de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Novembro , 2007, 18:24


Teve lugar no passado fim-de-semana, em Madrid, a nona edição anual do Congresso 'Católicos e Vida Pública'. Com mais de 1500 participantes, o evento decorreu num ambiente de tensão crescente entre o Governo socialista e a Igreja católica. No centro das preocupações dos congressistas esteve a procura de um equilíbrio entre a presença pública da Igreja e o reconhecimento do pluralismo da sociedade espanhola.
George Weigel, o biógrafo norte-americano do Papa João Paulo II, apresentou uma das muitas contribuições interessantes para esta reflexão. Apresentando-se como teólogo católico e cidadão de uma das mais antigas democracias do mundo, Weigel perguntou o que pede a Igreja ao Estado. E respondeu basicamente duas coisas: espaço e abertura intelectual. Nada mais, porque a Igreja não tem uma proposta política, e nada menos, porque ela também não abdica do seu ministério independente da palavra, do sacramento e da caridade.
Exigir espaço - social, legal, político, até psicológico - implica reclamar que o Estado seja uma entidade limitada: pelo costume, ou pelo hábito moral e cultural, e pela lei. Esta limitação do Estado é a primeira condição de uma democracia pluralista. Ao recusar a absolutização da política, o princípio do Governo limitado abre espaço a uma interacção livre, vigorosa e civilizada entre várias propostas de ordenação da vida pública, nenhuma das quais é investida de autoridade última. A democracia é impossível quando a política é absolutizada, porque a política de absolutos é necessariamente a política da coerção.
A segunda coisa que a Igreja pede ao Estado, segundo George Weigel, é que mantenha uma atitude de abertura intelectual. Isto significa em termos gerais, que o Estado não pode adoptar uma filosofia particular, muito menos tentar impô-la aos cidadãos (ou aos seus filhos). Em particular, a Igreja reclama do Estado que ele mantenha uma abertura intelectual relativamente a um aspecto específico: a possibilidade de redenção.
Este é um aspecto curioso, que ilustra a interpretação não jacobina de laicidade. Por um lado, a Igreja recusa a teocracia e a existência de religiões oficiais. Por outro lado, a Igreja recusa que o Estado adopte como sua filosofia a hostilidade contra a religião. Por outras palavras, a Igreja reclama do Estado uma posição de abertura que contenha a possibilidade da verdade da religião.
Em termos práticos, isto significa que as duas principais reclamações dos católicos, segundo George Weigel, devem ser a liberdade religiosa e o respeito pelo pluralismo das instituições intermédias. O resto cabe aos católicos conquistar pela persuasão e pelo testemunho.

João Carlos Espada



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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Novembro , 2007, 18:07



Hoje, na cidade, passei pelo Fórum, uma bela sala de visitas de Aveiro. Os sinais da festa que se avizinha aí estão, como desafio à nossa imaginação para a vivermos em plenitude, dentro do possível. O sector comercial, importante na vida, já está a mexer-se, acordando-nos para a realidade natalícia, revivida ano após ano. E que estaremos nós a fazer para, ao nível espiritual e social, não perdermos a ocasião de renascermos para mais um ano?
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Novembro , 2007, 17:51
Continuo com limitações técnicas neste meu espaço da blogosfera. Há problemas, cujas soluções, não dependendo directamente de nós, nos incomodam bastante. Há que aceitar essa realidade. Há pouco tive a confirmação de que só na próxima semana tudo ficará resolvido. Até lá, tenho que ter paciência. Os meus amigos também. De qualquer forma, vou fazendo o que puder.
Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Novembro , 2007, 17:47

Adeus MadreDeus?

1. Tudo tem o seu tempo. Mas há tempos que são marcados por referências culturais de relevo. Foi precisamente há 21 anos que começou este projecto musical MadreDeus que viria a tornar-se emblemático da cultura portuguesa, percorrendo todos os mares da cultura internacional. O primeiro disco Os Dias da MadreDeus (1987), apresentava-se como um enigma musical que respirava dessa nostalgia e do horizonte oceânico do ser português.
2. Por trás deste simples e grandioso projecto está o génio Pedro Ayres de Magalhães, autor-compositor que tem criado maravilhas na música portuguesa do género. Agora, a voz que ele há duas décadas encontrou nos bares de Lisboa libertou-se noutros projectos mais individuais... Essa voz que, mediante as sensibilidades, repetitiva para uns, única para outros (como nós), levou por esse mundo fora, mais que o “nome”, a partilha da identidade portuguesa.
3. Se no estrangeiro o apreço e o mérito cedo foram reconhecidos, no Portugal pessimista da falta de autoconfiança a banda MadreDeus fora inicialmente vista com desconfiança. A sua chegada (regresso) a Portugal espelha também essa realidade tão típica nossa: foi necessário, primeiro, um reconhecimento mundial para depois apreciarmos e valorizarmos o que é nosso. Somos assim, felizmente já somos menos. Uma energia positiva de autoconfiança vai-nos abrindo as portas, dizendo que somos tão capazes como os outros, de que não podemos estar à espera das soluções mas teremos de ser parte delas.
4. Neste projecto musical, que talvez seja muito mais que simples música pois trata-se incomparavelmente da mais internacional banda portuguesa que do oriente ao ocidente recebeu a aclamação, a “hora” é de pergunta sobre o futuro. Estando o grupo a terminar este ano sabático de 2007, a voz da Teresa Salgueiro, por outros projectos pessoais, não tem disponibilidade para tanta solicitação... Para quem aprecia a guitarra do Pedro e a sua voz em conjunto, pena. Sobreviverá a banda MadreDeus, quando, afinal acabou por ser a voz de Teresa a dar a identidade ao projecto? Eis a questão!
5. Mas, acima de tudo, sem nostalgias, o tempo cultural português recente agradece os Dias e os anos de tão embaixador projecto cultural. Haja o que houver, MadreDeus são história viva!

Alexandre Cruz

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Novembro , 2007, 12:28

SALVOS NA ESPERANÇA

Spe salvi (Salvos na esperança) é o título da segunda encíclica de Bento XVI, dedicada ao tema da esperança cristã, num mundo dominado pela descrença e a desconfiança perante as questões relacionadas com o transcendente.
"O homem tem necessidade de Deus, de contrário fica privado de esperança", pode ler-se. O Deus em que os cristãos acreditam apresenta-se como verdadeira esperança para o mundo contemporâneo porque lhe abre uma perspectiva de salvação.
Bento XVI considera que só é possível viver e aceitar o presente se houver "uma esperança fidedigna" e destaca a importância da eternidade, não no mundo actual - "a eliminação da morte ou o seu adiamento quase ilimitado deixaria a terra e a humanidade numa condição impossível", aponta - mas como "um instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade".
"Deus é o fundamento da esperança, não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto", observa.
A carta do Papa, hoje divulgada pelo Vaticano, defende que só Deus é a "verdadeira esperança" e aborda por diversas vezes a questão da "vida eterna", frisando que "ninguém se salva sozinho".
O documento começa por apresentar um enquadramento teológico da esperança cristã, a partir dos textos bíblicos e dos testemunhos das primeiras comunidades eclesiais. O Papa apresenta ainda os ensinamentos de vários Santos da Igreja a respeito do tema da encíclica e escreve que "conhecer Deus" significa "receber esperança".
Depois de negar que Jesus tenha trazido uma mensagem "sociorrevolucionária", Bento XVI aborda a questão da evolução para afirmar que "a vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo há uma vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus se revelou como amor".
O Papa cita, entre outros, Platão, Lutero, Kant, Bacon, Dostoievski, Engels e Marx para falar de esperança e de esperanças, de razão e liberdade, da construção de um mundo sem Deus que pretende responder aos anseios do ser humano. "Nenhuma estruturação positiva do mundo é possível nos lugares onde as almas se brutalizam", declara.
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Fonte: Ecclesia
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