de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 23:36


Andei hoje por Aveiro, cidade a que me ligam tão gratas recordações, desde a meninice. No centro do burgo, deambulei qual barco livre ao sabor da brisa marinha. Olhando montras e o velho casario que enforma a identidade da cidade dos canais, que muitos comparam à Veneza italiana, nem sei verdadeiramente porquê…
Cruzei-me com pessoas que me são familiares e cujos nomes, alguns, já se me varreram da memória, mas que são parte expressiva de muitas vivências.
Sítios, que outrora baptizámos com nome de Selva, hoje Fórum, trouxeram-me à memória dois antigos colegas que faleceram no curto espaço de um mês. Ali jogávamos futebol e aos bandidos e ladrões, mas também nos envolvíamos em guerras de bairros, eu como simples assistente, já que nunca soube atirar pedras, as armas das contendas bélicas dos meninos de há quase 60 anos.
Mas o que mais me impressionou foi ver passar uma senhora, a quem o peso dos anos e da doença envelheceram mais do que o esperado. O seu nome fica comigo nesta partilha com os meus leitores. Arrastava-se com alguma dificuldade pela calçada, com ajuda de pessoa amiga. E eu que a conheci no fulgor da vida; vida toda ela dedicada à cultura e à intervenção cívica. Cumprimentei-a e mal lhe ouvi a resposta ténue que delicadamente me dirigiu.
A vida é assim. Tanto trabalho, tanto entusiasmo, tanta garra, tanta luta! E de um dia para o outro os sentidos reduzem-se ao mínimo, a inteligência declina, a força esvai-se e os olhares inclinam-se para o chão. A vida é tão efémera…
FM

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 17:48


“Os Portugueses querem mais segurança e melhor justiça. O Presidente da República estará sempre ao lado dos cidadãos na defesa daqueles valores fundamentais do Estado de direito democrático.”

Presidente da República,
Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial
:
O problema da Justiça, no nosso País, é muito complexo. Todos sabemos quanto ela é morosa, cara e mais a favor de quem tem dinheiro. Os mais pobres, os que não podem pagar a bons advogados, estão condenados, a maioria das vezes, a sofrer as consequências dessa realidade. Esperam e desesperam até que os seus problemas sejam dirimidos em tempo útil.
Gostaria de acreditar que a Justiça é, de facto, igual para todos. Mas não é. E não é por culpa dos juízes, que admito, sem rebuço, serem pessoas de bem. A questão é do sistema. Sobretudo de quem sabe “mexer” nas leis, dando-lhe as voltas possíveis e imaginárias, até se chegar à solução desejada.
Veja-se o caso da Pedofilia na Casa Pia. Caso semelhante, descoberto nos Açores, foi resolvido de imediato. No Continente, o julgamento continua sem fim à vista.
O Presidente da República denunciou, mais uma vez, que os portugueses querem mais e melhor Justiça. Outros portugueses já reclamaram o mesmo. Contudo, continuamos sem ver progressos nesta área.
Na mesma sessão, o bastonário da Ordem dos Advogados voltou a falar de corrupção a nível dos agentes políticos. Está em curso um inquérito. Cá para mim, tenho um palpite que tudo cairá em saco roto.

FM

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 17:25



O novo poder da Informalidade?

1. A época histórica que vivemos vai-se mostrando já tão diferente do passado recente. Melhor ou menos melhor, isso será outra questão. Em tempos diferentes, não chega, pois, clonar as mesmas respostas do tempo que já lá vai. Pode ser que o conteúdo seja o mesmo e, em última instância, o essencial da VIDA permanece; mas a forma, a roupagem terá de corresponder aos tempos novos da actualidade. O mundo que não nasceu como hoje o vemos, diz-nos que as próprias formas sociais foram, a certa altura, reinventadas a partir de uma nova “informalidade” encontrada.
2. Hoje procuram-se “regulações” para novas realidades até há 10 ou 15 anos inexistentes, como por exemplo todo o mundo da revolução das tecnologias das comunicações ou mesmo nas fronteiras abertas dos países nas novas áreas de comunidade (da Europeia consagrada à africana em formação). Os próprios pesos institucionais de formas cristalizadas no tempo estão a receber o desafio de uma abertura e flexibilidade sem precedentes, o que em última análise pode gerar uma instabilidade de ausência de referências. As instituições basilares da convivência humana família, escola, trabalho, política, vão sentindo esses impactos.
3. Talvez estejamos no “terminar” de um processo histórico dos últimos dois séculos da Razão de Estado. Pensávamos que, com o Estado de Direito e toda a forma de organização social, tudo estava encontrado, mas os impulsos da actual globalização e transnacionalização dos processos vai obrigando a REVER. Nestes processos de revisão ao encontro das pessoas concretas da sua situação e dignidade (o que por vezes as instituições não conseguem), a informalidade parece que vai ganhando o jogo afirmando-se com um potencial redescoberto e obrigando a descer (novamente) a Razão ao encontro da Existência humana.
4. Um autor dos anos 30, Paul Hazard, refere que «outrora, estudava-se muito o século XVII; hoje [em 1934], estuda-se muito o século XVIII». Talvez tenhamos dado prevalência ao institucional em vez da primazia às pessoas... Os tempos actuais são de reencontro com as pessoas, e as instituições que não o conseguirem perdem o significado social. Estará em andamento uma desinstaladora revolução da informalidade? Talvez, não sabemos. Uma coisa é certa, tempos de mudança profundamente complexos. Cada vez mais, e sem alarmes, nada será como dantes. Tudo dependerá dos valores profundos em que alicerçar a vida e a comunidade. Mais importante que nunca! A própria indiferença também é “sinal”…

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 12:15

Exposição no Museu da Cidade

No próximo dia 1 de Fevereiro assinala-se o Centenário do Regicídio decorrido no Terreiro do Paço, em Lisboa. Mais que um homicídio (do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro), tratou-se de um crime contra o Estado que constituiu um ponto de viragem no processo de declínio da Monarquia que levaria à implantação da República em 1910. Dada a sua natureza, o acontecimento teria repercussão por todo o país gerando reacções diversas. As iniciativas da Câmara Municipal de Aveiro estão associadas aos eventos nacionais que marcam a data.
Neste contexto, as actividades, organizadas pela Câmara Municipal de Aveiro, que decorrerão no Museu da Cidade de Aveiro, destinam-se ao público em geral e às comunidades escolar (primeiro ciclo do Ensino Básico). As acções têm como principal pressuposto conhecer o significado e implicações do regicídio, das quais destacamos uma pequena mostra documental incluindo imprensa aveirense da época, a acta da Câmara Municipal de Aveiro que relata os factos e dois desenhos do Rei D. Carlos provenientes do Museu da Marinha.
“O regicídio… em Aveiro” e “D. Carlos, o rei que amava o mar” constituem uma exposição documental que estará patente no Museu da Cidade de Aveiro, de 1 a 10 de Fevereiro, de Terça-feira a Domingo, das 10.00 às 19.00 horas (excepto das 13.00 às 14.00 horas). Nesta mostra estará exposto:
o livro de actas da Autarquia em que se relata o regicídio e a subida do trono de D. Manuel II;
exposição da imprensa local da época e da revista “Ilustração Portuguesa” com o relato dos factos;
e, numa alusão à vocação e interesse pelo mar, com o qual também Aveiro tem uma relação intrínseca, relembra-se a figura do monarca exibindo uma peça sua (aguarela com motivos marítimos) proveniente do Museu da Marinha, Lisboa.

Do “site” da Câmara Municipal de Aveiro
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 11:52

Aconteceu no dia 25 de Janeiro, mas só hoje li a notícia da atribuição de Bolsas de Estudo pela Câmara Municipal de Ílhavo a estudantes do concelho.
Na presente edição foram atribuídas a jovens estudantes residentes no Município de Ílhavo 24 Bolsas (8 novas e 16 renovações), com um valor mensal que varia entre os 51,13 e os 102,25 Euros, consoante se trate do Ensino Secundário ou Superior, implicando um investimento municipal de cerca de 20.000 Euros.
Ao saber desta iniciativa da CMI, não posso deixar de sublinhar a atribuição das Bolsas de Estudo, à semelhança do que já aconteceu nos anos anteriores. Sinto que este é bom exemplo de apoio a quem terá dificuldades para prosseguir estudos. Mas é mais: é um estímulo para quem quer estudar e não tem grandes possibilidades para o fazer.

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 31 Janeiro , 2008, 10:25


Caem-nos cada dia no computador mensagens de pessoas amigas, com pedido de que enviemos a outras, a prevenir contra a aceitação de chamadas telefónicas de certo teor, que podem levar os incautos à sua própria ruína. O mesmo acontece em relação ao correio electrónico, infestado por interesses injustos e malévolos, de dentro e de fora, que, anunciando maravilhas escondem desgraças. Entra-se assim no que é nosso, neste mundo aberto e de todos como é o da comunicação, com intuitos de destruir ou de a outros beneficiar, pouco ou nada podendo nós fazer pata impedir, contrariar ou responsabilizar outrem pelos prejuízos sofridos.
Viver pressupõe e exige um clima de confiança, de serenidade, de paz, dentro de nós e à nossa volta. Tudo o que perturba, sem que se lhe veja a ponta, incomoda, desestabiliza, cria fantasmas, multiplica desconfianças.
Há quem goste de navegar nas águas do “quanto pior, melhor” e quem aprecie muito a política da terra queimada, que também nisso vão os seus interesses.Sempre que para uns a vida entusiasma menos, para outros ela torna-se espaço apetecível para um trabalho, onde a luz só incomoda.
Porque procuram as pessoas sem escrúpulos, que por aí vão abundando, os idosos indefesos e a viver sós, para poderem assaltar, roubar e, muitas vezes, ferir e até matar, não levando deles mais que o seu modesto pé-de-meia, bem poupado à custa de sacrifícios dispensáveis, mas na expectativa de momentos mais aflitivos? Gente como esta é sempre fácil de enganar com promessas que fazem sonhar em dias melhores. Onde se juntam os abutres? Onde há morte. A vida, com a dor e o peso que lhe tiram o sentido e a alegria de viver, já é morte.
A solução não está na abundância de polícias, porque, num contexto que se generaliza, a sua presença será mais dissuasora que correctora. Está numa séria educação de base e no apoio claro a todos os educadores, na protecção à família, primeiro e mais determinante espaço humanizador, na eliminação corajosa dos focos de contaminação, na luta contra as desigualdades sociais provocadoras e irritantes, na aceitação pública de todos, pessoas e instituições, que defendem, propõem e testemunham valores morais e religiosos que ajudam a subir os horizontes e fortalecer as vontades, na procura nunca abandonada de meios que favoreçam a paz, a segurança, a reconciliação e a confiança mútua, bem como a correcção exemplar dos prevaricadores.
Andam muitos responsáveis políticos ocupados e afadigados com os aspectos económicos e financeiros do país e com a imagem do mesmo para o exterior. Nada disso é de somenos importância. Porém, a riqueza de um país são as pessoas e a cultura que lhes deu e dá referências enraizadas, capazes de transmitir sentido à vida, participação de todos no que a todos diz respeito, capacidade de relação e convivência com todos, mesmo que sejam de outras culturas e raças e agora coabitam connosco.
Destruída a cultura que nos ajudou e ajuda a ser o que somos, nada resultará e não ficarão senão frutos espúrios, vazios de bem e perturbadores da paz e da harmonia que não dispensamos, e gente incaracterística a que os nossos valores de sempre nada dizem.
Tem-se brincado de mais com as nossas raízes, como se fossem bens e coisas de somenos. Os resultados vão-se sentindo, num país que parece alguns terem optado por ser mais babilónia que espaço lavado e despoluído de uma sã convivência plural.


António Marcelino
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