de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 12:30

ADORAÇÃO

Vi o teu rosto lindo,
Esse rosto sem par;
Contemplei-o de longe mudo e quedo,
Como quem volta de áspero degredo
E vê ao ar subindo
O fumo do seu lar!

Vi esse olhar tocante,
De um fluido sem igual;
Suave como lâmpada sagrada,
Benvindo como a luz da madrugada
Que rompe ao navegante
Depois do temporal!

Vi esse corpo de ave,
Que parece que vai
Levado como o Sol ou como a Lua
Sem encontrar beleza igual à sua;
Majestoso e suave,
Que surpreende e atrai!

Atrai e não me atrevo
A contemplá-lo bem;
Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
Uma luz que me prende e que me encanta
Naquele santo enlevo
De um filho em sua mãe!

Tremo apenas pressinto
A tua aparição,
E se me aproximasse mais, bastava
Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
Não é amor que eu sinto,
É uma adoração!

Que as asas providentes
De anjo tutelar
Te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura
De ver que me consentes
Olhar de longe... olhar!

João de Deus
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 12:18
"A cultura é uma das formas de libertação do homem. Por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como antipoder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo."
Sophia de Mello Breyner Andresen,
in 'Assembleia Constituinte, Agosto de 1975'
:

Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 11:25
BISPO DE AVEIRO
ANIMA PASTORAL
DE FÉRIAS



Mantendo a tradição iniciada pelo seu antecessor, D. António Marcelino, o Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, está já a levar à prática a pastoral de férias, no Verão, com encontros e celebrações nas zonas de veraneio da área da Diocese de Aveiro.
Como temas fundamentais da pastoral de férias, para este ano, D. António Francisco pretende exalta os valores do espírito, que dão sentido e esperança à vida. Assim, o Bispo de Aveiro vai apostar em sublinhar o valor, a beleza e a riqueza da vida na sua plenitude, mas também a importância da família, como santuário de vida e garantia do amor.
Por outro lado, quer lembrar a importância da vocação, como desafio que abre caminhos ao ideal do ser humano e à sua capacidade de opção na fidelidade a Deus. Ainda deseja estimular a vivência da solidariedade, como valor intrínseco do cristianismo, que não pode parar, enquanto houver alguém em pobreza, em sofrimento ou em solidão.
:
Vagueira
5 de Agosto
Eucaristia na Igreja da Senhora da Boa Hora, 9h
6 de Agosto
Encontro/reflexão, 21h30

Torreira
11 de Agosto
Eucaristia na igreja paroquial, 19h
12 de Agosto
Eucaristia na igreja paroquial, 8h e 11h
13 de Agosto
Encontro/reflexão, 21h30

Fermentelos
14 de Agosto
Eucaristia na Festa da Nossa Senhora da Saúde, 21h

Cúria
15 de Agosto
Encontro nas Termas

Albergaria-a-Velha
19 de Agosto
Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora do Socorro, 11h

Barra e Costa Nova
25 de Agosto
Eucaristia na Igreja da Barra, 19h
Eucaristia na Igreja da Costa Nova, 21h30
26 de Agosto
Eucaristia na Igreja da Costa Nova, 9h30
Eucaristia na Igreja da Barra, 11h
27 de Agosto
Encontro/reflexão na Costa Nova

Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 10:50

FESTAS PARA TODOS OS GOSTOS
NO MÊS DE AGOSTO
:

A Câmara de Ílhavo oferece, todos os anos, em especial no mês de Agosto, festas para todos os gostos e para todas as idades. As componentes culturais, artísticas e recreativas estão em destaque. Claro que todas estas ofertas não são apenas para as gentes ilhavenses, ílhavos e gafanhões, mas também para quantos nesta altura nos visitam e gostam de usufruir das nossas praias, Barra e Costa Nova, sem dúvida as mais afamadas da região.
Permitam-me que destaque uma iniciativa, já famosa. Trata-se das Tasquinhas de Ílhavo, entre 22 e 26 de Agosto, que oferecem, fundamentalmente, os mais variados acepipes feitos à base de bacalhau. A não perder, sobretudo pelos amantes da gastronomia regional.
Para ficar a conhecer outras propostas das Festas do Município, consulte o PROGRAMA.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 10:40

A RELIGIÃO
AINDA TEM FUTURO?


A resposta à pergunta exigiria, em primeiro lugar, o esclarecimento do que se entende por religião, pelo menos negativamente. De facto, se religião tem a ver com a ligação ao Sagrado, ao Infinito, à Verdade, ao Bem, à Beleza, é necessário expurgá-la do que ela não pode ser: superstição, esoterismo, magia. Tem de ser o espaço da dignificação, aprofundamento e expansão do Humanum, contra toda a menorização.
A Encyclopedia Britannica apresentou em 2006 a distribuição e percentagem das "religiões universais". Cristãos: 2 133 806 000 (33,1%), sendo os católicos 1 118 991 000 (17,3%), os protestantes 375 815 000 (5,8%), os ortodoxos 219 501 000 (3,4%), os anglicanos 79 718 000 (1,2%), outros cristãos 459 321 000 (7,1%), cristãos sem filiação 113 622 000 (1,8%). Muçulmanos: 1 308 941 000 (20,3%). Hindus: 860 133 000 (13,3%). Budistas: 378 808 000 (5,9%).
Aparecem também os outros grupos. Não religiosos: 769 379 000 (11,9%). Religiões populares chinesas: 404 921 900 (6,3%). Religiões étnicas: 256 332 000 (4,0%). Ateus: 151 612 000 (2,3%). Novas religiões: 108 131 200 (1,7%).
Embora as estatísticas no domínio religioso tenham de ser vistas com os seus limites próprios - basta pensar em quantos se afirmam cristãos, mas não praticantes -, estes números são pelo menos indicativos, concluindo-se que, se a população do planeta estava calculada em meados de 2005 em 6 453 628 000, só cristãos, muçulmanos, hindus e budistas totalizavam praticamente 73%.
Mas o que é a religião? O que deve entender-se por pessoa religiosa? Qual é a religião autêntica? No Novo Testamento, na Carta de São Tiago, escreve-se que faz bem quem crê que há um só Deus, mas acrescenta-se que "também os demónios crêem e tremem": "a religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo." O Evangelho diz que, na revelação final da História, o que conta é ter dado de comer ao faminto, de beber ao que tem sede, ter visitado o doente e o preso - ter sido solidário com o outro ser humano na sua necessidade.
Toda a religião tem a ver com a ética e também com a estética. Hegel viu bem quando afirmou que a arte, a religião e a filosofia estão referidas ao Absoluto. A pergunta é, como escreve o filósofo José Gómez Caffarena, se a ética, a estética e a filosofia acabarão por absorver a religião, como já insinuava Goethe: "quem tem arte (e moral e filosofia) tem religião; quem a não tem que tenha religião."Segundo Lucrécio, "o medo criou os deuses". Desde então, isso tem sido repetido, acrescentando a ignorância e a impotência, de tal modo que, com o avanço da ciência e da técnica, a religião acabaria por ser superada e desaparecer.
Será, porém, verdade que na génese da religião estão o medo, a ignorância e a impotência? Ninguém poderá negá-lo. A questão é saber se esses são os únicos factores e de que modo actuam. De facto, não é a limitação enquanto tal que está na base da religião, mas a consciência da limitação.
Na consciência da finitude, que tem a sua máxima expressão na consciência da mortalidade, o Homem transcende o limite e articula um mundo simbólico de esperança de sentido último e salvação. Como disse Hegel, a verdade do finito encontra-se no Infinito, e Kant viu bem, ao referir a religião à esperança de um sentido final, que nem o Homem nem a Natureza podem oferecer - só a Deus, Amor originário, pertence dá-lo.
É possível que a ciência e a técnica obscureçam a força do apelo religioso e de Deus. Mas, permanecendo a finitude e a sua consciência, há-de erguer-se sempre a pergunta pelo Sentido último. Como disse Ciorán, "tudo se pode sufocar no Homem, salvo a necessidade do Absoluto, que sobreviverá à destruição dos templos e mesmo ao desaparecimento da religião". Subsistirá, portanto, o Mistério. Mas, não se tratando de uma questão simplesmente teórica, pois implica o Homem todo, a resposta religiosa dependerá, em última instância, das experiências e da decisão de cada um.

Editado por Fernando Martins | Domingo, 05 Agosto , 2007, 10:33

OS QUATRO IRMÃOS


Caríssimo/a:


Depois da Segunda Guerra Mundial não havia dinheiro. Lembro-me que pelo bilhete de identidade fui a primeira vez a Ílhavo e, a segunda, para fazer o exame da quarta classe; Aveiro só a visitei quando fiz o exame de admissão ao Liceu. Então, já no primeiro ano, a Professora de Português marcou uma redacção sobre “os comboios”, levantei-me e confessei que nunca tinha visto nenhum! Era assim naqueles tempos.
Os passeios escolares iniciaram-se anos mais tarde, já a década de 50 do século XX ia adiantada e em modalidade familiar: orçamento magro, quando se podia e o trabalho o permitia, os pais ou os avós acompanhavam o escolar.
A Guimarães foi o primeiro na condição de professor – quantas vezes lá iria depois! A passagem pelo Porto era obrigatória, tanto na ida como no regresso- havia só a ponte D. Luís. À tardinha parámos na Praça Marquês do Pombal - bom arvoredo, urinóis, igreja e adro, cafés e tascas. À hora da abalada, a minha camioneta partiu mas a do Professor Salviano ficou à espera de um marido que se perdeu [no dizer da esposa] porque “o senhor Professor não tomou conta do meu home!”.
E hoje a lenda não nos leva ao Castelo, mas bem perto da porta da traição:

«Claro, muitos conhecem Guimarães, mas poucos saberão onde fica a freguesia de Sande, muitos menos terão visto os quatro penedos que correspondem a outras tantas sepulturas e relacionam isso com o nome do lugar, Quatro Irmãos. Quatro irmãos unidos por uma forte amizade, tratando das terras que os pais lhes haviam deixado em Sande. Onde estava um estavam todos, cada qual exímio no jogo do pau. Era uma força comum que os movia.
Pois certa vez, o mais velho disse aos demais que tinha o carro aparelhado, que o mais novo agenciasse urna boa merenda e os outros dois que tratassem das mantas. Iam a uma romaria e decerto chegariam bem tarde. E à hora aprazada, Iá se meteram a caminho e quando chegaram, boas pessoas como eram, foram saudados com gritos de alegria e convites para os comes e os bebes. Porém, aconteceu algo que nunca se passara. Ficaram separados. Melhor, o mais novo, às tantas viu-se isolado dos manos. E preparava-se para furar a multidão em busca deles quando ficou de caras para uma jovem lindíssima, que lhe sorria. Pouco habituado a tais encontros, mesmo assim, ele não deixou de lhe sorrir e não tardou que ambos conversassem animadamente, a ponto de se apaixonarem. O moço estava entusiasmadíssimo e falava muito dos irmãos, pelo que foi ela a recomendar-lhe que se não precipitasse e fosse buscá-los para se conhecerem. E ele assim fez, pedindo -lhe que ela se não afastasse dali, pois não tardaria a regressar.
E o irmão mais novo lá conseguiu atravessar aquela gente toda a divertir-se e finalmente, deu com os irmãos, que estavam, preocupados. Sem dizer mais nada. anunciou que se ia casar. Disse que com uma rapariga lindíssima, mas os manos não o levaram a sério. No entanto, cada vez mais curiosos pela maneira como ele descrevia a moça, os manos quiseram conhecê-Ia, outorgando-se o mais velho o poder de poder optar ele próprio. E, em nome dos manos, foi procurar a jovem. Porém demorou a fazê-lo. Mas lá se encontrou com a rapariga.
Brincando com o fogo, ela disse-lhe que ele demorara tanto que já os outro, manos haviam estado com ela e todos ficaram apaixonados. Ora ela gostava também de todos quatro pelo que tinha decidido casar apenas com o mais forte, com o mais valente. E a melhor maneira de se saber qual, era uma luta entre eles. E pela primeira vez na vida dos quatro irmãos, houve rancor e ódio entre eles, pela posse daquela rapariga de artes diabólicas. Lutaram, tendo primeiro caído o mais velho, depois os outros dois conheceram o sabor do pó do chão da feira. O mais novo estava tão mal que nem sequer se poderia dizer que era sobrevivente da luta em que os lódãos tinham partido cabeças e ossos aos mais amigos e unidos irmãos de todo o Minho!
Expirou o mais novo nos braços do prior da freguesia, que não teve dúvidas em ver naquilo uma artimanha dos demónios para apanharem aquelas quatro boas almas. E fez erguer urna capelinha em memória deles, que eram seus amigos, e sobre cada sepultura apareceu um penedo. Vão lá ver o que resta ...» [V. M., 114]

Boas férias

Manuel

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