de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 10 Setembro , 2007, 14:40

Na Gafanha da Nazaré


AS CALDEIRADAS DO ZEZÉ

Até ao fim do mês, alguns restaurantes da Figueira da Foz vão promover a caldeirada, numa perspectiva turística digna de louvar. É sempre importante divulgar e oferecer aos visitantes o que as terras têm de bom. Ainda não fui provar e saborear, este ano, as caldeiradas da Figueira da Foz e sua região, mas não perderei a oportunidade, se Deus quiser.
Com o anúncio da promoção das caldeiradas típicas desta estância balnear, vieram à minha memória as célebres caldeiradas de enguias do ZEZÉ, na Gafanha da Nazaré. Eram famosas e penso que ainda mantêm a posição das melhores caldeiradas da zona, com as suas características próprias, muito bem aperfeiçoadas pelo senhor ZEZÉ. Homem do povo, um gafanhão de gema, soube, com arte, recriar a caldeirada dos seus antepassados. Fazia-a à vista de toda a gente, com a porta da cozinha aberta. O segredo, como ele me dizia, estava no molho. Ele chamava a esse molho a “moira”.
Na minha juventude, enquanto dirigente do Grupo Desportivo da Gafanha, fui ao seu restaurante inúmeras vezes. Restaurante modesto, mas muito limpo, onde o mais importante era o convívio e a sua caldeirada.
Depois dos jogos de futebol amador, no campo do Forte, as equipas intervenientes nas disputas regionais tinham como único prémio uma caldeirada. Era o possível, mas sempre do agrado dos jogadores e dirigentes. Então, depois dos jogos, para lá íamos todos, para saborear a caldeirada à discrição. Também bem regada, com vinho da pipa.
Muitas vezes assisti à confecção da caldeirada de enguias. Enguias, batatas cortadas às rodelas finas, cebolas, salsa, louro, “pó de enguia” e demais condimentos. Mas o segredo, como disse, estava no molho, feito previamente numa caçarola. Adicionava-se-lhe, depois, água da cozedura.
Posta a caldeirada nas travessas, lá vinha o meu amigo ZEZÉ com “a moira” e com uma colher grande, para regar a caldeirada. Um dia virou-se para mim e segredou-me, com um sorriso enigmático: “Amigo Fernando, o segredo está aqui.” E estava. Pelo País, nunca mais comi caldeiradas como as do meu amigo ZEZÉ.
Há por aí muitas caldeiradas agradáveis, mas como as dele, as que ele temperava com a sua própria mão, no meio da azáfama da sua cozinha, nunca mais. É certo, porém, que os seus herdeiros souberam captar o segredo e a magia de fazer uma boa caldeirada para os tempos de hoje. É o que nos vale!

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 10 Setembro , 2007, 14:29
Na Figueira da Foz, fotografias de Caló
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“CHAPÉUS”
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Todos sabemos que chapéus há muitos. Já o dizia o grande comediante Vasco Santana, num conhecido filme popular.
Pegando, com arte, nessa verdade, que passa despercebida a muita gente, Carlos Jorge Monteiro, conhecido artisticamente por Caló, fotografou inúmeras cabeças com os mais variados chapéus a emoldurarem rostos bem expressivos. Alguns retratados são conhecidos. Outros nem tanto. Mas de todos sobressaem estilos, épocas, situações, gostos.
Ver esta exposição, no CAE (Centro de Artes e Espectáculos), Figueira da Foz, até ao dia 19 de Setembro, é descobrir motivações para estarmos mais atentos ao que nos rodeia. A partir dela, ou simplesmente a partir desta sugestão, podemos começar à procura dos chapéus que muitos de nós usamos. No dia-a-dia ou em dias especiais. Ver como são diversos os gostos. Como há motivos para chapéus diferentes. Como há gente de bom gosto e como há quem opte por chapéus ridículos, ou talvez não. E depois, vamos todos à procura de outros motivos, ligados ao que vestimos ou usamos, para descobrir modas, estilos, vaidades, descontracções, necessidades, gostos e desgostos.

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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 10 Setembro , 2007, 12:13
EDUARDO PRADO COELHO:
O ATEU E O CARDEAL
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Aquestão da morte começa por ser a dos outros, para depois passar a ser a da nossa própria morte", tinha dito recentemente Eduardo Prado Coelho. É isso: um belo dia, a morte chega, parte-se, e o mistério todo é que ninguém deixa endereço.
Sobre Eduardo Prado Coelho já muitos falaram. Aqui, fica apenas uma breve referência aos Diálogos sobre a Fé, troca de cartas públicas com o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, por iniciativa do Diário de Notícias.
O próprio patriarca referiu, no dia da morte, a "elevação" do diálogo e como lhe notou, nalgumas passagens da troca epistolar, "uma quase incomodidade pelo fato que estava a vestir, digamos assim, o fato de ateu ou agnóstico militante".
Seria Eduardo Prado Coelho ateu? O que é que isso quer dizer? Ainda é ateu quem diz que inveja "aqueles que têm a evidência de uma fé"? A ele só lhe foi dado "sentir, ou pensar, ou desejar o excesso de algo que no sensível não é apenas sensível". Isso é a experiência estética. Mas não está essa experiência próxima da experiência religiosa no encontro com o Sagrado?
O patriarca lembrou que "acreditar significa confiar totalmente em Alguém e encontrar nessa confiança fonte de uma firmeza que dá segurança à existência.", abrindo ao sentido último, pois não é possível acreditar em Deus sem acreditar na vida eterna: "Deus é o nossa terra prometida. Ele será, para nós, o paraíso."
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