de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Fevereiro , 2008, 14:44

Fidelidade e coesão social

1. Talvez possa parecer que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Que tem a fidelidade conjugal a ver com a coesão social? Será entrar na esfera privada tirando ilações precipitadas para o terreno do que é público? Em última análise, a pergunta é: que tem a família como comunidade informal a ver com a sociedade em geral? Que fronteiras, implicações, possibilidade de laços (no respeito devido pelas autonomias) na compreensão justa daquilo que é a liberdade pessoal e o compromisso da vida em sociedade? As perguntas poderiam nunca mais acabar, em terreno de não fácil abordagem, onde não se quer nem que outrem entre pela casa dentro a impor uma qualquer lei, nem que cada pessoa e família vivam de tal modo afastados da sociedade que se tornem indiferentes àquilo que é o bem comum.
2. No recente dia dos namorados, que a propaganda foi inventando, exaltando, “impondo”, em Inglaterra foi publicado, no jornal The Guardian, um interessante estudo sobre a fidelidade e a evolução do homem. Johnjoe McFaden, professor de genética molecular, defende a sua tese de que foi a «fidelidade que permitiu aos nossos antepassados desenvolver a inteligência social e a coesão social», tendo os humanos a sorte de pertencer a espécie que se comporta de forma predominantemente monogâmica, revela o estudo. Também, destaque-se que alguns trabalhos recentes de investigação nesta área «sugerem que as exigências cognitivas requeridas para formar casais estáveis podem estar entre os factores para o desenvolvimento dos instrumentos de inteligência social que tornaram possíveis as nossas sociedades» (Público, 15 Fev.: 54).
3. Talvez nos possamos colocar no filme da história do processo da evolução do ser humano, mesmo desde os tempos pré-suméria, e concluir que as sociedades humanas na sua procura crescente de capacidade de coexistência em sociedade terão tido como modelo de referência a vivência familiar. Nada de novo, afinal esta é a comunidade primordial. Tal facto significará que a busca de coesão social, pela família, foi derrubando os muros do individualismo, do particularismo, do pensar só em si. Olhando para os tempos da actualidade, uma pergunta vai-se impondo: as sociedades ao esquecerem a família na sua realidade ancestral (chame-se: homem, mulher e filhos) perderão as capacidades de coesão social?...
4. Seja dito o que se vai dizendo (como constatação e preocupação): do ano 2000 para cá, já metade dos casamentos terminaram em divórcio. Muita da educação (possível) é monoparental. As raízes de pertença vão ficando cada vez mais superficiais, vivendo-se pouco ligado a alguma realidade de comunidade viva (?)... Neste cenário, e na pressuposta liberdade de tudo, quem se preocupa com o que acontece? Há quem a sério se preocupa e procura apontar caminhos… E há pais e educadores que descobriram o segredo das pertenças a um grupo / comunidade como alavanca para os valores fundamentais. Afinal, sendo tudo questionável, uma coisa não o é: quanto mais o valor Família semearmos, mais aconchego um dia colheremos! Quando não, será solidão…

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Fevereiro , 2008, 12:25


Desgosta-me ver mau gosto nos arranjos urbanísticos da minha cidade. Digo cidade, porque tal estatuto, que lhe foi atribuído por merecimento, devia ser sempre considerado, quando se projecta qualquer obra, tanto particular como estatal.
Sem querer agora fazer qualquer análise ao que a Gafanha da Nazaré tem de bom e de mau, não posso deixar de dar, de quando em vez, algumas achegas, que levem os nossos responsáveis autárquicos a olhar para certos recantos com mais preocupação estética. Isto sem pretender magoar quem quer que seja.
Hoje, por exemplo, trago ao meu blogue o Largo St. Johns, na Cale da Vila. Passei por lá, na minha caminhada higiénica, e fiquei triste. Os nossos bacalhoeiros ainda não foram homenageados condignamente, nesta terra que tão ligada ao mar está.
Quantos deram a vida à pesca do bacalhau, e suas famílias, não podem aceitar aquele dóri, ali abandonado, sem mais. O largo, dedicado à cidade portuária que toda a gente da Gafanha e arredores trazia na boca e na lembrança, com as histórias contadas pelos nossos bacalhoeiros, precisa, sem dúvida, de um monumento que lembre tudo isso. Peço aos meus amigos que passem e olhem. Digam-me, sinceramente, se aquilo é alguma coisa. A cidade da Gafanha da Nazaré e os seus bacalhoeiros não podem concordar com o que ali está. Por favor, dêem um ar moderno e belo àquele largo, com um expressivo monumento a lembrar a gesta dos nossos bravos lobos-do-mar. Até poderiam abrir um simples concurso de ideias, porque na terra há gente com capacidade para isso. Façam isso, por favor, para não se perder a nossa história. Se alguém me provar que o largo está bonito, tal como está, não terei dificuldades em dar a mão à palmatória.

FM
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Fevereiro , 2008, 11:41




Como prometi, aqui ofereço mais fotos de Aveiro, concretamente, dos canais e suas margens. Mas há mais. Pretendo, com elas, alertar para a existência de uma ria que se passeia pela cidade, qual desafio para que não esqueçamos as nossas origens lagunares.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 17 Fevereiro , 2008, 11:13

CRIAÇÃO DE ESCOLAS NA GAFANHA

Caríssima/o:

Deixando a imagem escura, sombria e quase trágica da instrução/educação que se projectava sobre a península da Gafanha, vejamos como, muito lentamente (durante mais de cinquenta anos!...), se vão espalhando os espaços que nos trarão a luz da civilização. Mais uma vez recorremos à “Monografia da Gafanha”, agora à página 209:

«Arquivemos aqui, com a data da sua criação, o número de Escolas que até ao ano de 1938 têm funcionado em toda a Gafanha.
Por Decreto de 7 de Julho de 1880 foi criada uma Escola masculina na Gafanha da Nazaré.(Diário do Governo n.º 153, de 10 de Julho de 1880).
Em sessão da Câmara de 24 de Dezembro de 1881 foi criada a Escola feminina na Gafanha da Nazaré. Foi nela criado o 2.º lugar em 1909. Quando da separação dos sexos desdobrou-se a escola em masculina e feminina.
Por Decreto de 31 de Dezembro de 1908, foi criada uma Escola mista na Boa-Hora, da Gafanha de Vagos. (Diário do Governo n.º 11, de Janeiro de 1909). Foi convertida em feminina e criada a masculina por Decreto de 25 de Janeiro de 1932. (Diário do Governo n.º 27, de 2 de Fevereiro de 1932).
Em 14 de Dezembro de 1909 é inaugurada a Escola mista da Gafanha da Encarnação. Não consta na Inspecção Escolar a data da sua criação. Foi desdobrada nos dois sexos por Decreto de 5 de Março de 1924. (Diário do Governo n.º 59, de 13 de Março de 1924).
Por Decreto de 19 de Dezembro de 1914, foi criada a Escola mista da Gafanha de Aquém. (Diário do Governo n.º 299, de 23 de Dezembro de 1914). Foi convertida em feminina e criada a masculina por Despacho de 30 de Novembro de 1931. (Diário do Governo n.º 281, de 5 de Dezembro de 1931).
Por Decreto de 24 de Setembro de 1915, foi criada a Escola feminina na Gafanha do Carmo. (Diário do Governo n.º 225, de 28 de Setembro de 1915).
Por Decreto de 28 de Agosto de 1923, foi criada a Escola mista da Chave, Gafanba da Nazaré. (Diário do Governo n.º 202, de 31 de Agosto de 1923). Foi convertida em feminina e criada a masculina por Decreto de 24 de Fevereiro de 1931. (Diário do Governo n.º 50, de 3 de Março de 1931).
Por Decreto de 21 de Novembro de 1925, foi criada a Escola masculina da Gafanha do Carmo. (Diário do Governo n.º 285 de 4 de Dezembro de 1925).
Por Decreto de 31 de Novembro de 1927, foi criada a Escola masculina na Cambeia, Gafanha da Nazaré. (Diário do Governo n.º 8, de 11 de Janeiro de 1928).
Por Decreto de 10 de Março de 1934, foi criada uma Escola na Marinha Velha, Gafanha da Nazaré. (Diário do Govêrno n.º 75, de 2 de Abril de 1934).
Por Portaria de 25 de Junho de 1935, foi criado o Posto de Ensino na Costa-Nova. (Diário do Govêrno n.º 149, de 29 de Junho de 1935).
Em 1941 foi criado o Posto de Ensino na Gafanha da Boa-Hora. »

Era esta, com mais ou menos desdobramentos e separações, e uma ou outra conversão, a rede escolar quando, em 1947, o Olívio foi à escola pela primeira vez.
De então para cá quanta modificação! E, passeando na “Avenida do Fala-Só” no meu quintal, já me tenho espantado:
- Em breve será instalado, na Gafanha, um Pólo da Universidade de Aveiro!?

Manuel

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