de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Abril , 2007, 10:49

UM CORAÇÃO LIMPO


Todos somos peritos em arranjar desculpas ou “boas razões” para fugir a algumas questões. Acontece no dia-a-dia, por tudo e por nada, mas acontece especialmente quando estas questões mexem connosco a um nível mais profundo e, porventura, mais difícil.Ficar demasiado exposto ou com a sensação de vulnerabilidade não é confortável para ninguém. Daí a sensação recorrente de passar ao lado de certas questões. Ou, como se costuma dizer, de assobiar para o ar, de enfiar a cabeça na areia ou de varrer as coisas para debaixo do tapete.
O ritmo a que corre a vida e a vertigem dos dias não favorecem em nada uma atitude mais introspectiva ou reflexiva, mas, no entanto, todos reconhecemos que precisamos de momentos para parar, reflectir e tomar decisões.
Como a vida não se compadece com este tipo de necessidades, temos de ser nós próprios a tomar consciência de que sabemos mais do que percebemos.
Ou seja, temos acessso a tanta informação, vivemos tantas experiências, conhecemos tantas pessoas e somos tão solicitados para tantas coisas tão diferentes, que raramente temos tempo para processar tudo isto. E quando falo em processar, falo em perceber, mas, acima de tudo, em separar o essencial do acessório. Ou, voltando à linguagem metafórica, em separar o trigo do joio.
Saber mais do que aquilo que se percebe é uma das grandes armadilhas modernas. Acontece-nos sem darmos por isso e, pior, acontece desde muito cedo. Hoje em dia as crianças e os adolescentes também já sabem muito mais do que percebem e é justamente por verem e ouvirem falar de tanta coisa que têm a ilusão de que sabem tudo. Na verdade uns sabem de mais enquanto que outros percebem de menos.
Voltando às questões essenciais, que tantas vezes ignoramos ou substituímos por outras mais acessórias, vale a pena tomar consciência de que temos a tentação recorrente de arranjar desculpas (as chamadas “boas razões”) para adiar certas coisas.
Importa perceber que, a partir de uma dada altura, não podemos adiar mais. Não se trata de precipitar as questões mas sim de as enfrentar. De olhar para elas e dar passos, lidar com elas. De fazer qualquer coisa de concreto que nos permita ir mais longe.Nesta linha de pensamento, a atitude mais correcta passa por perceber a hora certa para assumir as coisas que andamos sempre a adiar. E não as adiar mais.
Outra grande armadilha que temos em nós é o argumento das “boas razões”. Quantas vezes arranjamos “boas razões” para fazer isto e deixar de fazer aquilo quando, no fundo, sabemos que as nossas intenções são ambíguas ou estão distorcidas? E, aqui entre nós que ninguém nos ouve, quantas vezes não são mesmo mesquinhas?
A trapalhice interior e a falta de clareza nas intenções transparecem fatalmente na nossa atitude e, daí também, a necessidade de clarificar e purificar.
Neste sentido, por tudo aquilo que fica dito e, especialmente, por aquilo que guardamos em nós e pertence à esfera do inconfessável, vale a pena pedir nesta Páscoa um coração limpo. Ou melhor, apostar em purificar o coração e em clarificar as intenções para deixarmos de ter a sensação de “dar a volta ao texto”.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Abril , 2007, 10:34

CASA DE CHÁ
NO PARQUE INFANTE D. PEDRO
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Para recordar, hoje ofereço a antiga Casa de Chá do Parque Infante D. Pedro, bem enquadrada pelo arvoredo.
Na minha infância e juventude, era uma casa mágica, quase sempre fechada. Por ali passávamos nas horas de folga ou de "feriados" na Escola. Não havia Fórum nem grandes Centros Comerciais(Nem sonhados, na altura), com todas as suas solicitações. O parque era, de facto, um ponto de encontro das pessoas, que por ali cirandavam à procura de sombras, no Verão, ou a ver o lago com os seus cisnes. Andávamos de barcos a remos e conversávamos imenso, porque não havia nada que comprar. Bons tempos.

Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Abril , 2007, 10:21

NOVOS DIREITOS DOS DOENTES


O Ministério da Saúde solicitou à Comissão de Liberdade Religiosa (CLR) um projecto de um novo diploma que regulamenta o funcionamento dos serviços de assistência espiritual e religiosa hospitalar. A CLR já enviou esse parecer ao Ministério da Saúde. O Pe. José Nuno Ferreira, coordenador nacional das Capelanias Hospitalares, disse à Agência ECCLESIA que felicita a CLR pelo documento e "por verificar que se encontrou espaço para dar atenção a uma matéria tão sensível e fundamental para as pessoas que encontram doentes".
No parecer, a CLR recomenda que a assistência religiosa nos hospitais seja um direito fundamental dos doentes. A Comissão reitera também que os doentes devem ser informados desse direito.
O coordenador nacional refere um ponto que não é muito realista no funcionamento das instituições hospitalares. "A questão da inquirição à entrada do internamento". E adianta: "não é o momento oportuno para perguntar à pessoa se quer ser assistida religiosamente".
O Pe. José Nuno não concorda também que a assistência religiosa seja remetida para o período fora do tempo das visitas. "Em muitos hospitais, as visitas vão das 11 às 21 horas" - disse. E avança: "Não é muito realista".
A comissão, presidida pelo ex-Provedor de Justiça Menéres Pimentel, integra representantes de várias confissões religiosas radicadas em Portugal.
O Ministério da Saúde remeteu recentemente para a CLR um projecto de regulamentação da assistência religiosa hospitalar, tendo a comissão enviado esta semana um parecer com várias recomendações e propostas de alteração.
Além da oferta diferenciada, a CLR defende que o diploma do Ministério da Saúde contemple diversos direitos do doente, nomeadamente de obtenção de assistência religiosa "em tempo razoável" e "mesmo sem pedido expresso, desde que objectivamente se presuma ser esta a vontade do doente".
A comissão considera também que os hospitais devem assegurar, "quando necessário", o transporte dentro da unidade aos doentes que queiram praticar actos de culto, "salvo razões clínicas expressamente prescritas".
A CLR defende ainda o "direito a condições de intimidade e recolhimento na assistência espiritual e religiosa", e de posse pelos doentes de publicações e objectos pessoais de culto, "desde que não comprometam a funcionalidade do espaço de internamento, a ordem hospitalar, o bem-estar e o repouso dos demais internados".
No próximo dia 24 de Abril, em Fátima, haverá uma reunião da Coordenação Nacional das Capelanias Hospitalares.
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Fonte: Ecclesia

Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Abril , 2007, 00:05


Igreja Católica
elimina o limbo para crianças
que morrem por baptizar

A Igreja Católica eliminou o limbo, onde a tradição católica colocava as crianças que morriam sem receber o baptismo, considerando que aquele reflectia "uma visão excessivamente restritiva da salvação".
Num documento publicado hoje, a Comissão Teológica Internacional, que depende da Congregação para a Doutrina da Fé, declara-se convencida de que existem "sérias razões teológicas para crer que as crianças não baptizadas que morrem se salvarão e desfrutarão da visão de Deus". Esta comissão estudava o tema do limbo desde 2004 e a publicação do documento foi autorizada pelo Papa Bento XVI.
O limbo nunca foi considerado um dogma da Igreja e não é mencionado no Catecismo.
Em 1984, quando o actual Papa era perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, já tinha afirmado que o limbo era "só" uma "hipótese teológica" e o que o melhor era não o ter em conta.
O documento, por ora, foi publicado em inglês e sairá depois noutras línguas, confirmou um membro da comissão, precisando que a Igreja continuará a considerar o baptismo como o caminho para a salvação mas, nestes casos, a misericórdia de Deus é maior do que o pecado.
A mesma fonte acrescentou que os factores analisados oferecem suficiente base teológica e litúrgica para acreditar que as crianças que morrem sem ser baptizadas "se salvarão e gozarão da visão beatífica".
Segundo o publicado pela Comissão, o documento de 41 páginas considera que Deus é misericordioso" e quer que todos os seres humanos se salvem"."A graça tem prioridade sobre o pecado e a exclusão de crianças inocentes do céu não parece reflectir o amor especial de Cristo pelos mais pequenos", sublinha o texto.
O documento intitula-se "A esperança de salvação para as crianças que morrem sem ser baptizadas" e, segundo a Comissão, o limbo representava um "problema pastoral urgente, já que cada vez são mais as crianças nascidas de pais não católicos e que não são baptizados e também "outros que não nasceram ao serem vítimas de abortos".
O texto recorda que no século V Santo Agostinho dizia que as crianças mortas sem o baptismo iam para o inferno e, a partir do século XIII, começou a falar-se do "limbo" como "esse lugar onde as crianças não baptizadas estariam privadas da visão de Deus mas não sofreriam, já que não o conheciam".
A Comissão Teológica Internacional precisou no texto que durante séculos os papas procuraram não definir o limbo como tema doutrinal e deixaram o tema em "aberto".

Fonte: “PÚBLICO on-line”

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