de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 07 Setembro , 2007, 15:17


Mentalidades doentias e volúveis

Há comportamentos difíceis de compreender. O povo, de quem se diz que tem sempre razão, mostra com frequência quão errada está esta velha máxima. Nem sempre tem razão. E frequentemente mostra quanto é injusto e até inconveniente.
Quando a Madeleine desapareceu da casa de férias em que ficou a dormir, enquanto os pais jantavam num restaurante perto, toda a gente, compreensivelmente, se mostrou solidária com a dor dos pais, manifestando essa solidariedade de forma muito carinhosa. À sua passagem pelas ruas da povoação onde passavam férias, ouviam-se e viam-se palmas, associadas a gestos de apoio. Hoje, quando a mãe da criança se dirigia para a sede da Polícia Judiciária, onde está a prestar declarações, foi apupada. É natural que alguns dos que antes a apoiaram a estejam agora a apupar, condenando-a mesmo antes de qualquer tribunal o fazer.
Sempre se costuma dizer que qualquer pessoa tem de se presumir inocente até provas concludentes em contrário. Que se saiba, os pais da menina desaparecida ou assassinada ainda nem sequer foram acusados de qualquer crime. Mas as pessoas, muitas delas volúveis e de mentalidades doentias, não estão com meias medidas e já “descobriram” quem foram os criminosos.
Isto leva-me a concluir que este mundo é por vezes muito injusto. Quem nos aplaude hoje pode amanhã condenar-nos sem dó nem piedade, mesmo sem razões aparentes ou reais.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 07 Setembro , 2007, 14:29

A GALERIA MALDITA

Caríssima/o:

Logo ali ao lado fica S. João da Madeira e nós aproveitamos para espreitar o fervilhar das fábricas de calçado. Tudo é diferente dos nossos sapateiros que à segunda-feira fazem folga – dizem que vão comprar os materiais de que necessitam durante a semana. O calçado não era muito e a regra era o pé-descalço... Como seria a vida desses trabalhadores à espera de calçado para remendar... e depois à espera da paga semanas e semanas a eito.
Será que ainda alguém se lembra do nome de algum desses heróis e de alguma façanha ouvida nas sua pequena oficina?
Acompanhemos as nossas crianças que vão ali adiante e, entretanto, ouçamos esta com os devidos cuidados:

«Discretamente, João da Silva Correia realizou a sua obra literária em S. João da Madeira. O seu romance Unhas Negras é enquadrável na corrente neo-realista. Eis uma lenda sanjoanense que ele fixou em 1942:
“A muitas braças de fundo, por légua farta de comprido, da Torre de Santo Estêvão ao Castelo da Feira, estende-se uma galeria subterrânea de sólida arcadura, que ao lado do castelo desemboca na cisterna de mais de dez pisos, e do lado da torre vem desembocar num poço aberto abaixo do pavimento, a todo o redondo do edifício, ignorada sob grandes lajes que a terra agora sobrepõe, e a cuja abertura, descoberta e descensão nunca cristão se aventurou, tão certo como o mundo ser mundo ficar lá o alvissareiro, verdade como é estar a galeria pejada de moiros encantados, presos ao antro escuso por artes de Satanás.
Andava acesa a luta entre a gente lusa e os filhos do Islão. Por coutos e morgadios, arregimentava a cristandade apavorada pronta a jogar a sua sorte, frente à cimitarra sarracena. Os infiéis infestavam campos e serra, e ai de pastor que se arriscasse mais de meia légua fora dos muros. Nem mais notícias do triste nem do seu rebanho. De manhã à noite, a horda selvagem arrecadava o sementio e incendiava o casal. E se se aceitava combate, como praga de gafanhotos, a moirama formava diabólicos esquadrões que tudo devastavam – pessoas e bens.
Por toda a Lusitânia a hoste sarracena firmava sua lenda de terror; e em capelas monásticas e humildes presbitérios, entronizava-se, entre luzes sem conta, o Senhor Sacramentado, para que aos pés da Benta Custódia, pudessem ajoelhar-se quantos, desde o pegureiro ao senhor de linhagem, acudiam em massa a abrigar-se à sombra da Cruz.
Terras de Santa Maria em fora, também os infiéis faziam suas corridas devastadoras, mas aqui, tão depressa estavam a arremessar das ameias do castelo, como a arremeter em campo raso, a sul, saídos da galeria maldita, em Santo Estêvão, mais numerosos e lestos do que formigas de formigueiro.
O castelo subsiste, a Torre de Santo Estêvão subsiste também; só a galeria jaz entaipada de ambos os lados por lajes que mãos misteriosas colocaram. Mas ainda hoje, desde termos de Escarigo a confins da Venda Nova, santas velhinhas de cabelos da cor do linho, porfiam à lareira, diante de netos estarrecidos, que, muitas vezes, em noites selvagens de negridão e temporal desabrido, ao bater das doze badaladas da meia-noite no campanário da Arrifana – quantas almas penadas gemem nos pinhais e cães aterrados uivam pelos guinchosos – e se vê lá longe, à roda da Torre de Santo Estêvão, farândola de luzes errantes em número incomensurável que vai aumentando... aumentando... até escorrer em caudal para o vale, para as bandas de Mosteirô.
São almas penadas de infiéis punidos sem remissão por Deus Nosso Senhor, que ao mundo assomam, deste modo, em badanal de maldição, condenadas ao antro maldito da galeria escusa, cavada a muitas braças de fundo, entre o Castelo da Feira e a Torre de Santo Estêvão.»[V. M., 240]


Manuel
:
NOTA: Por motivo de ausência, durante uns dias, aqui fica já esta rubrica do meu colaborador e amigo Manuel, não vá dar-se o caso de não conseguir Net no domingo.

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 07 Setembro , 2007, 13:03

FESTAS EM HONRA
DE NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES

Como manda a tradição, vai realizar-se, no Forte da Barra, no dia 16 de Setembro, a festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, uma iniciativa do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.
No sábado, 15, no Stella Maris, será celebrada a missa vespertina, pelas 21 horas, sob a presidência do Bispo de Aveiro, D. António Francisco.
O programa da festa inclui, para domingo, a procissão pela Ria, com saída do Stella Maris, pelas 14 horas, estando prevista a chegada, ao Forte da Barra, pelas 16.30 horas, seguindo-se a celebração da eucaristia. Depois, actuará a Filarmónica Gafanhense, começando logo a seguir, pelas 18.30 horas, o Festival de Folclore.
Neste Festival, actuarão o Grupo Folclórico e Recreativo de Tabuado, Guimarães; Rancho Folclórico Camponeses da Beira-Ria, Murtosa; Rancho Folclórico da Ribeira, Ovar; e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.
A organização convida, em especial para a procissão pela Ria, todos os que possuem embarcações de pesca, recreio e turismo, entre outras.

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