de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 17 Janeiro , 2008, 18:39

Gostei de ler no Correio do Vouga...

Com os dotes de comunicação que lhe são reconhecidos e uma cultura admirável sobre relações internacionais, Nuno Rogeiro dissertou acerca da “dignidade humana das nações” e principalmente sobre os grandes problemas geopolíticos da actualidade. Assistiu uma plateia que lotou totalmente o salão do Centro Universitário Fé e Cultura, na noite de 9 de Janeiro. Aqui ficam as ideias principais de mais uma sessão mensal do Fórum::Universal,


por Jorge Pires Fereira

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 17 Janeiro , 2008, 15:12
Esteiro Oudino

Navio-museu Santo André

Ponte da Cambeia

Portas d'Água

ESTEIRO OUDINOT VAI FICAR COM CARA MAIS BONITA


Posso assegurar que a zona anexa ao Jardim Oudinot vai passar por um arranjo urbanístico, de forma a ficar um espaço de lazer, convidativo e acolhedor. O enquadramento não pode ser melhor. Com o esteiro Oudinot, navio-museu Santo André, Ponte da Cambeia, Portas d’Água e pequena praia, com canal de Mira como atractivo especial, onde não hão-de faltar embarcações de várias características, o arranjo será uma mais-valia para residentes e visitantes.
A Ponte da Cambeia, em ruínas, merece, de facto, voltar ao convívio pleno de quem aprecia os restos de um passado recente, presente, ainda, na memória de muitos. Tão bem a recordo, quando por ali pescávamos macacas e ouros peixinhos que ficavam presos aos nossos anzóis. Também assisti à pesca do safio, nas pedras da ria, por artes de gente mais velha que sabia o que fazia. As Portas d’Água eram uma decoração bonita para quem gostava de apreciar os arcos, que se limitavam a deixar passar a água, sobretudo na altura das marés vivas, com correntes bastantes fortes.
As palmeiras ainda resistem aos ventos, ao lado do canal, que dava acesso às oficinas da JAPA (Junta Autónoma do Porto de Aveiro), hoje APA (Administração do Porto de Aveiro). Ali atracavam as barcaças que transportavam as lamas retiradas do fundo lodoso dos canais da ria pelas dragas, para ficarem mais navegáveis. Tantas vezes fiquei arrepiado, ao ver os trabalhadores todos sujos, arrastando à força de vara, as pesadas cargas que atiravam, às pazadas, para as margens. Mas isto são outras histórias…

FM




Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 17 Janeiro , 2008, 15:04



Que Sapienza?!



1. “Sapienza” é palavra italiana que significa “sabedoria”. A Universidade La Sapienza de Roma é uma prestigiada universidade, hoje pública, que nasceu a 20 de Abril de 1303 por decreto papal de Bonifácio VIII. É uma das mais antigas e maiores universidades do mundo, com cerca de 150 mil estudantes. À sua história pertencem momentos conturbados da própria história da Europa e, dentre as várias reformas de que foi alvo, destaque-se mesmo a Reforma Napoleónica. Na natural preocupação de confrontar conhecimentos com intelectuais de todas as épocas, a Universidade La Sapienza, aberta à pluralidade de expressões, desta vez convidara o teólogo papa Bento XVI. Saudavelmente, tal como vai convidando intelectuais de toda a ordem filosófica, política e religiosa, desta vez o livre convite dirigia-se a uma das personalidades do mundo cultural, que aceitara com o maior prazer.
3. O que não seria nenhuma notícia de especial acabou por sê-lo. Um grupo de professores, intelectualmente mais uma vez descontextualizado com afirmações (de há anos) deste pensador, mobilizou opinião contra a sua vinda. Rapidamente os estudantes foram apanhados na rede que ampliaram, gerando-se o mal-estar com proporções anuladoras da visita de Bento XVI. Muito para além de questões de religião, este cenário, primeiramente, diz-nos que qualquer personalidade que represente uma determinada comunidade corre hoje o perigo de não ser bem-vinda ao “espaço público” de todos. Sinal de intolerância das liberdades? Segundo, porventura, na falta de qualidade racional, pode-se abrir palco a ideias de ditadores mas fecha-se a porta à liberdade de expressão do confronto saudável de ideais e valores… Caminha-se “anti”, será laicismo intransigente? E a LIBERDADE proclamada?
3. É certo que existe uma factura histórica que se paga sempre no presente, quando as hegemonias de outros séculos foram impostas à força, tanto da parte de sistemas filosóficos, como de políticos e religiosos. Mas as intolerâncias crescem tanto mais quanto menos a cultura da racionalidade iluminar o pensamento. E é aqui que a exclusão de Bento XVI, como dizem vários pensadores ateus e agnósticos, acaba por ser sinal de desonestidade intelectual para onde deixámos cair os valores e a razão. Defensor dos princípios da laicidade, Ernesto Galli, editorialista do jornal Corriere de la Sera, escrevia que este gesto traduzia «uma laicidade oportunista, alimentada por um cientismo patético, arrogante na sua radicalidade cega». Correrá Ernesto Galli perigo de vida?! A este caso poderemos juntar (em âmbitos diversos) o da visita de Dalai Lama ou a famosa aula do papa na Universidade de Ratisbona do ano passado, onde as frases retiradas do contexto foram o que foram.
4. Independentemente de todas as histórias do passado, e de todos os lados da barricada, precisa-se de uma ordem da racionalidade justa e honesta que não se feche à pluralidade de opinião e compreenda o pensamento “lendo” até ao fim. Quando não, adeus liberdade ocidental! Claro, de tudo isto a única preocupação será a Liberdade, na Verdade, com Humanidade. Embora marcando o timbre do tempo, tudo passa; em tempo global, as aberturas são mesmo irreversíveis. Sejam ao serviço da Humanidade aberta.

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 17 Janeiro , 2008, 15:00




Parece que andamos todos a jogar taco a taco ou desconfiados de quem passa ao nosso lado, como se fosse um inimigo. Todos os dias, polémicas, desmentidos, respostas tortas e crispadas, opiniões a pretender ser moeda única na comunicação. Todos os dias a parecer que as relações sociais e o direito de cidadania e de expressão têm de ser inspirados no prós e contras. Cada vez mais frequentes as manifestações de rua que, anos atrás, eram apenas por razões laborais e hoje, também, para expressar direitos fundamentais à saúde que só este campo dá razões, sem conta, para crispar as pessoas.
É verdade que só o governo fornece matéria de sobra para esta irritação colectiva, que já deixa poucos de fora, pouco mais que a gente que vive longe de Lisboa, que quando sente esmagada ou esquecida, mostra a coragem e a sabedoria da vida que leva consigo. Então não se cala e, como o cego de nascença do Evangelho, que é mandado calar por quem não quer ser incomodado, mas o faz gritar ainda mais. Na persistência teve a cura, porque alguém, por gritava, o ouviu. Mas esse foi Jesus, não o ministro da saúde...
Na vida em sociedade há coisas ambivalentes e difíceis que não se esclarecem só porque sim e não se implementam validamente, só pela força férrea de quem manda.
Há resignação que não é aceitação e a resignação pode sempre levar ao “já basta”.
Quem detém a autoridade, pais, professores, bispos e padres, ministros e subalternos até ao extremo dos agentes de segurança pública, precisa de saber que, se já não é igual quem é chamado a obedecer, também não pode ser igual quem detém a autoridade.
Não se trata de subverter o papel da autoridade, mas sim de a compreender e exercer como serviço, respeito pelos súbditos, sejam eles quem forem, diálogo normal que já ninguém dispensa, nem sequer os miúdos dos jardins-de-infância. Depois, também a consciência de que opiniões não são dogmas e a grandeza de alma para reconhecer que nem sempre o que se mandou estava certo e era o melhor, ou que não foi previamente dialogado e justificado. A teimosia não é força de razão.
A nível nacional os factos multiplicam-se todos os dias: o lugar do aeroporto, o furor da ASAE, a administração BCP, as medidas precipitadas na saúde, a sobrecarga das urgências já tornadas átrios de morte, o eterno problema das escolas, a polémica lei do tabaco, a dança das pensões de reforma, as leis do trabalho, o disparado custo de vida, os impostos, o desemprego sempre a crescer, enfim e acima de tudo o manifesto desfasamento entre o discurso dos governantes e a vida das pessoas…
Parece que o governo, que até tem tomado medidas necessárias, decidiu ouvir pouco ou mesmo nada, com excepção para os grupos de pressão, escondidos atrás de anonimatos e vénias. Para o povo e seus representantes naturais e as diversas instituições que com ele lidam de perto e sabem interpretar os seus sentimentos e seus desejos não há tempo.
Já alguém disse que as diversas autoridades, e disse-o olhando os governantes, são “ventríloquos”. Como a tentação é de todos, pode estender-se a outros com poder de decisão. Quem fala só para dentro ou só fala de si, dá nota de merecer especial atenção. A comunicação normal é feita com os outros, para que possa ter eco, resposta e parceria colaborante nas decisões a tomar.
Muito deste clima encrespado evitava-se e teríamos mais concórdia e colaboração, se todos valessem por si e fossem mais responsabilizados na resposta às necessidades emergentes. O governo, para poder estimular quem serve e apoiar quem age, tem de ter abertura, proximidade normal das pessoas, diálogo construtivo.
Se entramos no “hoje sim, amanhã não”, jamais se saberá a ponta a pegar na conversa. Isto leva à critica fácil, ao arredar dos mais válidos, ao ascender dos mais inúteis, à escolha de criados de serviço, a que se dispensam opiniões e se favorecem aspirações.


António Marcelino
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