de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Maio , 2007, 14:10
Rossio à vista e à sua espera


LIVROS PARA TODOS OS GOSTOS
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Hoje, pelas 16 horas, Aveiro e sua região vão ter mais uma Feira do Livro. Até 3 de Junho, no Rossio, os amantes do livro e curiosos terão à sua disposição, assim creio, mais um certame de muito interesse cultural. Haverá livros para todos os gostos e animação para atrair quem precisa, no fundo, de boas obras, para seu enriquecimento. Eu não faltarei, como é da tradição. Vá lá também. Olhe que em 50 stands, com 21 livreiros, sempre há-de haver um bom livro para si. Pense, por exemplo, nos livros que gostaria de ler nas férias, que se avizinham.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Maio , 2007, 12:16

ROTUNDA DO HOSPITAL
:
A rotunda do Hospital está com ares de Primavera. Relva, árvores e flores convidam-nos a olhar. Nem sempre, porém, o fazemos. A pressa é muita. Uns vão para o Hospital, a correr, outros para a Universidade, com os seus múltiplos pólos, outros para o Seminário de Santa Joana Princesa, outros para o Bairro de Santiago, outros ainda rumo a diversas paragens. O trânsito à volta da rotunda é muito, normalmente. A atenção exige cuidado. Não há tempo para parar e para olhar.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 19 Maio , 2007, 12:03



UM DIA ENRIQUECEDOR.
APRENDI PACIÊNCIA, HUMILDADE E…



Ontem estive umas boas horas no Hospital Infante D. Pedro. Para consulta de rotina e como acompanhante de um familiar com um incómodo que aconselhava o Serviço de Urgência. Olhando pela positiva, foi um dia enriquecedor. Aprendi paciência, humildade, respeito pelos outros, compreensão pelas dificuldades de profissionais e utentes, aceitação do sofrimento, atenção aos mais idosos, apreciei a disponibilidade de muitos, tentei ler o que vai na alma de alguns. O tempo de espera deu para muito.
Aos hospitais chega de tudo. Gente idosa e mais nova, gente que vem acompanhada e gente que vem só, gente que tem tudo e gente a quem falta tanta coisa, gente que sofre e gente tranquila, gente com dores e gente que sabe consolar, gente que se senta e gente que procura ajudar quem chega.
Para ajudar, não faltou a oferta de chá, café, leite e bolachas, graças à colaboração de voluntários hospitalares. Eram duas senhoras simpáticas e bem dispostas, que não se cansavam de chamar a atenção para a oferta. "Ninguém paga nada", diziam.
Nas salas de espera do Hospital Infante D. Pedro está o que gosta de contar estórias e o que gosta de se rir, o que critica tudo e o apaziguador, o inquieto e o calmo. Nos rostos havia marcas de sofrimento e de algum desespero pela incerteza do diagnóstico médico. Uns acompanhantes perdiam a calma, outros aguardavam serenamente.
A meu lado havia quem gostasse de ler. Os desdobráveis que dão conselhos, os cartazes que fazem recomendações, as revistas com marcas de muito uso, jornais e livros. Os faladores nunca se calavam. Os calados raramente falavam. Eu era um destes. Mas lia estórias de Manuel Jorge Marmelo. Daquelas que se lêem depressa e não cansam. À minha esquerda um paciente lia “Porque não sou cristão”, de Bertrand Russell. O livro, de edição antiga, tinha sinais de ter conhecido muitas mãos. Interiormente, imaginei-me a formular votos de que não ficasse por aí e que lesse outros. Por exemplo: “As minhas razões de crer”, de Jean Guitton; “Em que crê quem não crê”, um diálogo sobre a ética no final do milénio, entre Umberto Eco e Carlo Maria Martini; “Diálogos sobre a Fé”, de D. José Policarpo e Eduardo Prado Coelho; a “Bíblia”, que o escritor brasileiro Erico Veríssimo tinha como livro de mesa-de-cabeceira, apesar de na altura se dizer não crente, mas que considerava como o melhor código de vida; e tantas outras obras que nos podem ajudar na caminhada espiritual, rumo ao encontro com Deus. Também li “Porque não sou cristão”, mas não fiquei por aí. Seria muito redutor fixar-me simplesmente num livro como o que escreveu o filósofo Bertrand Russell.
Já me esquecia de referenciar os serviços do Hospital Infante D. Pedro. Olhando pela positiva, tudo está aparentemente bem. Médicos e paramédicos atenciosos, demais funcionários em correria constante para atender a muitas solicitações. No fim, nos casos a que estive ligado, tudo normal. Os exames deixaram-me muito tranquilo. Foi um dia cheio, apesar de algumas inquietações. Aprendi muito. Quando me deitei, por volta da meia-noite, adormeci tranquilo. Acordei com outro ânimo e aqui estou, logo de manhã, com votos de que o fim-de-semana corra bem a toda a gente. E sem hospitais, claro.

Fernando Martins


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