de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Agosto , 2007, 16:10

 

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ACREDITAS?

Conversas sobre Deus e a religião


“ACREDITAS? – Conversas sobre Deus e a religião” foi um dos meus livros de férias. Trata-se de um livro de 133 páginas que se lê de um fôlego, com gosto e proveito. O gosto vem do tema e da leitura da opinião de famosas personagens do mundo das artes e da cultura sobre Deus e sobre a religião. Crentes de várias religiões e de ateus ou agnósticos, em conversa aberta com o autor, assumidamente católico, apostólico, romano. O proveito veio de alguns testemunhos que são, normalmente, um estímulo para as minhas próprias vivências espirituais.
Através de entrevistas, as ideias de Paul Auster, Saul Bellow, Michael Cunningham, Nathan Englander, Jane Fonda, Richard Ford, Paula Fox, Jonathan Franzen, Spike Lee, Daniel Libeskind, David Lynch, Toni Morrison, Grace Paley, Salman Rushdie, Arthur Ashlesinger Jr., Martin Scorsese, Dereck Waltcott e Eli Wiesel mostram que, mesmo os não crentes, assumem que a espiritualidade faz parte do ser humano.
O autor, António Monda, é docente de Realização Cinematográfica na Universidade de Nova Iorque e colaborador da secção de cultura do jornal italiano La Repubblica, bem como crítico cinematográfico de La Rivista dei Libri. Diz ele que a sua obra “é um livro inteiramente construído com base numa provocação simples, mas fundamental: pedi aos meus interlocutores que me dissessem, com toda a honestidade, se acreditam que Deus existe e qual é, consequentemente, a sua opção de vida.”
Gostei de ler as respostas dos entrevistados, alguns dos quais fazem parte do nosso imaginário do mundo do cinema, e não só. O que pensam, como vêem e sentem Deus, como O vivem nas artes que cultivam. O autor perguntava, com frequência, em que filmes, de muitos realizadores conhecidos, estava Deus. E foi curioso ficar a conhecer mensagens nem sempre detectadas ou sentidas na altura nos filmes que vi.
Li e reli algumas entrevistas e delas registei frases, conceitos, vivências, culturas e projectos espirituais que, de uma forma ou de outra, me enriqueceram sobremaneira.
Ainda captei, com facilidade, as imagens de Deus, ou da sua ausência, das personagens que se dispuseram a dialogar com António Monda, ligando, quantas vezes, a arte à espiritualidade ou vice-versa, tal como a presença do sentido do divino em ateus e nas expressões artísticas que cultivam.
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Aqui ficam algumas frases:

“Não, não acredito. Mas isso não quer dizer que não considere a religião um elemento culturalmente fundamental da existência”


Paul Auster


“Não creio que se resolva tudo apenas com a destruição dos corpos […] tudo o que tem sido dito pela ciência é insuficiente e insatisfatório”


Saul Bellow

“Descobri a grandeza do universo cristão muito recentemente e fiquei surpreendida com a dimensão da ignorância que há a respeito dele”


Jane Fonda

“Cada um de nós tem dentro de si o potencial para a revelação, e para intuir a presença divina”

David Lynch

[Na religião], “gosto da exaltação do perdão, da humildade e da compreensão perante a fragilidade humana”


Paula Fox

“O catolicismo assumiu uma importância extraordinária em toda a minha vida, e diria que o meu cinema se tornaria inconcebível sem a presença da religião”


Martin Scorsese


“Sinto que vivo num mundo que é visto em primeiro lugar pelo intelecto. Mas penso que, na pureza da juventude, é mais fácil entrever, e portanto intuir, a presença da alma”

Derek Walcott



“Quem quer que tenha escrito a Bíblia é Deus”

Nathan Englander

“Acredito que existe algo eterno e tenho um grande respeito por qualquer experiência mística. É uma parte essencial da minha vida”

Jonathan Frezen

NOTA:
Outras ideias, outras frases, outros conceitos, outras visões do mundo, de Deus, do mistério, do espiritual e do sagrado podem ser lidos e meditados neste livro de António Monda.
 
Fernando Martins

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