de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 15:47

Costumo dizer aos estudantes que o enigma não é tanto o espírito, mas a matéria. Embora o espírito seja enigmático na sua relação com a matéria – como é que, estando na raiz o espírito, há matéria? --, parece menos compreensível como é que da matéria resulta o espírito, melhor, como é que a matéria se abre em espírito. O dualismo antropológico é cada vez mais inadmissível; mas como entender a emergência do espírito a partir da matéria?
Não têm faltado afirmações reducionistas do Homem. “O Homem não passa de um objecto material e tem apenas propriedades físicas” (D. M. Armstrong, 1968). “Toda a conduta humana terá um dia uma explicação mecânica” (D. Mackay, 1980). “As máquinas inteligentes tomarão pouco a pouco o controlo de tudo, acabando por apoderar-se do mundo da política... Pensar é simplesmente um processo físico-químico (L. Ruiz de Gopegui, 1983). “O espírito é uma máquina” (M. Minsky, 1987).
Hoje, com as novas técnicas da tomografia de emissão de positrões e da ressonância magnética nuclear funcional, consegue-se visualizar imagens das regiões do cérebro que entram em acção aquando das diferentes operações mentais. Assim, num artigo recente, António Damásio escreveu que, embora avesso a previsões, lhe parece seguro poder afirmar que até 2050 a acumulação do saber sobre os fenómenos biológicos em conexão com a mente consciente fará com que “desapareçam as tradicionais separações de corpo e alma, cérebro e espírito.”
Talvez haja quem receie que, mediante a compreensão da sua estrutura material, algo tão precioso e digno como o espírito humano se degrade ou desapareça. Mas António Damásio previne que “a explicação das origens e do funcionamento do espírito não acabará com ele.” O nosso assombro estender-se-á até essas incríveis microestruturas do organismo e às suas funções que permitem o aparecimento do espírito e da autoconsciência – não se esqueça que o cérebro, com os seus cem mil milhões de neurónios e um número incalculável de sinapses, é a estrutura biológica mais complexa que conhecemos. O espírito sobreviverá à sua explicação biológico-neuronal, como a rosa continua a enfeitiçar-nos com o seu perfume, depois de analisada a sua estrutura molecular.A questão da consciência continuará a fascinar-nos, apesar de todos os avanços da neurobiologia. A razão está em que o corpo e o cérebro são objectivamente acessíveis. A consciência, porém, é íntima e ineliminavelmente subjectiva: é sempre cada um(a) a viver-se a si mesmo(a) subjectivamente de modo único e intransferível, sendo dada, portanto, na experiência pessoal. Demos um exemplo, apesar de tudo, menos exigente: um neurocientista que tivesse todos os conhecimentos sobre os mecanismos com que o cérebro processa a impressão da cor azul, sem a sua vivência real consciente, não saberia o que é o azul. O problema permanecerá: como é que processos eléctricos e físico-químicos originam a experiência subjectiva. Há uma correlação entre a consciência e o cérebro, mas como é que a experiência de si na primeira pessoa surge de processos e factos da ordem da terceira pessoa?
Mediante as novas técnicas, percepcionamos a base neurobiológica do pensamento. Significa isso que temos desse modo acesso ao conteúdo do pensamento? Onde está a liberdade no cérebro? Onde estão a autoconsciência e o eu no cérebro?
Como sublinha o célebre historiador Jean Delumeau, há realmente hoje correntes reducionistas, no sentido neuronal ou como se o Homem não passasse de um “mosaico de genes”. Mas, não se esquece então que é o Homem que faz a ciência e lhe dá sentido? “Se o universo é o fruto do acaso, se o Homem não foi querido por um Ser que transcende a História, se a nossa liberdade é ilusória, nada tem sentido e, segundo a fórmula trágica de L.-P. Fargue, ‘a vida é o cabaret do nada’”. E continua: se, como pergunta J. F. Lambert, o Homem é da mesma natureza que os outros seres, donde lhe vem o seu valor e dignidade? Onde se fundamentam os direitos humanos? Se se não é bom ou mau, “mas apenas bem ou mal programado”, ainda se poderá falar de responsabilidade?

Anselmo Borges
In DN
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 13:01

VANESSA FERNANDES PENTACAMPEÃ DA EUROPA

A portuguesa Vanessa Fernandes conquistou hoje, em Lisboa, o quinto título europeu consecutivo de triatlo, batendo assim o recorde do holandês Rob Barel, que conquistou quatro títulos consecutivos entre 1985 a 1988.
A força, a determinação e a capacidade de sofrimento desta atleta ímpar são um extraordinário exemplo para a nossa juventude, de todas as idades. Os meus parabéns.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 11:00


Quando era jovem fui educado no princípio de que o desporto era uma escola de virtudes. Jogava-se por amor à camisola e a mística clubista prosperava. Cada um tinha o seu clube. E a fidelidade era tal, que até se dizia que se mudava de religião, mas de clube nunca.
Depois veio o profissionalismo levado ao extremo, e com o dinheiro veio o “sistema” , de que alguns dirigentes falavam há muito. Os sérios, naturalmente, para quem os fins não justificam os meios. Mas certos adeptos, para os quais o que importa é ganhar, custe o que custar, até batem palmas aos que, por artes subterrâneas, levam a água ao seu moinho. Honestidade deixou de contar. O importante é voar nas asas da fama, que às vezes dá grandes negociatas. O desporto deixou de ser a tal escola de virtudes. Esta palavra, no mundo do desporto profissional, em muitos casos, passou de lema de vida para motivo de sorrisos mal disfarçados.
As condenações a clubes, dirigentes e árbitros, anunciadas ontem mas conhecidas há dias, vieram mostrar o tal “sistema”. Será, penso eu, a ponta do iceberg, que urge mostrar e condenar na íntegra. Para bem do desporto e de quem o vive lealmente.
Acredito, no entanto, que há dirigentes e atletas honestos. Leais, correctos no jogo, sabendo ganhar e perder com dignidade. Incapazes sequer de experimentar a corrupção. Esses precisam de ser louvados e acarinhados. Os outros, os corruptos, esses têm de ser, depressa, erradicados do desporto. O desporto tem de ser sadio. O desporto podre não pode ter lugar na sociedade democrática. A nossa juventude precisa de continuar a cultivar o princípio das virtudes dentro e fora dos campos desportivos.

FM
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 09:23



Hoje já ouvi Vivaldi. E mesmo no fim das "Quatro Estações", perguntei a mim mesmo se não seria bom partilhar com os meus amigos a sua "Primavera", apesar desta estação ainda andar com o frio às costas.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 08:58

Impostos: uma receita de enganos?

Na edição do passado Domingo, dia 4 de Maio de 2008, o “Jornal de Notícias” dava título a uma notícia com a seguinte frase: “Seis mil gerentes dizem ganhar apenas o salário mínimo nacional!”
Estes dados foram recolhidos por um Departamento do Ministério do Trabalho – Gabinete de Estratégia e Planeamento - e referem-se ao ano de 2006.
Nesse ano, o valor do salário mínimo nacional era de 385,90 euros, valor bruto, o qual ainda estava sujeito ao desconto de 11,5% para a Segurança Social, o que se traduzia no salário líquido mensal de 343,45 euros!
Portanto, 343,45 euros era quanto estes gerentes e directores de empresas levavam, no final de mês, para casa!
Na mesma notícia, podem-se ler ainda outros valores salariais mensais de gerentes e directores, designadamente nas áreas da restauração e hotelaria, todos eles com valores igualmente baixos para o cargo que ocupam.
Focando-me apenas nos gerentes e directores de empresas que declararam ter recebido os 343,45 euros mensais, a primeira ilação a tirar é que estes ganhavam, pelo menos nessa altura, o mesmo que qualquer um dos seus funcionários, partindo do princípio que também pagavam a estes só o valor do ordenado mínimo nacional! Confuso, não?
Mesmo tendo em conta os graves problemas porque têm passado algumas das empresas portuguesas, sobretudo as chamadas microempresas, convenhamos que custa muito a entender e a aceitar que os valores declarados correspondam à realidade.
Num país em que a fuga ao fisco e à Segurança Social se tornou, por parte dos empresários, uma regra e um hábito, não é da admirar que se esteja perante uma fraude fiscal, daqueles para quem pagar impostos continua a ser coisa de tontos ou palermas.
Sabemos que esta realidade, nestes últimos anos, se tem alterado muito, devido à luta contra a evasão e fraude fiscal, sem que isso signifique, contudo, que o sistema fiscal se tenha tornado mais eficaz na luta contra a desigualdade de fortuna, de que são exemplo os salários dos gestores e directores pagos, como é o caso, pelo salário mínimo nacional.
Sei que as políticas relacionadas com questões de fiscalidade e impostos de um país são difíceis de aplicar, eficazmente, sobretudo quando se quer combater as fugas das grandes fortunas, que arranjam sempre formas de transferir os seus capitais para onde quiserem, designadamente para o estrangeiro ou paraísos fiscais
O desenvolvimento de um país também se mede pela forma como a carga fiscal é distribuída pelos seus cidadãos e como as receitas da mesma são, depois, redistribuídas, através das diversas rubricas de despesas, e, aqui, ainda se está longe do satisfatório.
Talvez estes seis mil gerentes e directores achem que não há mais nada a fazer pelo desenvolvimento do seu país e dos seus cidadãos pelo que pagar impostos já não faz sentido algum. Agora, que parecem ser mesmo ingénuos, lá isso parecem.
Sem entrar em demagogias, espero que as autoridades portuguesas esclareçam, cabalmente, o que se passa com esta notícia, pelo menos, em nome daqueles que pagam, na íntegra, os seus impostos – normalmente, os trabalhadores por conta de outrem.
No entanto, é mais que provável andarem por aí outros gerentes, directores, empresários e empresas (mas estes sem a aparente ingenuidade dos primeiros) que já usufruindo de ordenados avultados ou lucros fabulosos, que até declaram às finanças, ainda conseguem ter rendimentos superiores, ao que ganham legalmente, através dos rendimentos não declarados. Vai uma aposta? Estes comportamentos são uma das causas das desigualdades sociais e da falta de desenvolvimento de qualquer país.
Afinal, a “economia subterrânea” existe mesmo e para alguma coisa é, ou não será?
Vítor Amorim

Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Maio , 2008, 08:49
Na Casa da Cultura Fernando Távora, em Aveiro



“ÁGUA com HUMOR”

Hoje, dia 10 de Maio, pelas 15 horas, vai proceder-se à inauguração da exposição internacional de cartoon “ÁGUA com HUMOR”.
Patente na Casa da Cultura Fernando Távora até ao próximo dia 8 de Junho, reúne 150 cartoons sobre o tema da água. Uma exposição que mostra como se pode, com humor, chamar a atenção de todos para um dos principais problemas do mundo neste começo do séc. XXI. Podem ser vistos os trabalhos premiados e todos os outros cartoons seleccionados para a edição do PortoCartoon em 2003, seguindo as preocupações da UNESCO.
“AGUA com HUMOR” tem produção do Museu Nacional da Imprensa, sendo organizada pela Comissão das Comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro, Porto de Aveiro, Município de Aveiro e Museu de Aveiro.
De registar ainda o apoio do “Diário de Aveiro” e da “Rádio Terra Nova”, dois órgãos de comunicação social que têm acarinhado bastante todas as realizações integradas nas comemorações do Bicentenário da Barra de Aveiro.
A exposição é assim apresentada por José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração do Porto de Aveiro: “Sendo, a água, um bem precioso, preciosa é a região onde se insere o Porto de Aveiro. Temos uma esplendorosa Ria, um mar que afaga costa luminosa. Quanto a refrigério, água e humor emparelham. Na vida, como na feliz simbiose desta exposição que o Porto de Aveiro, enquanto membro dinamizador da Comissão das Comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro, oferece à comunidade. Mais uma iniciativa a enriquecer o bojudo lote de manifestações culturais do programa evocativo do Bicentenário. Que a água, aqui usada como tema inspirador de magníficos cartoons, vos rasgue mil sorrisos e alguma reflexão.”

Fonte: Porto de Aveiro

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