de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 06 Novembro , 2007, 15:58

Foi difícil o nascimento da última ilha de Portugal. Durante mais de um ano o vulcão expelia lamas, fogo e cinzas, a terra tremia, os homens fugiam. E foi nascendo uma pequena ilha. Do medo, fez-se espectáculo, dos rolos de nuvens negras mistério, das areias em permanente tempestade se antecipou a paisagem lunar.
Passados cinquenta anos sobre este fenómeno que abalou a ilha do Faial nos Açores e surpreendeu geólogos e turistas, restam as dúvidas sobre o significado dum cataclismo, as formas estranhas como a terra evolui, as perguntas que geralmente se fazem a Deus sobre a criação, a harmonia, a evolução inteligente da natureza e dos seres.
Cada qual responde com as razões que tem à mão. Muitas delas nada têm de científico. Muitas recusam enquadrar um fenómeno deste género no projecto inteligente de Deus. Ciência, razão e fé, entrecruzam-se nas explicações, ora unindo-se ora digladiando-se. Só a meio da escalada se percebe que não é o amontoado de razões que nos aquieta a alma, mas a razão profunda do nosso ser e a lógica cerrada da nossa fé firmemente ancorada na sabedoria silenciosa de Deus.
No terramoto de Lisboa, Voltaire, como muitos, irritou-se e com Deus. Rousseau, homem insuspeito nestas matérias, lembrou-lhe que não tinha nada que se revoltar contra Deus. Se Lisboa, disse, fosse um conjunto de casinhas bem distribuídas, sem roubar lugar a rios e riachos, com o Tejo respeitado por inteiro, nada de grave teria ocorrido em 1755.
Mas nem filósofos nem geólogos explicam os grandes cataclismos do Norte ou do Sul, as mortes de inocentes, o desaparecimento e destruição de cidades inteiras. Nem sequer os Gulagues, Auschewittz, ou Jardins de S. Cruz. A história, desde os tempos da Arca de Noé, Caim e Abel, está recheada de acontecimentos que só um olhar do alto, de fora do tempo e do espaço imediato pode projectar luz sem ser absurdo. Chamemos simplesmente Fé à chave de todo este imbróglio. Chamemos Deus ao ser de suma sabedoria que, face ao nosso desenquadramento do conjunto, nos tolera perguntas a mais, isto é, sorri das nossas arrogantes questões, os nossos olhos baços, presos ao quadrado sectário, sem altura nem horizonte.
Desprezo pela razão? Pelo contrário, respeito por ela que tem direito a não ser iludida por dimensões parcelares e viciadas que são sempre as nossas. Humilhação para a ciência? Pelo contrário, glória a ela que se sente entrelaçada por fios mais que visíveis.
O povo tem razão. No meio do vulcão das incertezas volta-se para a grande certeza de Deus que vê donde nós não vemos, projecta com sabedoria inalcançável e nos tranquiliza o coração como mais ninguém sabe fazer. Por isso, nos despojos da dor o crente sabe onde pode encontrar refúgio e em que ombro pode chorar de súplica e agradecimento. Feliz quem possui o dom da fé sempre escorado na faculdade superior da razão.

António Rego

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 06 Novembro , 2007, 11:16
D. António com sua mãe, 1990


HOMENAGEM
A D. ANTÓNIO MARCELINO



A PRAXIS, revista científica do ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro), acaba de sair com um número duplo, todo ele dedicado a D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro. Trata-se de uma homenagem oportuna, em jeito de reconhecimento pelo trabalho multifacetado que D. António desenvolveu entre nós, como Bispo Coadjutor e depois Residencial, durante um quarto de século. O que continuará a fazer, agora como Bispo Emérito, ficará para depois.
Esta edição da PRAXIS fará um pouco de história do que foi a acção notável desenvolvida por este cristão apaixonado pela sua missão, enquanto bispo e enquanto homem que nunca virou a cara aos desafios que a sociedade humana e as comunidades cristãs lhe suscitaram. Amigos, colegas do episcopado, sacerdotes, leigos e colaboradores testemunharam e reconheceram os méritos de um homem inquieto e determinado, participativo e voluntarioso, mas também o cristão de fé comprometida e o bispo apostado em alargar o Reino de Deus.
A directora da revista, Maria Armanda Saint-Maurice, lembra, em “… só duas palavras”, que “Os leitores encontrarão ao longo destas páginas referência a muitos aspectos privilegiados da acção eclesial de D. António Marcelino e muitos nomes que a sublinham, tanto de clérigos como de leigos, tanto de figuras nacionais como de figuras de destaque em Aveiro”.
Por sua vez, D. António Francisco dos Santos, actual Bispo de Aveiro, frisa que “Tudo e sempre na vida de D. António Marcelino teve a marca da profecia e a audácia da doação”, sendo visível que “As diversas missões e múltiplas responsabilidades a que a Igreja o chamou permitiram-lhe abrir novos caminhos nas mais variadas frentes do anúncio do Evangelho, da renovação da Igreja e do diálogo com o mundo”.
Algumas ilustrações e fotografias de D. António Marcelino, do tempo do seminário, do padre, do bispo e em família, com dados pessoais, valorizam esta edição da PRAXIS.
Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 06 Novembro , 2007, 10:05


PARÓQUIA EM FESTA

A Gafanha do Carmo celebra hoje, com uma missa solene, às 20.30 horas, e uma exposição, a criação da paróquia, o que aconteceu em 6 de Novembro de 1957. Completa, portanto, meio século de vida. A criação de freguesia teve lugar, porém, três anos depois, em 17 de Setembro de 1960.
No “site” da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos da Gafanha da Encarnação, pode ler-se: “A Gafanha do Carmo é um local aprazível e simpático para viver. As pessoas são acolhedoras, generosas e traduzem o espírito natural e bruto de uma aldeia em desenvolvimento mas que não consegue esquecer os traços do seu passado e as marcas rígidas e pouco instruídas dos seus antepassados históricos. Pode-se afirmar que quase metade da população desta Gafanha está emigrada, como reflexo das carências de trabalho e de vida social que outrora esta povoação sofreu.”

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