo antiapartheid de Mandela, que lhe custou décadas amarguradas, o destaque da sua vida orienta-se pela capacidade de entender os tempos políticos e o facto de não viver sentimentos de “vingança”, estes que poderiam ser uma atitude “justificada” de retaliação em relação ao tempo de cativeiro que sofreu. Nelson Mandela viveu 27 anos como prisioneiro, em que teve como número «46664», o actual nome numérico de uma organização de luta contra a sida em África, criada por si em 2003. O seu percurso de vida enaltece a capacidade de reconciliação acima de tudo, em que para o consolidar da democracia, como diz, «lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra» na África do Sul.
2. No ano de 1993 Mandela recebe o Prémio Nobel da Paz. Uma atribuição ao “fim” de uma vida de luta incansável pela dignidade da pessoa humana, patamar único que poderá garantir a paz social. O esforço de isenção, a valorização do que une em vez do que separa, a capacidade de viver o “tempo” da vida na esperança de um “amanhã” livre e melhor, efectivamente, fazem de Mandela um símbolo para as gerações da actualidade. A construção do seu projecto de vida exigiu uma resistência ilimitada: foi preso em 1962, escapou à pena de enforcamento, ficou no cativeiro em prisão perpétua. Insistia no grito: “lutem!” A conjuntura sócio-política foi-se abrindo até à sua libertação, pelo presidente Frederik de Klerk, em 1990, “momento” que nos lembramos de ver em directo da televisão (sem tudo compreender na altura). A “liberdade” e igual dignidade das gentes da África do Sul teve, na generosa vida de Mandela, um elevado preço que importa agora saber cuidadosamente preservar.
3. A actualidade, mesmo nas instabilidades da África do Sul e do próprio mundo, exige que não se perca a memória da história que precedente. É sempre um perigo o que se verifica nos tempos posteriores à conquista das liberdades. O alimentar da liberdade é tarefa que, todos os dias, precisa de ser realizada na formação, educação e cultura da responsabilidade pessoal e social. Apesar daquilo que é o mistério da vida, na essência sempre limitada em cada pessoa humana, é bom e importante apreciar os exemplos de grande humanismo que nos fizeram chegar até ao presente. Das pessoas vivas, Mandela talvez seja o último «humano gigante», ainda que também uma memória construída pela conjuntura de perseguição, é certo. Mas dele será importante aprender os valores da entrega, da bondade e da generosidade; sempre ao serviço dos outros. Seja esta a autêntica escola de vida para o séc. XXI!

 


Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Julho , 2008, 18:43

A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome foi distinguida, na categoria Beneficência, nos prémios da Fundação Gulbenkian.
Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, considerou em declarações à agência Lusa que o Prémio Gulbenkian é um reconhecimento da actividade que tem sido feita de forma "estruturada e consistente" através da "mobilização colectiva".
“É um motivo de grande alegria. É um reconhecimento muito importante e dá-nos uma responsabilização acrescida", afirmou Isabel Jonet, acrescentando que com este prémio o júri terá querido mostrar que os bancos alimentares são um "exemplo de mobilização colectiva", através de voluntariado, em torno de "um ideal comum e que devia ser seguido".
O valor do prémio são 50 mil euros, destinados, segundo a Presidente ao investimento em melhoramentos dos bancos alimentares já existentes, à compra de equipamentos de refrigeração e em intervenções de higiene e segurança alimentar.
Fonte: Ecclesia

Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Julho , 2008, 09:54
Um Quarto de Século ao Serviço da Cultura

Realizou-se ontem, na Gafanha da Nazaré, o XXV Festival de Folclore, com organização do Grupo Etnográfico da mesma cidade. Foi, também, o XI Festival Internacional.
Na recepção aos grupos participantes, o fundador e presidente da direcção do Grupo anfitrião, Alfredo Ferreira da Silva, fiz questão de homenagear José Maria Marques, falecido há anos num acidente rodoviário, quando regressava a Portugal de uma actuação do Grupo Folclórico da Região do Vouga, de que era director, no estrangeiro. José Maria Marques, como foi recordado com oportunidade, foi quem ajudou o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN) a dar os primeiros passos, na linha de rigor seguida pela Federação do Folclore Português, de que então era dirigente.
O GEGN completou, ontem, um quarto de século de Festivais na Gafanha da Nazaré, palmarés que foi elogiado pelos convidados presentes, nomeadamente, Paulo Costa, vereador da CMI, Manuel Serra, presidente da Junta de Freguesia, Miguel Almeida, da Federação do Folclore Português, e Vasco Lagarto, da Cooperativa Cultural e da Rádio Terra Nova, ambas da Gafanha da Nazaré.
Na brochura que se publicou sobre este XXV Festival, o presidente da Câmara, Ribau Esteves, lembrou que o GEGN tem desenvolvido uma actividade intensa, em Portugal e no estrangeiro, honrando e promovendo a Gafanha da Nazaré e o Município de Ílhavo pela “elevada qualidade do seu trabalho”, sendo, por isso, “um dos seus embaixadores culturais de referência”. Daí que a CMI lhe tenha atribuído, no feriado municipal de 24 de Março de 2008, a Medalha do Concelho de Vermeill, como recordou na abertura do Festival.
Por sua vez, na mesma brochura, Manuel Serra frisa que, “Num mundo, hoje marcado pela Globalização, onde os interesses dominantes convergem para a vertente económica, (…) só temos que louvar quantos acreditam que se torna imperioso preservar as nossas raízes, alicerces indissipáveis do presente e a força projectora da manutenção da identidade do nosso povo”.
Também eu próprio, em escrito saído na mesma publicação, enalteci o trabalho desenvolvido pelo GEGN, “com o reconhecimento de quantos estão atentos à riqueza do nosso passado e de todos os que apostam na importância, insofismável, da cultura, em geral, e da sua matriz popular, em particular, a tal que está impregnada, de modo indiscutível, na alma das gentes”.
Depois da cerimónia de recepção aos convidados e grupos, houve uma visita à Casa Gafanhoa. À noite, na Alameda Prior Sardo, teve lugar o festival que atraiu, como sempre, muita gente, da Gafanha da Nazaré e arredores. O cenário ostentava, com sentido de oportunidade, a fachada da igreja matriz, no seio da qual nasceu o grupo. A festa, que se estendeu pela noite fria, neste dia de Verão, saiu animada pelos Grupos Folclórico de Melriçal (Soure), Folclórico da Região do Vouga (Mourisca do Vouga), Danças e Cantares de Perre (Viana do Castelo), Associação Etnofolclórica "As Lavradeiras de Arcozelo" (Santa Maria Adelaide), Zespol Piesni I Tanca "Vladislavia" (Polónia) e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.
Os meus parabéns ao GEGN e a quantos o dirigem e nele trabalham, com a preocupação de preservar, na alma do povo, as nossas tradições.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Julho , 2008, 08:38

 

CARREIROS E CAMINHOS

Caríssima/o:

Uma das minhas netas salta de cadeira para cadeira e, sem deixarmos entrever o sorriso, temos de a admoestar “que te podes magoar”... E nas férias a tentação maior é a ameixoeira do quintal que, uns e outros, trepam e sobem pelos ramos, como andarilhos ou arrastando a roupa pelos troncos... Felizes que têm um quintal...
Comparativamente à nossa liberdade e actividade, não serão muito afortunados, apesar disso; é que a nossa imaginação e a necessidade de medir forças e velocidades com os outros levavam-nos a caminhos e carreiros só conhecidos por nós (assim pensávamos...). Verdade seja que as estradas ou ruas, como agora se diz, eram poucas e magoavam os pés porque tinham muitas pedrinhas soltas, obrigando-nos a andarmos aos saltos nas pontas dos pés. E aqueles caminhos e carreiros iam mudando conforme a estação, oferecendo-nos aventuras as mais diversas. Vede, em pleno Dezembro, o caminho transformado em autêntico regato para as corridas dos nossos barcos de papel ou de casqueira e para a colheita das enguias que 'se criam' nas valetas. Também as suas areias argilosas molhadas se aproveitam para as construções...
Quantas vezes fazíamos carreiros pelas cabeceiras dos terrenos lavrados e plantados, driblando os ralhos do lavrador e de sua mulher que os sublinhavam com algum torrão que nos perseguia .
Eram ainda estes caminhos e carreiros que, mais tarde, nos levariam à Escola, debaixo das recomendações de nossos pais para que tivéssemos cuidado... para não nos aleijarmos,... que além disso não iam as suas preocupações!
[Quando vejo as estatísticas dos jogadores informando-nos de quantos quilómetros percorrem durante um jogo, começam logo a desbobinar na minha mente as idas e vindas de e para a Escola, as voltas e voltinhas nos recreios, as corridas, os jogos,... Mas também não admira: nós de vez em quando comíamos caldo de feijão...]

Manuel

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