de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 15 Janeiro , 2008, 17:43

NOVO AEROPORTO DENUNCIA ERROS CRASSOS

Ontem à noite ainda consegui ver o programa PRÓS E CONTRAS, na RTP, moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, que nem sempre consegue esconder de que lado está, quando devia ser completamente isenta. Se há muita gente a contestar esta atitude de uma jornalista credenciada, a verdade é que deve ser difícil esconder sempre as suas preferências. Não há ninguém perfeito, mesmo aqueles que pregam sê-lo.

Três notas, apenas, em jeito de comentário:

1 – Este processo do novo aeroporto veio mostrar que a democracia não pode ser jogada só pelos partidos políticos e pelos políticos profissionais ou militantes de uma qualquer corrente ideológica. O povo, pela palavra individual ou através de instituições, tem sempre de se fazer ouvir. E o Governo, qualquer que ele seja, não pode descurar a obrigação de olhar para o que o povo diz.
Um grupo de empresários, liderado pela CIP (Confederação da Indústria Portuguesa), soube avançar com a iniciativa de procurar outro espaço para o novo aeroporto, sem peias nem complexos, e descobriu o que ninguém tinha visto. Alcochete vai ser o local do novo aeroporto, pondo de lado a OTA, de que se falava há tantos anos. Se não fosse a sociedade civil, o Governo não daria nenhum passo para analisar uma outra alternativa, que afinal havia e houve.

2 – O bastonário da Ordem dos Engenheiros denunciou que em Portugal há muito o hábito de os políticos tomarem decisões de ânimo leve, sem ponderarem os prós e os contras. Depois, e só depois, é que chamam os engenheiros e outros especialistas para resolverem os problemas, transportando esta atitude enormes custos para o erário público. Seria bom, diz o bastonário, que os políticos tomassem isto em conta, para não se cometerem os mesmos erros. E se é verdade que o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) resolveu em seis meses o que outros não conseguiram em muitos anos, por que razão não aproveita o Estado os seus técnicos para que estudem atempadamente os projectos, antes de se decidirem, politicamente, pela sua execução?

3 – O presidente da Câmara das Caldas da Rainha afirmou, peremptoriamente, que as autarquias, quando querem levar por diante um projecto, pedem pareceres a técnicos, sabendo de antemão que os mesmos avançam com propostas de acordo com a vontade da entidade que lhes paga. Neste caso, as autarquias. Quis dizer o óbvio: que há técnicos e políticos desonestos. Os mesmos que pregam honestidade. Então, onde está a honorabilidade dos técnicos que ganham para dizer amem a quem lhes paga? E a dos políticos que pedem pareceres a quem falta à verdade, unicamente para avançarem com projectos que à partida estariam condenados? Quereria ele insinuar que o LNEC, afinal, se comportou como os técnicos que fazem o frete de dar pareceres à medida da vontade do Governo? O presidente do Laboratório Nacional, ali presente, disse, mais do que uma vez, que o estudo foi feito com base, unicamente, em dados científicos. E o Governo não estaria interessado em manter a OTA, local que sempre tinha defendido?
Que estranho país este!

FM
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 15 Janeiro , 2008, 17:42
O FÓRUM ALIANÇA DE CIVILIZAÇÕES

1. Está a decorrer em Madrid o 1º Fórum da Aliança das Civilizações. Na sua linha programática procura-se a “apresentação de iniciativas e projectos de alto nível para fomentar o diálogo intercultural”. Mas, mesmo com a presença de diversos prémios Nobel da Paz e do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a primeira nota de destaque é a generalizada indiferença da imprensa espanhola. Sinal dos Tempos?! O projecto Aliança das Civilizações foi iniciativa lançada em Agosto de 2005 por Kofi Annan e com o co-patrocínio da Espanha e Turquia, tendo sido nomeado Jorge Sampaio como Alto-Representante da ONU (14 Julho 2007). Para o país fundador, o relativo desinteresse não deixa de surpreender…
2. Destaque-se os alcances do trabalho em realização em Madrid, com personalidades da sociedade civil, política, religiões, cinema. Entende-se que a juventude e a comunicação social são eixos estruturantes nos quais apostar para o entendimento entre culturas; procura-se criar plataforma de troca de informação relacionada com o “diálogo de civilizações, religiões e culturas”; será elaborada bolsa de personalidades e peritos disponíveis para intervir sobre estas matérias, especialmente em tempos de crise; dá-se destaque às parcerias entre organizações internacionais e a Aliança, aguardando-se, da parte de diversos países, as estratégias nacionais para o diálogo cultural. Se todo este conteúdo não chega para despertar a máxima atenção, então…?
3. A lacuna da generalizada indiferença continua a confirmar que (infelizmente) se prefere o choque estridente de um atentado à verdadeira e profunda formação da consciência para a coexistência pacífica das nações. Tal como a água ou a saúde, só apreciamos devidamente quando nos faz falta. Que limitação humana (d)a ausência de memória! Já agora, para que não se perca, registemos também que a Aliança procura a criação de um espaço político “multipolar e global” com o fim de lutar contra a “falta de entendimento e de comunicação” entre as diversas concepções de mundo, destacando-se o papel dos agentes internacionais, a educação e formação, a função da comunicação social e do papel dos líderes e religiões.
4. Estamos no Ano Europeu para o Diálogo Intercultural. Uma oportunidade privilegiada de aprofundar a essência dos intervenientes e das autênticas condições do diálogo. Não chega uma visão simplista, mas uma ideia desenvolvida inclusiva do todo (do mundo). É nesta linha que, entre as temáticas, o Fórum aborda “a gestão da diversidade na era da globalização” procurando entrever os “desafios políticos no Diálogo de Culturas”. Eis o perfil do que está a acontecer; importante demais para “passar” num minuto de informação. Jorge Sampaio, optimista, reconhece que o caminho é longo, que exige “persistência e paciência”. Mesmo (na atenção) sem limites!


Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 15 Janeiro , 2008, 12:57
Gostei de ler no Diário de Notícias

"Nunca tive tanta noção de o tabaco ser uma droga como nos últimos 15 dias, após ler textos alucinados por parte de colunistas habitualmente respeitáveis como Vasco Pulido Valente ou Miguel Sousa Tavares. O que eles têm escrito sobre a nova lei do tabaco, deitando mão a comparações que deviam envergonhar qualquer pessoa que tenha lido dois livros de História, é de tal modo inconcebível que só se explica pela carência de nicotina. Eles fingem que um café inundado de fumo é coisa que não incomoda ninguém. Eles chamam fascismo a uma decisão que chateia dois milhões de portugueses e protege oito milhões. E Sousa Tavares conseguiu mesmo a proeza de afirmar no Expresso, sem corar de vergonha, que a lei faz "lembrar, irresistivelmente, os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi". Ora, isto não é texto de um colunista prestigiado - isto é conversa de um junkie a quem o dealer cortou na dose. Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto."
João Miguel Tavares
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 15 Janeiro , 2008, 12:30


É um gosto oriental que a Bíblia herdou: o gosto pela aritmética simbólica, a paixão pelo jogo de números, cifras e códigos. Por exemplo, o Evangelho de Mateus abre com uma “brincadeira” (chamemos assim a essa coisa muito séria) em torno ao número 14, que se repete três vezes. Como em hebraico os algarismos eram expressos por letras, Mateus, mesmo escrevendo em grego, sabe que os seus leitores decifrarão que o 14 corresponde ao nome David (4+6+4, se tomarmos apenas as consoantes). O evangelista quer enaltecer Jesus atribuindo-lhe três vezes a realeza de David... Para não falar do Apocali-pse que faz desta linguagem dos números uma autêntica gramática para a sua empenhada teologia da história e da esperança...
As nossas sociedades contemporâneas lidam massivamente com números, mas sem a aura simbólica de um tempo. A sua função tornou-se sobretudo utilitária, estatística. Cada um de nós tem uma série de números, engrossa gráficos e percentagens. Neste labirinto quotidiano, os números parecem ter perdido a carga profética que tinham. Quantificam a realidade, e basta. Esquecemo-nos que o barro precisa do sopro vital, que a superfície respira em profundidades que não se vêem, que a quantidade se torna um acumular inútil se não nos encaminha para a qualidade do ser. Os números sucedem-se, em velocidade, no rodapé dos dias. Que significam verdadeiramente? Que pedem de nós?
Disto me recordo, lendo um texto de um especialista em questões de desenvolvimento acerca do número 32. Calcula-se que o bilião de pessoas que vive nos chamados Países do “primeiro mundo” tenha uma taxa relativa de consumo per capita de 32, enquanto que a maior parte dos outros 5,5 biliões de habitantes do planeta viva com uma mísera taxa que ronda quase sempre o 1. Dito brutalmente: o número 32 expressa neste momento a diferença de estilos de vida e de possibilidades entre o mundo desenvolvido e abastado, e o resto da humanidade. No cristianismo das origens os números eram interpretados simbolicamente como desafios concretos. E nós agora?

José Tolentino Mendonça

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