de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Março , 2008, 16:10

A Faixa de Gaza

1. Há pedaços de terra que estão cheios de sangue. Não só da história passada, mas das histórias que se continuam a escrever no presente. E Deus não tem nada a ver com isso. Os homens é que O “usam” como argumento para atingir os seus fins de domínio sobre “o outro”. Os últimos quatro mil anos da história das terras chamadas israelo-árabes espelham, de forma emblemática, esse desconcerto e desentendimento humano, em que a cada século que passa vão-se juntando mais páginas de conflitos, ao que parece, intermináveis. Claro que, de relance, somos pequenos para compreender tanta informação, tantos dados em jogo, tantos cruzamentos de raças, religiões, espaços, locais, sinagogas, mesquitas, igrejas, sentimentos, emoções, razões, cegueiras, justiças, injustiças, verdades, fanatismos… em que cada palmo de terra condensa a luta de uma vida e de muitas vidas. Repetimos, Deus (que é Amor) não tem nada a ver com isto. Ele até tantas vezes sublinhou e reafirma que o único “lugar físico” que “quer” é o “coração” humano, a consciência-ser, «em espírito e verdade».
2. Não compreendendo isso, poderemos nesta geração correr o perigo ignorante de atribuir às religiões e a Deus aquilo que é pura e unicamente obra interesseira e dominadora dos homens, o que resulta que se chame “terra santa” a uma terra nada santa nas incompatibilidades de tanta história em que só mesmo pelo “perdão da memória”, como tanto falava João Paulo II, é que lá iremos ao caminho da paz. A triste história continua e hoje as ONG’s que estão no terreno vêm dizer que se vive na Faixa de Gaza o pior período de crise humanitária desde a guerra de 1967. As culpas da desgraça, “taco a taco” tal como a guerra, vão-se atribuindo reciprocamente entre Israel e o Hamas… No passado recente as razões são que, após os disparos de rockets pelo Hamas em Janeiro, Israel impôs o actual bloqueio a Gaza na data de 17 de Janeiro e raids aéreos frequentes têm feito dezenas de mortos na famosa Faixa de Gaza. Do “bloqueio” de quase-tudo o essencial à vida diária vem um relatório das ONG’s de cenário dramático intitulado «Faixa de Gaza: uma implosão humanitária».
3. Os Estados Unidos, na fronteira da cena internacional e das imagens perturbadoras que vão chegando, pedem um “alívio” do bloqueio para garantir as condições de humanidade. O quarteto de negociadores (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Nações Unidas) vai avançando na gestão da mediação do cenário político. As ONG’s no terreno vêem-se e desdenham-se para socorrer não havendo condições de luz eléctrica para fazer intervenções clínicas, água potável para matar a sede, esgotos a irem para o mar, corte de comunicações, tratando-se de uma população bloqueada em que mais de 1,1 milhões dependem da ajuda alimentar. Alguns analistas vão falando de “genocídio”. Os céus de Gaza respiram a pólvora, ar poluído que, independentemente das políticas ou dos grupos atiçados de fanatismo político e/ou religioso, vai mostrando a limitada incapacidade humana. Se a história de séculos o confirma, a história presente continua esse caminho. Nada de novo, porque tudo velho. Nenhuma das razões justifica o injustificável desumano que persiste. Ao menos não sofram as populações. Precisamos de aprofundar o diálogo de civilizações para compreender a história e propor uma nova memória de paz. Ou seguir-se-á indefinidamente a contra-ofensiva?

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Março , 2008, 15:30

Amadeo
Fernando Pessoa

O PÚBLICO iniciou este fim-de-semana a publicação de Cadernos Biográficos, que oferece, aos sábados e domingos, mediante a apresentação de um cupão publicado no dia anterior. Este fim-de-semana, foram publicadas as biografias de Fernando Pessoa e Amadeo de Souza-Cardoso, dois artistas que marcaram o nosso século XX, de forma significativamente original. Lêem-se num fôlego e podemos, assim, recordar ou ficar a conhecer alguns pormenores da vida e obra dos biografados. Seguem-se Natália Correia, Salazar, António Variações, Florbela Espanca, José Carlos Ary dos Santos, Beatriz Costa, Amélia Rey Colaço, José Rodrigues Miguéis, Marcello Caetano, Hermínia Silva, Sophia de Mello Breyner Andresen, Agostinho da Silva, Guilhermina Suggia e Mário Viegas.
Na apresentação desta colecção, sublinha-se que o denominador comum a estas personagens “é a sua marca distintiva de originalidade”, sendo que “alguns deles foram reconhecidos em vida pelo seu mérito, outros incompreendidos e injustiçados, mesmo marginalizados”.

FM
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Março , 2008, 12:56
“O país não é grande, mas continua muito desconhecido dos próprios portugueses. Não estou a pensar só em paisagens e monumentos. Refiro-me, sobretudo, ao país que se constrói nas famílias, nas escolas, na agricultura, nas empresas, nas fábricas, nas universidades, nos centros de investigação, na criação artística, nos internatos, nos lares para idosos, mas prisões, nas escolas de polícia, nos serviços públicos, etc. Fazer de um telejornal a apresentação minuciosa de acidentes, desastres, polícias, ladrões e jogadores de futebol não é, de certeza, a única informação que interessa. Um país, para se conhecer a si mesmo, precisa, em primeiro lugar, de ser informado acerca do que está a nascer, a crescer e a desenvolver-se, em todos os sectores da vida e da actividade. A melhor pedagogia não é aquela que só sabe mostrar o que está mal, mas a que ajuda a potenciar o que há de melhor nas pessoas, nos grupos, nas instituições. Com inteligência e boa vontade, com os recursos de que os meios de comunicação podem dispor, é possível fazer mais e melhor.”
Bento Domingues, no PÚBLICO de hoje
:
NOTA: Faço minhas as palavras de Frei Bento Domingues. Já diversas vezes aqui denunciei esta situação, mas a minha voz não chega tão longe como a deste conhecido colunista do PÚBLICO e padre dominicano. O futebol é rei em Portugal. Tudo quanto diz respeito a clubes e jogadores de topo enche, diariamente, a comunicação social. Tanto nos noticiários como em programas próprios. E quando cheira a mexericos, então há jornalistas que até deliram. O povo, que também gosta destas coisas, vai atrás. Tudo o mais não interessa.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Março , 2008, 12:21

AGENTES DE EDUCAÇÃO: CAPELÃES E MESTRAS

Caríssima/o:

Talvez por estarmos na Quaresma ocorreu-me este tema, embora à partida haja muito nariz torcido. A ver com a Escola instituição não tem; contudo, muitos de nós seremos escorreitos pela acção educativa quer de um quer de outra, senão de ambos! Se não estais de acordo comigo, tende paciência e lede mais um pouco do Padre Resende:

«Não devemos esquecer que a pronunciada polidez, que já se nota sobremaneira, nestes povos, se deve atribuir em grande parte ao concurso e ao trabalho persistente e eficaz do sacerdote, que, como condutor e mestre, lhes tem infiltrado na alma, paulatinamente, avultadas parcelas de cultura moral e intelectual. Foi o primeiro mestre que com eles esteve eficazmente em contacto, As máximas vividas do Evangelho, que no mundo e em todos os séculos têm sido o código e a regra por onde se regem os povos que querem viver; a Igreja que o mundo intelectual tem reconhecido como aferidora infalível das civilizações que se redimem e salvam, também na Gafanha deviam fazer sentir os seus salutares e benéficos efeitos. Em todos os séculos, repito, o sacerdote católico, embora aleivosamente caluniado e acusado injustamente como retrógrado pelos mumificados cientistas do século passado, tem sido mais que um educador; tem sido um mestre, que educando também ensina, que instrui quando educa. Não falando nos Institutos em que ele brilhou através dos séculos por todo o mundo, vemo-lo, ainda agora, na escola do seu ministério em que pontifica, acarinhando sempre, como amigas aliadas e inseparáveis, as duas irmãs gêmeas: educação e instrução. [...]
Antes que chegassem, porém, os pioneiros da instrução, ou fosse o professor primário, ou fosse o capelão permanente, depois pároco da Gafanha, como viviam estes povos, isolados do convívio social, entregues à crítica situação de primários, aos seus instintos semi-bárbaros? Viviam no seu deserto, na mais completa rudez.[...]» [MG 207]



Isto quanto aos Capelães e Párocos; quanto às nossas mestras já se escreveu:

«Nos primórdios da Gafanha, a Catequese de crianças era ministrada pelo Capelão com a indispensável ajuda das Senhoras Mestras. Assim continuou depois, com o Prior Sardo e com os que se lhe seguiram [na Gafanha da Nazaré], até à década de 50, sendo já Prior o P.e Domingos.
Embora seja impossível, por falta de registos, fazer referência a todas as que se dedicaram a essa nobre missão, não podemos, no entanto, deixar de citar algumas delas, sobretudo as que mais ficaram na memória do nosso povo.
São elas: Rosa Margaça, do Bebedouro; Joana Rosa Bola, da Cambeia; Rosa Cirino, da Marinha Velha; Maria Gertrudes, da Cale da Vila; Emília do Guarda, da Chave; e, ainda, Celeste Ribau e Esperança Merendeiro.»
[Monografia da Paróquia da Gafanha da Nazaré, 262]

Também na Gafanha da Encarnação, «Esta habilitação era feita em casa das "senhoras mestras", o habitual em toda a região. Porém, aqui tinha a particularidade de ser tratada, por todos, com muito carinho, por "Madrinha", madrinha da doutrina. Ainda hoje se recorda com muita saudade a "madrinha" Maria do Céu de Jesus Roque, que exercia a sua acção no Centro e Sul; também Isaura do Ti Amigo (enteada do Ti Frade) é lembrada como "madrinha".
Em 1973, ainda encontramos activas três Mestras: Felicidade Pinto, a Norte, Nazaré Magueta, a Sul, e Carmelinda Cardoso, no Centro da freguesia.»
[Monografia da Paróquia da Gafanha da Encarnação, 172/173]

Para mim, nesta caminhada, é gratificante ter encontrado verdadeiros educadores e educadoras nas pessoas amigas dos Priores (os meus Priores: Guerra, Bastos, Saraiva, Domingos, ...) e das Mestras (a minha Mestra Joana Rosa); fica, pois, a minha saudade e a minha profunda gratidão.

Manuel

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