de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Dezembro , 2007, 15:37

A ESPERANÇA

1. A esperança é o encontro com o desejado (bom e belo) futuro. Uma esperança que supera toda a ciência e tecnologia, pois que abarca a totalidade da existência, como encontro do que se é com o que se procura, envolvendo tudo o que se sente de mais profundo. Nesta fase histórica da globalização comunicacional do séc. XXI, que sobrecarregada nas mudanças de paradigmas de pensamento-vida gera um ansioso pessimismo, falar e propor esperança é perspectivar e antecipar um amanhã melhor que relativiza o poder das “coisas” ou dos “sistemas” e eleva a dignidade humana como centro de toda a experiência histórica.
2. Que bom seria que todos os líderes das grandes instituições, ciências sociais e humanas, filosofias, e religiões, esboçassem o seu Tratado da Esperança como compromisso com o futuro do século…e nesse caminho de reflexão sentissem o comum desígnio humano como transcendência, numa realização humana que se completa para além da historicidade sempre limitada. Diremos que neste aprofundamento dos valores essenciais da paz, amor, esperança, sentido da vida, todas as energias ganham proximidade, parceria, dando assim, “razões” para acreditar na esperança, pois esta não pode ser palavra “vã” que se professa sem se alimentar da interioridade…pois só depois se manifestará na (vida ética da) exterioridade histórica concreta.
3. Como que procurando partilhar uma mensagem esboçada nas raízes do ocidente, Bento XVI na recente Carta Encíclica (Spe Salvi – Salvos na Esperança) propõe-se a essa reflexão, na qual constrói o caminho da esperança, do Humano ao Divino, que para os cristãos brota na Primeira Pessoa. Nesta proposta da Esperança Cristã que culminará com a reflexão da época patrística (Agostinho de Hipona) e do magistério eclesial, o papa cita Platão, Lutero, Kant, Bacon, Dostoiesvski, Engels e Marx. Numa visão de confronto reflexivo, visando uma distância crítica em relação aos sistemas técnico-sociais que, levados ao absoluto, podem asfixiar a esperança.
4. A esperança, como brotar contínuo de um sentido da vida que não “seca”, não se compra nem se vende, nem se produz em laboratório ou se detecta nas tecnologias da comunicação, por mais aperfeiçoadas que venham a ser. A esperança exige a “entrega” para além de si mesmo e para além das visões da história humana, sempre procuradora de verdades maiores. A viagem dos anos da vida apura a esperança, e em circunstâncias onde as forças da lógica racionalista humana nada valem… essa luz de esperança existencial (no fundo, sempre procurada) brota anunciando um amanhã melhor. Não é algo da ordem das pressas técnicas, exige a capacidade de sabedoria poética, elevada ao infinito! Não haja dúvida, na junção de todas as reflexões da esperança, o edifício da Nova Humanidade ganhará alicerces para todo o futuro!

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Dezembro , 2007, 10:48



Comemora-se hoje o Dia da Abolição da Escravatura. A oportunidade desta comemoração é evidente. A escravatura desde sempre existiu à face da Terra. E continua a marcar a existência de muitos seres humanos. Foi oficialmente abolida em muitos países, mas ainda existe em muitos outros. Até naqueles onde se julga que a escravatura foi erradicada há muito.
Quando se fala de escravatura, logo nos vêm à mente cenas de pessoas acorrentadas e ligadas, como bichos, a trabalhos forçados. Seres humanos tornados animais de carga. Sem direitos, sem voz, sem projectos de vida, sem felicidade. Eram comprados e vendidos como gado nas feiras. Eram propriedade absoluta de quem os comprava, com direito a fazer deles o que quisesse.
Contudo, e sem podermos esquecer esse tipo de escravatura, não podemos ignorar a realidade dos tempos actuais em países civilizados e democráticos. É sabido que há novas e subtis formas de escravatura. Escravos do sexo, escravos de negócios sujos, escravos de patrões cegos pelos lucros fáceis, escravos do dinheiro que todos os sentimentos abafa, escravos de ideologias desumanizantes, escravos de máfias que os exploram sem piedade. Mais ainda: crianças forçadas a trabalhos de adultos, crianças escravizadas na pedincha, crianças-soldados em guerras que não entendem, crianças-artistas sem tempo para brincar, crianças abusadas por adultos tarados, crianças sem direitos de crianças.
O rol das novas formas de escravatura seria interminável. Mas o que disse já será minimamente suficiente para reflectirmos sobre a escravatura que ainda existe entre nós. Para que um dia todos os homens e mulheres deste mundo sejam pessoas livres.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Dezembro , 2007, 10:14


Deus faz-se humano e quer acolher-nos. Pretende encontrar-se connosco e ser nosso amigo e companheiro. Vence todas as barreiras para se fazer próximo e dar a conhecer este seu desejo. Quer ajudar-nos a ser humanos, abrindo-nos horizontes de realização plena. Quer indicar-nos o caminho a percorrer, os valores a cultivar, as opções a fazer, as atitudes e os gestos a vivenciar. Quer envolver-se na história humana, potenciando capacidades e ajudando a superar limitações. Quer ser verdadeiramente o Emanuel, o Deus connosco.
É este o sentido profundo do Advento que marca o início do Ano Litúrgico. É uma espécie de tempo novo em que o modo de ser e de agir de Deus se vai dando a conhecer progressivamente. E também a maneira como reage a humanidade.
A história bíblica constitui um rico documentário desta relação mútua. Deus mantém-se sempre fiel. O povo nem sempre e faz outras opções. Surgem então os profetas que recordam o propósito divino, as promessas feitas, a aliança celebrada. E anunciam que o Emanuel vai nascer. É necessário estar atento e vigilante, preparar-se para o acolher, pronto e disponível lhe corresponder.
Jesus é este Emanuel. O seu nascimento é o Natal cristão. A atitude mais correcta é a vigilância do espírito, fruto de uma consciência lúcida e de um coração sensível. A resposta mais acessível e coerente é o cultivo da liberdade para, sem medos nem inibições, o acolhermos com alegria e verdade.
A atitude vigilante supõe e exige forças dinâmicas que nos fazem viver um humanismo de qualidade: a esperança, a sobriedade, o trabalho, a responsabilidade, a oração que constitui como que a seiva de todas as outras.
A esperança tem como alicerce a promessa feita e Deus não falha. A sua vinda é certa. O envolvimento no seu projecto depende de nós. A sobriedade faz-nos ser donos de nós mesmos e partilhar generosamente os bens com os necessitados. O trabalho desenvolve capacidades indispensáveis à nossa realização e à dos outros. A responsabilidade leva-nos a dar a melhor resposta aos desafios que nos chegam, quer provenham das situações humanas, quer da urgência de testemunhar de modo credível o Evangelho.
Estas forças dinâmicas, além de tornarem mais humana a nossa vida, dão um contributo valioso à humanização da sociedade. O natal da nova humanidade está a surgir e pode ser apressado. Precisa do esforço de todos, especialmente do contributo de pessoas enraizadas na fé, alegres na esperança e empreendedoras no amor gratuito.



Georgino Rocha
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Dezembro , 2007, 10:01


Nos próximos cinco anos, Portugal vai gastar 348 milhões de euros para cumprir o Protocolo de Quioto. Um esforço financeiro que custará a cada português cerca de 35 euros. Para tanto, parece pouco, mas não chega para inverter a tendência destrutiva global que ameaça o ambiente.
Depois de anos de apelos e campanhas de sensibilização, a carteira está identificada como a única, e derradeira, forma de estimular a protecção do ambiente. Assim, os próximos anos serão de aumentos significativos no que aos recursos naturais diz respeito. O objectivo da União Europeia é que se consuma menos água quando quem a utiliza passar a pagar, além do custo real, o custo ambiental; que se produza menos lixo, quando a taxa de resíduos começar a reflectir o real custo do seu tratamento, cada vez mais complexo.
Para o ano, o Orçamento do Estado prevê já que 60% do valor do imposto automóvel seja calculado consoante as emissões poluentes do veículo. É justo que paguem mais os que poluem mais. Mas, nesta matéria, o dinheiro apenas ajuda a limitar os estragos ambientais, porque muitos são irreversíveis.
É incompreensível que uma questão de bom senso, que nos beneficia a todos, tenha de ser imposta à força e com sacrifícios económicos que as famílias podiam evitar ou, pelo menos, minimizar, se se empenhassem a fundo na defesa do ambiente.
Mas nunca é tarde de mais para começar.

Editorial do DN de hoje
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Dezembro , 2007, 10:00


TREVÕES ... A LENDA DO POÇO




Caríssima/o:

Venham comigo, acompanhar a Mariana, até Trevões. Servir-nos-emos de vários escritos:

«Entre as serras vestidas da Beira e os montes despidos do Douro, situa-se Trevões, povo tão importante e antigo que já os documentos medievais falam dele.
Foi cabeça de concelho até ao liberalismo, senhoreado por fidalgos de elevada estirpe, que aqui deixaram suas moradas, das quais a mais importante é o Solar dos Caiados Ferrões, numa construção que remonta ao século XVIII.
Durante muito tempo, numa casa apalaçada e com magníficos dourados, junto ao adro da igreja, teve o bispo de Lamego a sua residência de férias e de Verão.
»
[À Descoberta de Portugal, Selecções do Reader's Digest, 1982, pág. 95]

«É terra de remoto povoamento. Há documentos do século XII que se lhe referem. No final da Idade Média sofreu, como tantas outras da região de Riba-Côa e de Tarouca, as prepotências dos senhores de Marialva e Penedono, os Meneses, de cuja estirpe foi representante típico, pelo uso da violência, o mal afamado Sousa Coutinho. Aqui mesmo um prelado de Lamego foi preso e humilhado por esse fidalgo atrabiliário. A vila recebeu foral manuelino em 1512. Pela reforma de 1855, perdeu a categoria de cabeça de concelho. Na povoação decaída, há solares de algumas estirpes beiroas e transmontanas (Sarmentos, Caiados, Almeidas).
A igreja paroquial (mon. nac.), talvez do séc. XIII, conserva ainda acentuados traços da sua estrutura românica: paredes de grande espessura, arco do portal de ponto subido, cantarias sigladas.
»
[Guia de Portugal, Gulbenkian, 1988, vol. V, pág. 790]

«Desde a primeira dinastia que Trevões foi couto da Sé lamacense, pertenceu a vários senhores e ao rei (reguenga), povoada por carta de foro de 1159 de D. Afonso Henriques com D. Fernão Mendes «de Bragança» (Braganção) e D. Sancha Henriques, sua mulher e irmã do monarca (quem fez doação à Sé, tornando a vila «couto» episcopal e D. Dinis, na devassa, mandou respeitar).

D. Manuel I deu foral novo à vila e concelho de Trevões, a 15 de Dezembro de 1512. Teve hospital e misericórdia.
Trevões foi elevada a Paróquia no século XIII e tem como padroeira Santa Marinha que, segundo reza a história, foi uma das nove irmãs martirizada e perseguida por se converter ao cristianismo, acabando por ser degolada após sucessivas torturas, das quais saiu miraculosamente curada. Realiza-se em Julho a festa em sua honra.
É uma terra de grande religiosidade, bem patente no grande número de capelas e ermidas que apresenta e na existência de ricas tradições e manifestações de índole religiosa, não podendo deixar de destacar-se, a Capela de Nossa Senhora da Conceição do século XVII, situada na praça da vila, bem como a conhecida Procissão do Senhor dos Passos que se realiza em Abril durante a Semana Santa.
A sul ( e a mais de meia hora de tractor) levanta-se a serra do santo Sampaio e capela que deu origem a rivalidades e (graves) desentendimentos (até inícios da década de 70) com os de Penela que o disputavam. Por isso (antigamente) em dia de procissão (da freguesia à serra), o andor entrava às arrecuas na ermida (de costas voltadas para os de Penela).»
[De documento fotocopiado que possuo.]


Aqui chegados, dizei-me se há necessidade de lenda?
Mas para que não digam coisas, deixo-vos com uma deliciosa que encontrei no sítio da Escola de Várzea de Trevões, freguesia que fica mesmo ali ao lado:

«Era uma vez os mouros que habitavam em Várzea de Trevões e quando eram muito velhinhos pegaram em três panelas, uma contém pês(fogo), outra contém prata e a outra ouro. Enterraram as 3 panelas num poço e cobriram com uma rocha e terra, donde nasceu uma nascente.
Quem nelas mexer terá que encontrar a panela de ouro, pois se encontrar a de prata arrebenta com o poço, se encontrar a de pês(fogo) arrebenta com a Freguesia, daí nunca ninguém lá ter mexido para exploração da água.»


Esperando que tenham gostado do passeio, fica o

Manuel

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