de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Junho , 2007, 14:29


BENTO XVI
DEFENDE DIÁLOGO
COM AS
AUTORIDADES CHINESAS




Bento XVI, com sentido sobrenatural e com uma linguagem eminentemente pastoral, se dirige a toda a Igreja que está na China. A sua intenção não é a de criar situações de atrito com pessoas e com grupos particulares: ele, mesmo pondo em evidência certas situações críticas, o faz com muita compreensão devido aos aspectos contingentes e pelas pessoas envolvidas, apesar de recordar com extrema clareza os princípios teológicos. O Papa deseja convidar a Igreja a uma mais profunda fidelidade a Jesus Cristo, lembrando a todos os católicos chineses a missão de ser evangelizadores no actual contexto concreto do seu País.
O Santo Padre observa com respeito e com profunda simpatia a história antiga e recente do grande Povo chinês e renova, uma vez mais, a disponibilidade para dialogar com as autoridades chinesas, ciente de que a normalização da vida da Igreja na China pressupõe um diálogo franco, aberto e construtivo com as Autoridades.
Bento XVI, assim como o seu Predecessor, João Paulo II, está também firmemente convencido de que tal normalização oferecerá uma inigualável contribuição para a paz no mundo, criando assim um marco insubstituível no grande mosaico da convivência pacífica entre os povos.
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Junho , 2007, 12:03

HÁ QUEM CULTIVE
O PRAZER DA MALEDICÊNCIA


Nas democracias, sobretudo nas mais maduras, é normal haver respeito pela liberdade de cada um, liberdade essa que não invade a liberdade dos outros. Também é óbvio que o direito de opinião deve ser respeitado. Acontece, porém, que muita gente pensa que, por respeito a esses direitos, cada um pode dizer e fazer o que quer e o que lhe apetece, mesmo com ofensas gratuitas e brincadeiras de mau gosto.
Tenho dificuldade em aceitar e em viver num clima desses. Criticar o que está mal, apontar erros e avançar com propostas para uma vivência democrática mais sã e mais justa está muito certo. Mas será que isso implica a ofensa, a calúnia, a mentira, o boato e a pura má-língua?
Portugal vive, de há meses a esta parte, um clima impensável para uma democracia decente e respeitadora dos mais elementares direitos dos cidadãos. Por tudo e por nada, correm na Internet as mais aberrantes calúnias e as anedotas mais estúpidas e ofensivas das pessoas. Quando as pressinto, atiro-as logo para o lixo. Mas sei que há muita gente que adora difundi-las, só pelo prazer de cultivar a maledicência. Paralelamente, há mensagem lindíssimas e informações oportunas, que dá gosto ler e meditar.
Agora as brincadeiras de mau gosto têm vindo ao de cima, envolvendo membros do Governo. Processos judiciais e demissões estão na moda. Não sei se será mais grave isso ou permitir que esse ambiente continue, criando instabilidade nos departamentos estatais. Nas empresas privadas não há tempo, decerto, para atitudes semelhantes, que eu saiba.
Gente a acusar-se mutuamente de forma torpe, não estará correcto. Pactuar com ela, também não. Cá para mim, tudo isto só é possível por haver quem, em vez de trabalhar, passa a vida com mexericos, alimentando ataques pessoais e guerras partidárias.
Quando os políticos da UE se instalarem por cá e quando começarem a olhar para este clima de brincadeira pegada, com que ideia ficarão dos portugueses?

Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Junho , 2007, 05:44
A PACIÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO
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Sou do tempo das missas em latim, com o celebrante de costas para a assembleia. Isto aconteceu na Igreja Católica durante séculos, por razões que não importa agora recordar. Imagino que o Espírito Santo teve, durante esse tempo todo, uma paciência incrível para segurar o povo dentro das igrejas, à espera que os celebrantes acabassem de ler e dizer uma frases em latim, que quase ninguém entendia. Entretanto, as pessoas iam tendo a percepção de que era importante orar e, pelo sim pelo não, lá iam rezando o terço até à bênção final. Quando eu era garoto, nem homilias havia com regularidade na Gafanha da Nazaré.
Depois do concílio Vaticano II, convenci-me de que as eucaristias, nas Línguas das gentes com quem e para quem eram celebradas, jamais deixariam que desenterrassem o latim para as liturgias comunitárias e dirigidas ao povo. Pelo que sei, ainda há católicos saudosistas desses tempos. Há tempos alguém falava-me da importância do mistério que representava a missa em latim.
O Santo Padre, que agora aprovou a possibilidade de serem celebradas missas segundo o rito anterior ao Vaticano II, possivelmente até em latim, estará a admiti-las, certamente, para casos especiais ou para grupos restritos ou, provavelmente, para celebrações com participantes de várias nações. O pior, a meu ver, será se a moda pega e se, por tudo e por nada, alguns sacerdotes se convencem de que as missas em latim são mais bonitas e mais misteriosas, e também, por isso, com mais capacidade para aproximar as pessoas de Deus e dos irmãos. Cá para mim, espero que a moda não pegue. Já imaginaram estarmos a participar numa eucaristia, sem percebermos nada do que o celebrante está a dizer?

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Junho , 2007, 05:38


Missas no Rito antigo
estão de volta


A Santa Sé anunciou oficialmente que Bento XVI aprovou a utilização univer-sal do Missal promulgado pelo Beato João XXIII em 1962, com o Rito de São Pio V, utilizado na Igreja durante séculos.
Segundo o comunicado divulgado esta manhã, representantes de várias conferências episcopais estiveram reunidos no Vaticano com o Papa, durante uma hora, para falarem do "Motu proprio" de Bento XVI sobre esta questão. A reunião foi presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano.
O Rito de São Pio V, que a Igreja Católica usava até 1962 e que foi substituído pela liturgia do "Novus Ordo" (Novo Ordinário) aprovada como resultado da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, é assim aprovado para uso universal. O Papa estende a toda a Igreja de Rito Latino a possibilidade de celebrar a Missa e os Sacramentos segundo livros litúrgicos promulgados antes do Concílio.
A publicação do documento de Bento XVI, que será acompanhado por uma "longa carta pessoal do Santo Padre a cada Bispo", está prevista para os próximos dias.
Esta aprovação universal significaria que a Missa do antigo Rito poderá ser celebrada livremente em todo mundo, pelos sacerdotes que assim o desejarem, sem necessidade de autorização hierárquica de um Bispo.
Os livros litúrgicos redigidos e promulgados após o Concílio continuarão, contudo, a constituir a forma ordinária e habitual do Rito Romano.
O Rito resultante da reforma litúrgica conciliar instituía uma nova forma de celebrar a missa que revogava, não o uso do Latim, mas o uso do anterior Rito de S. Pio V. O "Novus Ordo" tem também uma versão em Latim.

Fonte: Ecclesia
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Junho , 2007, 14:45

"O riso é a mais útil forma da crítica porque é a mais acessível à multidão"


Eça de Queirós,
in PÚBLICO de hoje
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NOTA: Esta simples citação do grande Eça trouxe-me à memória um livrinho que li há muitos anos sobre o romancista de "A cidade e as serras", o primeiro romance que dele li. Chama-se o livrinho "O espírito e a graça de Eça de Queiroz", preparado por Luiz de Oliveira Guimarães, com prefácio de Fradique Mendes, como se lê logo na capa. Edição da Romano Torres, com data de 1945.
Li-o com prazer e recordei-o hoje, por artes nem sei de quê.
Deste livro transcrevo:

"Portugal é um país que todos dizem que é rico, povoado por gente que todos sabem que é pobre"
:
"Um dia, em Paris, quiseram que Eça de Queiroz subisse em balão. Recusou.
- Eu não sou político, meus amigos!
E, depois dum silêncio, esclareceu:
- Só os políticos é que conhecem a complicada arte de se equilibrarem nos ares!"
:
"Atenas produziu a escultura, Roma fez o direito, Paris inventou a revolução, a Alemanha achou o misticismo. Lisboa que criou? O Fado"
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 29 Junho , 2007, 11:27






UM ESPAÇO MUSEOLÓGICO
QUE MERECE SER VISITADO

No sábado, 23 de Junho, foi inaugurado o Museu Paroquial da Gafanha da Nazaré, em cerimónia simples que contou com a presença de D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, servindo de cicerone o Prior da freguesia, Padre José Sardo Fidalgo.
Penso que toda a gente compreenderá a importância de um espaço museológico como este, onde se preservam peças que fazem parte integrante da história da comunidade católica da Gafanha da Nazaré.
Para além de paramentos da igreja primitiva, que foi inaugurada em 1912, os visitantes podem apreciar outras peças de muito valor, simbólico e não só, como castiçais, jarras decorativas, cálices e turíbulos, píxides e custódias, navetas e missais. Há imagens dos primeiros tempos da igreja, um livro de actas da Irmandade de Nossa Senhora da Nazaré, dos princípios do século XX, uma bandeira da mesma irmandade, com data de 1941, e muitos outros motivos para uma visita atenta.
As paredes do Museu estão bem decoradas com painéis do artista Manuel Correia, alusivos à parábola do Filho Pródigo. Um trabalho muito expressivo e de rara sensibilidade, que merece ser olhado com olhos de ver.
A comunidade católica da Gafanha da Nazaré está de parabéns. O que é preciso, agora, é que todos visitem este Museu Paroquial, enriquecendo-o, se puderem, com peças que tenham pertencido à paróquia, uma vez que, segundo lá se recorda, em legenda bem visível, há património da freguesia que anda perdido e que ainda não foi possível recuperar.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Junho , 2007, 23:49
DO LIVRO SEGUNDO DA NOITE ESCURA,
DE SÃO JOÃO DA CRUZ 5


Entendo agora a nudez do pobre
E posso tocar-lhe como quem toca a alma às escuras
Mesmo sem a tremenda noite com que lhe toca a mão divina

O terceiro modo da paixão são os extremos. Agora entendo
Os dedos dos cegos
Agora entendo o ovo e o mártir quando é cercado para morrer
Entendo o ventre do bicho marinho, o fundo dos golfos
E já sei como abrem os ressuscitados os olhos no sepulcro

Sei o que é ser vomitado nas praias
O que é voltar a terra firme – ao dia mais do que à luz

Sei o que é o ouro no fogo e no inferno
Sei o que é renascer pelas águas



In “Dos Líquidos”
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Junho , 2007, 21:02
EQUÍVOCOS,
CONTRADIÇÕES
E INJUSTIÇAS

A lei do aborto e agora a sua regulamentação constituem, para já, um molho de equívocos e de contradições e mesmo de injustiças que já não deixam ninguém surpreendido. Estejamos atentos e veremos como se vão multiplicar as surpresas. Tudo já existia nos que lutaram pelo sim e se vangloriaram com a vitória alcançada. Alguns, neste momento, estão com o lume na mão sem saber como dar saída aos problemas surgidos. Soluções dignificantes, no caso, não parece serem possíveis. Só gente menos esclarecida, com visão unidimensional e teimosa em reduzir o mundo ao rectângulo estreito da sua janela, incapaz, por isso mesmo, de ver a realidade e o horizonte infindo da vida humana e dos seus direitos, da dignidade pessoal e da sua legítima defesa, podia ter levado o país para este beco. Hospitais, médicos, enfermeiros reagem à matança dos inocentes. Era de esperar. Quem nisto vê ocasião para ganhar dinheiro, virá à praça.
É a democracia, com suas fragilidades, regida por pragmatismos e apoiada em maiorias, que se esquece que servir o conjunto nacional não é o mesmo que responder a problemas individuais ou a pequenos grupos de cidadãos. Para estes, bem consideradas as suas razões, deve haver outro tipo de soluções, que não podem subverter o conjunto nacional, nem esquecer valores fundamentais a respeitar, promover e defender.
O que aconteceu e agora está a acontecer de modo ampliado é dizer ao país que as mulheres que desejam e querem abortar passam à frente de tudo e de todos, nos direitos legais da segurança social e da saúde e nas soluções rápidas e gratuitas para o seu problema. Dispõem mesmo de privilégios e atenções que se negam às mulheres deste país que querem ter filhos, tantas vezes vitimas de restrições no mundo do trabalho e com dificuldade de encontrar emprego por tal motivo e a muitos cidadãos que esperam meses, senão mesmo anos, por cuidados médicos necessários, que surgem, não raramente, quando já não precisos, porque o doente morreu. O aborto parece ser a grande prioridade do Ministério da Saúde e dos políticos que mandam no país.
Há porém flagrantes contradições. Um delas é que às mulheres, que a nova lei fez heroínas, se lhes nega agora o mais elementar direito de informação, que é permitir que vejam a ecografia do filho que trazem no seio, afim de clarificarem, até ao último momento, a sua decisão. Aos poderes governamentais parece interessar mais que elas não desistam, para que as estatísticas possam justificar uma lei, que já foi classificada de iníqua, dado que o seu único objectivo é matar um ser humano já gerado. Aqui se mostra a incapacidade política de se investir na procura de soluções eficazes e dignificantes, em que o maior de todos os valores humanos, a vida, não esteja à mercê de poderes públicos inquinados, de vontades que querem prazer sem responsabilidade, de interesses partidários, e, muito menos, de necessidades sociais sem resposta e de informação séria que nunca chegou. Coisas de que são vítimas mulheres mães que nesta sociedade julgam não encontrar outra saída para a sua gravidez senão abortar.
Ficou bem claro, e os dados são públicos, podendo por isso verificar-se, que, praticamente, quase só a Igreja tem instituições em acção e iniciativas em curso, que visam uma protecção realista à procriação, às mães solteiras, às esposas espancadas, às grávidas tentadas a abortar. A todas se estende, a tempo, a mão amiga que lhes dá a felicidade impar de acolher, com alegria, o filho gerado que já julgavam nunca poder ver. Não vi nem conheço iniciativas deste teor de grupos e partidos que lutaram pelo “sim” e agora controlam a regulamentação da lei. Quando se pretende fazer crer que o aborto é a libertação da mulher e não o admitir nem favorecer, é farisaísmo e atitude anti democrática, está tudo dito.
A protecção ao aborto, que é o que está acontecer, não tem qualquer sentido num país em que a natalidade desce vertiginosamente e o deserto demográfico alastra. Loucamente, parece ser isto o que alguns pretendem.
António Marcelino
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 28 Junho , 2007, 15:21

Conselho de Ministros
designa Mário Soares
para presidir à Comissão
de Liberdade Religiosa



O Conselho de Ministros designou o antigo Presidente da República Mário Soares para presidir à Comissão de Liberdade Religiosa, substituindo neste cargo o social-democrata Menéres Pimentel.
O ministro da Justiça, Alberto Costa, saudou o trabalho desempenhado pelo presidente cessante, Menéres Pimentel, como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa desde 2004, e sublinhou que Mário Soares é uma personalidade "cujo contributo para a democracia e para a liberdade religiosa, assim como para o diálogo inter-religioso, é conhecida de todos os portugueses".
Considero acertada a decisão do Conselho de Ministro, pois toda a gente sabe que Mário Soares, ateu confesso, tem muito respeito pelos que professam uma qualquer confissão religiosa, enquanto reconhece a importância das religiões na formação das pessoas.
Penso que, com a sua personalidade, de raízes humanistas, saberá estabelecer consensos, na procura de climas de respeito por todas as religiões.
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Junho , 2007, 21:29



ESTA É HORA DE GRATIDÃO…

Celebrou-se, no domingo, 24 de Junho, no Santuário de Santa Maria de Vagos, o Dia da Igreja Diocesana, pela primeira vez com a presença do novo Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos.
Em dia que significa o encerramento do ano apostólico, dedicado à família, D. António sublinhou que “o segredo da família humana é o amor, a fidelidade, a generosidade e a perseverança”, para acrescentar que o mesmo se passa com a família diocesana, feita do “amor filial a Deus” e do “amor fraterno do mandamento novo”, da “fidelidade e generosidade de tantas vidas dadas à Igreja e ao Mundo” e da “perseverança de quem permanece até ao fim”. “Esta é uma hora de gratidão devida aos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas que ao longo do tempo, com generosidade e entrega ilimitadas, edificaram a Igreja que hoje somos”, proclamou.
D. António enviou 17 jovens em experiências missionárias, não sem antes exortar os seus fiéis a serem presença cristã no mundo: “Pertence-nos tudo fazer para que sejamos rosto e voz, palavra e vida de uma Igreja perita em humanidade, próxima e fraterna e corajosa mensageira das bem-aventuranças. Vemos no horizonte surgir oportunidades para darmos sentido a uma missão que envolva toda a diocese, consolide a beleza da nossa comunhão, intensifique o diálogo com a sociedade e com o mundo imenso da educação e do trabalho, da cultura e da cidadania que moram à nossa porta”.

Fonte: Ecclesia
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Junho , 2007, 10:05
Foto de Teresa Calção

QUADROS QUE A NATUREZA NOS OFERECE
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Andamos muitas vezes distraídos. Nem sempre olhamos para a Natureza, que tantos quadros nos oferece. Até o emaranhado das ramas das árvores da floresta nos pode deliciar, com a multiplicidade cromática coando os raios do Sol. Os quadros pictóricos não são só feitos pelos artistas plásticos. Graciosamente, também a Natureza se encarrega de nos brindar com alguns. Importante apenas termos olhos para ver.

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 27 Junho , 2007, 09:59
POLÍTICA E SALA DE JOGOS



Os tempos nunca correm numa direcção única. Nem - porque são tempo - chegam e partem com a velocidade dum relâmpago. Os sinais esboçam-se, desenham-se, insinuam-se, revelam-se, interpretam-se. E nada é unívoco ou instantâneo por muito lentas ou velozes que se revelem as épocas. Mas chegar a tempo aos sinais dos tempos é fundamental para os ler e interpretar. Filtrá-los apenas pelos ângulos experimentais ou pelos afectos imediatos é impor ruído ao que deve ser escutado no silêncio ou perturbação ao que merece ser visto com serenidade, ou neblina ao que exige transparência. Que se passa entre nós num tempo - no nosso - que emite sinais por vezes contrários, confusos, carregados de objectivos claros para quem os lança e imprecisos para quem os observa? O atropelo de factos políticos, sociais, culturais, de interesses corporativos secretos ou não, vai criando camadas de interpretações entre a ingenuidade e a desconfiança. E com a torrente de jogos conhecidos e desconhecidos na vida pública, fica o cidadão médio à mercê dos comentadores, intérpretes desses signos que emergem de muitas direcções.
A pressa compulsiva com que se desenrolou a regulamentação sobre o aborto na sequência do referendo, as leis que se precipitam sobre a assistência religiosa nos hospitais e prisões, o anteprojecto que se lançou para "pluralismo e independência na comunicação social", o ataque cerrado à acção da Igreja no campo social, muito dificilmente nos deixam tranquilos sobre as intenções últimas dos nossos legisladores que alimentam um complexo de desconfiança face à confissão religiosa mais antiga e representativa em Portugal - a Igreja Católica - esquecidos que lá nasceram e aprenderam a ser gente. A sequência de afrontas é óbvia, a arrogância é clara. Como que a pedir uma guerra declarada, nova letra para os velhos hinos jacobinos. Os sinais da armadilha que alguns sectores alimentam são óbvios.
Mesmo assim importa não perder nem a paciência nem a capacidade de diálogo. Estamos numa sociedade em mudança. Mas onde navegam muitos oportunistas que continuamente pedem música para as suas danças. Esta tensão é real. Mas nem por isso dispensa a escuta e a tolerância. Mesmo para com os intolerantes de capa falsa. Importa (porém) que o povo se aperceba do que acontece e não veja apenas a casa arrombada quando se encerra um Centro de Saúde ou uma Maternidade.

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Junho , 2007, 19:39
Angola.Foto do arquivo do CUFC

ORBIS com novo website:

A ORBIS é uma associação humanitária vocacionada para o voluntariado missionário. Nasceu em 2006 na Diocese de Aveiro e acaba de apresentar o seu novo website, através do qual será possível conhecer os seus objectivos. Está alojado em www.orbiscooperation.org, onde espera pela sua visita, mas não só. Também espera pela sua cooperação.
A ORBIS nasceu por iniciativa do Secretariado Diocesano de Animação Missionária, fundamentalmente para promover a cooperação junto dos países menos desenvolvidos. Entre os projectos apresentados, com grande impacto no mundo lusófono (Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné e Brasil), destaca-se o da "adopção virtual" e o "Comércio solidário", para "dizer na nossa acção diária que podemos fazer a diferença!".
Graças à ORBIS, muitos jovens já fizeram experiência missionária, ao mesmo tempo que se tem proporcionado o acolhimento de Missionários que necessitam de restabelecer a saúde ou de fazer estudos em Aveiro.
Os jovens abertos a experiências missionárias participam quinzenalmente na Escola Missionária, que funciona de Outubro a Junho, no CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), respeitando um plano de formação preparado para desenvolver o espírito missionário e o sentido da cooperação.
Desta associação voltarei a falar no próximo futuro, pois acredito que se torna muito importante dizer aos meus amigos e leitores que é preciso ajudar quem tanto está disposto a dar-se aos mais carentes.
Para já, aconselho uma visita ao "site" da ORBIS.
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Junho , 2007, 08:15
Jesus Correia, internacional de Futebol
e Hóquei em Patins



COM QUE SAUDADES…

Na minha meninice e juventude, com que alegria e prazer ouvia os relatos, via rádio, dos jogos de Hóquei em Patins, em que a selecção portuguesa dava cartas ao mundo. Ainda tenho nos ouvidos e na alma o entusiasmo de Artur Agostinho e de Amadeu José de Freitas, relatores ímpares que nunca podemos esquecer. Éramos, com a Espanha e a Itália, e mais tarde com a Argentina, os donos deste desporto sobre rodas e de stick em punho. Não havia quem nos batesse e a comunicação social de então não se cansava de cantar loas aos nossos atletas, considerados dos melhores do mundo, se não foram mesmo os melhores, durante muitas épocas, como o provam os resultados.
Recordo, com tanta saudade, a célebre equipa constituída por Emídio Pinto, Raio, Edgar, Jesus Correia e Correia dos Santos, que dava baile nos ringues por esse mundo fora. Emídio era o guarda-redes que defendia o impossível, Raio e Edgar eram os que atrás davam inteira confiança à selecção e os primos Correias davam cabo das defesas adversárias. Para mim, o maior de todos era Jesus Correia. Internacional, simultaneamente durante muito tempo, tanto no Futebol como no Hóquei em Patins. No Futebol fazia parte da célebre equipa dos cinco violinos, do Sporting. Pegava na bola na ponta do stick e ninguém o segurava. Depois outros grandes jogadores continuaram a dar vida ao ego nacional. Livramento, Chana, Perdigão, Ramalhete, Rendeiro, Cipriano, Fernando Adrião e muitos outros que a memória ainda retém.
No último fim-de-semana foi a derrocada. Portugal ficou em 6º lugar no Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. Desportivamente, teve o que merece. Perdeu, escandalosamente, com equipas a quem antigamente dava cabazadas. Os outros, ao longo dos anos, organizaram-se e evoluíram. Nós, convencidos de que ninguém nos batia, parámos tristonhos no tempo, descansando à sombra da bananeira.
Éramos mestres e agora passámos a alunos e maus alunos. Até a comunicação social, que há décadas apoiava o Hóquei em Patins, se vai esquecendo de promover este desporto em que fomos reis. Agora, há que recomeçar tudo de novo, para ocuparmos o lugar cimeiro a que temos direito. E havemos de conseguir, se olharmos com olhos de ver para o futuro, alimentando a mística dos heróis de outras eras.

Fernando Martins

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 26 Junho , 2007, 07:38
Arquivo Distrital de Aveiro



Escrevi, há dias, um pequeno texto sobre uma visita que fiz ao Arquivo Distrital de Aveiro, para acompanhar um amigo que buscava as suas raízes. O Arquivo guarda, com cuidado e rigor científico, os registos paroquiais (baptizados, casamentos e óbitos), nacionalizados após a implantação da República, bem como muitos outros documentos de âmbito diverso. Quem gostar de saber algo sobre isso pode muito bem dirigir-se àquela instituição para proceder às buscas necessárias. E há muita gente que faz isso.
A propósito, certamente, do que escrevi, tenho recebido alguns e.mails, sobretudo de netos ou bisnetos de portugueses da região que emigraram para o Brasil no século XIX e princípios do século XX. Lá lhes vou dizendo o que posso dizer, indicando o Arquivo como lugar certo para as suas pesquisas. Oxalá conseguiam o que pretendem.
Bonito é saber que há muita gente por esse mundo fora desejosa de conhecer as suas raízes, nunca esquecendo os seus antepassados, por mais perdidos no tempo que eles estejam para muitos. Não estão, porém, esquecidos por quem preserva o sabor da ancestralidade.

F.M.
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