de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 21:21

A MEMÓRIA DE 1506. Esta ideia de civilização era tão recente. Estavámos em 70. d.C. e a destruição de Jerusalém obrigou à dispersão dos judeus pelo mundo, ao exílio, diáspora, גלות. Até meados do século XV, a Península Ibérica foi um mundo possível para os judeus sefarditas. Em Portugal, obtiveram relativa liberdade religiosa e destacaram-se na vida pública até que veio um doloroso baixar de pano. As perseguições começaram em Espanha: em 1355, 12 mil judeus morreram em Toledo; em 1391, foram 50 mil em Palma de Maiorca. A Inquisição iniciou operações e o terror alastrou em larga escala, veio o édito de expulsão e milhares de judeus procuraram refúgio em Portugal. Triste rumo.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 18:48

Morreu o senhor Manuel. Com os pés desfeitos e o coração aos pedaços. Vivera os últimos tempos de pobre envergonhado, que só estendia a mão a quem o conhecia. Triste e injustiçado protagonista de uma história que merecia outro fim.
Falei aqui dele. Uma generosa voluntária, obreira de amor e de caridade que percorre ruas e casas do Bairro, deu-me a notícia da sua partida sem regresso.
Sabia que já não o encontraria, mas fui ao Bairro. Falei com vizinhos e amigos, ali junto ao café onde nos encontrávamos e conversámos.
Porque persiste, como chaga cruenta, a pobreza imerecida? Porque vale tão pouco o trabalho honesto dos humildes, que morrem tristes e desiludidos com uma sociedade ingrata, onde a uns sobra e a outros falta, onde uns contam milhões e outros nem sequer tostões? Porquê?
Porque se empenham tanto legisladores e governantes em leis e decisões que se consolam o individualismo de uns, destroem a vida e a esperança de outros? Porque não se preocupam os donos do poder, com os pobres que se descontaram para a sua reforma pouco do seu pouco, descontaram, porém, uma vida toda de trabalho, sem férias nem feriados, para que o país progredisse? Porquê?
O senhor Manuel é um grito doloroso que me acompanha e que não vou deixar de fazer ecoar. Porque, se ele já morreu, continua vivo em muitos que por aí andam, envergonhados de viver, esquecidos por quem os devia conhecer e deles cuidar com amor e gratidão.

António Marcelino


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 16:55

XVIII FITUA: privilégio para Aveiro
1. A tradição está criada, a qualidade sempre garantida. As gentes da cidade acolhem o XVIII FITUA – Festival Internacional de Tunas da Universidade de Aveiro. Como todos os anos, é em beleza que se iniciam as festas académicas. Da organização cuidadosa da TUA - Tuna Universitária de Aveiro (http://www.tua.com.pt/), núcleo cultural da Associação Académica da Universidade de Aveiro, o FITUA dá o verdadeiro espírito da confraternização festiva da cidade com a universidade, dos estudantes com a sociedade em geral. Faz-nos bem, a uma comunidade construtiva chamada a ser participativa, apreciar este esforço que traz a Aveiro tunas de estudantes de outras paragens: este ano o FITUA, além da habitual presença colaboradora dos da casa e de Portugal, no espírito animado intercultural que caracteriza as juventudes, Aveiro acolherá tunas de Espanha e Peru.
2. A estimulante história é longa, no mar alto, já é o XVIII FITUA. Nas sociedades do futuro, na historiografia a ser realizada sobre os dinamismos criados que construíram sentidos de festa e de comunidade, as tunas representam uma riqueza cultural e patrimonial académica de excelência. E em Aveiro o FITUA constará nessa história como o esforço e a ousadia de estabelecer pontes criativas e envolventes com a comunidade em geral. O tempo actual aproxima todas as distâncias antigas. A internacionalização da vida universitária foi transferida também para a cultura académica que as tunas representam. Dizer que já é o XVIII Festival Internacional representa que de forma precursora se assumiu um desígnio universalista que está inscrito na juventude, esta que estuda nas universidades por esse mundo fora.
3. O Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, nos dias 25 e 26 de Abril, acolhe este acontecimento que é um privilégio para Aveiro. O FITUA faz parte do mapa da cultura local e regional. As tunas, que colaboram generosamente em tantas iniciativas de solidariedade ao serviço de um mundo melhor, são, em si mesmas, esse sentido de comunidade universitária aberta e plural, onde a música e a animação querem colorir de sentido e esperança contagiante a própria vida diária. Como sempre, cada ano é único. Apreciar e reconhecer o mérito é, também, edificar comunidade viva e participativa. Os que foram semeando, organizando e apoiando este acontecimento (diríamos) insubstituível, o que faz dele «o terceiro festival mais antigo do país e um dos mais prestigiados da Península Ibérica» (www.ua.pt/uaonline), sentem a alegria de um momento marcante da vida universitária e da sociedade aveirense.
4. É importante, no tempo actual (por vezes, por um lado tão indiferente, por outro observador e comentador mas pouco “construtor”), reconhecer-se e transferir-se para a comunidade das juventudes esta energia positiva do mérito de tamanho projecto… que percorre os anos a transmitir a estimulante criatividade da festa, cheia de cultura e de vida universitárias! É isso mesmo!..

Alexandre Cruz


Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 14:48

"Cartas Familiares e Bilhetes de Paris", de Eça de Queiroz, edição de 1922

Diccionário de Portuguez, edição de 1874

"Segredos Necessarios", edição de 1861



Para os críticos do Acordo Ortográfico, aqui ficam três pequenas amostras do Português de outros tempos.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 14:18


O "Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor" é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge.
Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas UMA ROSA VERMELHA DE SÃO JORGE (Saint Jordi) e recebem em troca, UM LIVRO.
Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
Partilhar livros e flores, nesta primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão.

Não ficaria de bem com a minha consciência se neste dia, à semelhança do que tenho escrito neste meu espaço, não abordasse a importância dos livros e das leituras. Faço-o, então, na convicção de que ainda há muita gente que menospreza a riqueza que nos vem dos livros e da certeza que alimento, no sentido de educarmos os mais novos para as leituras.
Um dia destes falei aqui da carrada de papéis que acompanha os jornais, muitos deles de mera publicidade e que me obrigam a atirá-los para o cesto do lixo, sem sequer para eles olhar, muitas vezes. Hoje, contudo, não falo das leituras desse lixo que nos invade a casa, mas da leitura de boas obras, de grandes escritores, que nos oferecem, com as suas sensibilidades, novos ares e novos mundos, alimentando sonhos que nos fazem amar a vida.
Ainda a propósito das leituras, recebi também um e.mail de alguém que partilhou comigo uma boa vivência. Disse essa pessoa: “experimente fechar a televisão durante um dia, para ler um bom livro. No fim, verificará que dessa experiência saiu muito enriquecido.” Pois é meu caro leitor e amigo. Já fiz isso várias vezes. E é como diz.

FM
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 11:54

Nos meus tempos de menino e moço, na Gafanha da Nazaré, só havia a Igreja Católica. Tempos depois, um gafanhão, Manuel Vilarinho, alfaiate de profissão e pessoa de leituras, aderiu, sem eu saber porquê, ao protestantismo, arrastando, consigo, boa parte da família e muitos amigos. Ainda hoje essa Igreja existe na Gafanha da Nazaré, com membros que vêm do trabalho de Manuel Vilarinho, de quem fui amigo, enquanto ele foi vivo, e que hoje recordo com saudade.
Lembro, agora, a “guerra” que houve na Gafanha da Nazaré com a comunidade protestante nascente… E senti bem como os protestantes dominavam os católicos, que de Bíblia pouco sabiam. Mas foi complicado o relacionamento. Houve ofensas, ataques pessoais e boicotes ao estabelecimento comercial do meu amigo Manuel Vilarinho. Depois, com o tempo, tudo se esqueceu. Ainda bem.
Falo disto hoje por causa da Páscoa Ortodoxa que anuncio no meu blogue. Com a imigração, novas gentes assentaram arraiais em Portugal, um pouco por toda a parte. E com elas, outras religiões se estabeleceram entre nós. Desta feita, sem “guerras”. E até tem havido cooperação entre algumas, não deixando a Igreja Católica de ajudar na integração. Novos tempos. Felizmente.

FM

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 11:27

Celebra-se na próxima noite de sábado, dia 26 de Abril, a Ressurreição de Cristo, ou Páscoa Ortodoxa, entre os que seguem o velho calendário juliano.
Em Aveiro, a liturgia terá lugar às 22.30h na igreja da paróquia ortodoxa de S Nicolau, situada na Estrada de S Bernardo, nº 267.
A partir das 21,30 o pároco estará disponível para a confissão, seguindo-se a Celebração da Luz às 22.30h no espaço fora do templo, após o que se continuará com a Divina Liturgia e Àgapes no final.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 23 Abril , 2008, 11:04

O poder da palavra

O ser humano é o único ser vivo da Terra que utiliza a palavra como meio de comunicação intrapessoal (consigo mesmo) e interpessoal (com o outro). A palavra é um símbolo que expressa uma ideia e está intrinsecamente relacionada com a nossa mente. A mente, por sua vez, está relacionada, directamente, com os nossos sentimentos, as nossas emoções, os nossos impulsos, o nosso corpo, as nossas atitudes e as nossas acções. A palavra, escrita ou falada, por cada um de nós, pode ter uma grande influência na maneira como vivemos, pois é através dela que a maioria das pessoas comunica com o mundo externo (os outros) e o interno (nós próprios).
Ainda, não há muito, a sociedade, em geral, valorizava a palavra, naquilo que ela de melhor pode e deve representar. Expressões do género: "Dou-lhe a minha palavra de honra!", "A sua palavra basta-me.", e tantas outras, valiam mais que qualquer documento assinado e atestado oficialmente.
A palavra fundia-se com a própria pessoa e o seu carácter, através das acções, dos actos e testemunhos que realizava na sua vida diária. A sua vida e a sua palavra falavam por si!
Daí a palavra estar, directamente, relacionada com a capacidade do sentir e do fazer de cada pessoa, ou seja, com a maneira como cada um assume os seus comportamentos e atitudes pessoais, perante si e perante os outros. A palavra realiza-nos!
A palavra, deste modo, é um elo que nos une e congrega, enquanto seres de relação interpessoal, mas, também, pode tornar-se, não raras vezes, motivo de desunião, intrigas e conflitos, interpessoais e de grupo, quando dita irreflectidamente ou quando não corresponde à verdade dos factos. Neste último caso, a palavra pode destruir uma vida, uma pessoa, um projecto ou as legítimas expectativas de quem as tem.
As pessoas que optam por dar à palavra um sentido negativo, desejam atingir, pelo menos, um seu semelhante ou acabar com uma situação, que não são incapazes de aceitar, mesmo que participem nela, por falta de alternativas de momento. Raras vezes, o fazem de forma inconsciente, por ignorância ou descuido, ou seja, em regra, elas sabem o que estão a fazer e porque o fazem. São calculistas e objectivas!
Pessoas destas, dificilmente se podem sentir realizadas ou capazes de fazer algo de bom na sua vida, de forma séria e desinteressada, devido à sua permanente inconstância entre o que pensam, o que fazem e o sentido que dão à palavra que usam.
Estas pessoas, desequilibradas e doentes, materializam, no sentido negativo que dão à palavra, os desejos que não conseguiriam obter de outro modo. Sentem-se com poder e tudo fazem para o manter, usando a simpatia (fingida) e a manipulação como máscara para enganar os mais incautos e manter os seus (falsos) privilégios.
Em regra, são vaidosas e gostam do protagonismo (ainda que não o assumam). Estão sempre a julgar os outros, través da maledicência, de difamação, de ódio, ciúme, mesquinhez e calúnia.
Mesmo assim, algumas destas pessoas conseguem atingir a sua realização pessoal, interna e externa, na base do infortúnio dos outros, durante muito tempo, mas, logo que detectado este estado patológico, deve ser tratado, clinicamente, para que os seus comportamentos se tornem estáveis, coerentes e construtivos.
Por isso, quando alguém se dá conta deste sentido destrutivo com que se usa a palavra, tem a obrigação de alertar os seus mais próximos para esta realidade e de buscarem soluções, já que se está a lidar com pessoas fracas de espírito e de carácter, com uma incongruência mental e um desalinhamento entre os seus sentimentos e as suas acções.
Na maior parte dos casos, quem mais pode ajudar afasta-se, até porque, por vezes vezes, são as próprias vítimas destes tipo de comportamentos.
Quando assim é, estes doentes tendem a ir destruindo o que ainda existe de bom; a mediocridade e a imprudência vão-se instalando; enquanto o fingimento, o cinismo e a hipocrisia, vão substituindo o próprio poder e o carácter da palavra construtiva.
Vítor Amorim

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