de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 03 Abril , 2007, 14:35

CRUCIFIXO


– Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
– Aquele, filho, é Jesus...
E a santa imagem dele!

– E quem é Jesus? – É Deus!
– E quem é Deus? – Quem nos cria,
Quem nos manda a luz do dia
E fez a terra e os céus;

E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:

Todo amor, todo bondade!
– E morreu? – Para mostrar
Que a gente pela verdade
Se deve deixar matar.

:

Foto: Crucifixo de Salvador Dalí


Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 03 Abril , 2007, 13:59

Será Páscoa,
será um tempo novo!


1. Não é um simples cumprir de calendário social, nem é meramente um tempo que marca alguns dias de férias na primavera que floresce, nem é somente o assinalar da transição para um novo período lectivo. Páscoa não rima com hábito repetitivo, Páscoa quererá ser “Passagem” sempre criativa a uma vida melhor! Todos os sinais, gestos e pausas escolares vêm, precisamente, deste festejar uma nova alegria que se foi construindo ao longo do tempo da sua preparação (sim os grandes acontecimentos preparam-se!). Só assim tudo fará sentido; vendo ao contrário, esquecendo a razão de ser da festa e do encontro, tudo correrá o perigo de se esvaziar. A Páscoa (tal como o Natal) quererá marcar na história da vida pessoal e social um tempo novo, onde a esperança que se renova será o lema de ordem permanente.
2. É admirável a pedagogia dos séculos que nos precederam e que fazem chegar até nós um significado englobante de toda a realidade que nos envolve. A “tradição” que chega até nós (e as boas tradições serão sempre de continuar) dando-lhe sempre mais sentido, mostra-nos que com a irrupção da natureza primaveril, com o progressivo surgir das primeiras colheitas, haverá que dar um sentido espiritual, virtuoso, de ideal absoluto, a tudo aquilo que está a acontecer. A Páscoa (judaica da antiguidade de Moisés) aperfeiçoada existencialmente na histórica Páscoa da entrega dedicada e decisiva de Jesus Cristo, transmitiram criativamente ao longo dos séculos um sinal esperançado de que A VIDA VENCE toda a morte e de que tudo quanto existe quererá participar desse luminoso projecto de vida.
3. A autenticidade do acontecimento pascal – na sua celebração de Semana Maior – coloca diante de nós tudo quanto nos acontece e faz parte da nossa própria humanidade pessoal e social. A Páscoa não esconde o (sofrimento) que tantas vezes a sociedade da “estética” oculta; o horizonte da beleza pascal, contrariando tantas misérias e menoridades egocêntricas, quererá oferecer um sinal universalista de “ética” como caminho de (re)conciliação entre os povos; o sentido festivo pascal propõe, desmontando caminhos de individualismo asfixiante, uma sincera abertura ao outro, ao grupo, à dimensão social de festa que seja um “sinal” plural de frescura do “novo encontro” de uns com os outros. Que seria de nós sem (o Natal e) a Páscoa?! Um repetitivo contínuo, fotocopiado sem novidade, sem um sentido novíssimo a dar ao tempo e à vida!
4. A Páscoa não vem por si mesma sem um “acolhimento”; a Páscoa não se compra nem se vende; a Páscoa, no seu verdadeiro sentido de “passagem” desejará fortalecer o encontro, gerar maior proximidade, na tomada de consciência que o “tempo histórico” é sempre provisório e que o essencial da vida será a nossa abertura de espírito ao outro e ao “tempo do absoluto” divino. A Páscoa quer-nos fazer parar e pensar mais um pouco, olhar para a vida, não nos deixarmos afogar nas preocupações que ela contém (e que estão sempre garantidas!); propõe-nos que “repousemos” um pouco no sentido de nos renovarmos na nossa própria identidade de “pessoas” que somos e aí abrirmo-nos à (re)criação humilde de todas as novas possibilidades e horizontes, desejando envolver um mundo de paz em tudo o que somos e sentimos. Só um “coração do tamanho do mundo” verá a verdadeira Páscoa! Mas esse não dependerá tanto do número de “horas de religião” mas sim bem mais da autenticidade de vida, sendo um “coração puro”...
5. Será Páscoa na medida em que a preparamos! Não só o cuidar da casa para receber a festa, mas o cuidar da “paz interior” para acolher de modo mais vivo um sentido de paz espiritual. Haverá tanto mais harmonia, sentido para a vida e equilíbrio na gestão diária quanto mais aquilo que não os ritmos do sentir humano (espelhados nestes tempos fortes) forem acolhidos de modo feliz e gratificante na liberdade pessoal. São muitos os caminhos, mas… se não se colocar ao caminho, se não se ligar ao que “acontece”, tudo não passa de um clonado ficar na mesma, perdendo-se a frescura e passando ao lado do maior acontecimento do tempo da história humana que, na Páscoa, se abre ao tempo novo absoluto. E tanto que o mundo precisa de vidas com sentido pascal que dêem paz e esperança a cada momento de vida!
6. Que em algum tempo de “pausa” destes dias seja dado ao “Senhor do Tempo” mais um pouco de espaço. Será mais Páscoa, nesta identificação pessoalíssima com o ideal maior da perfeição a atingir; na Páscoa que celebramos a breve condição humana recebe o tesouro de uma dignidade (humana) que é divina, acolhendo em Jesus Cristo essa ponte da “passagem” do “tempo” para a eternidade. Grandioso mistério, acima de toda a tecnologia…, que inscreve em cada pessoa humana um desígnio e uma vontade de paz, felicidade e amor intermináveis. Que toda a Páscoa traga toda a frescura (re)criadora e livre para este tempo novo que se abre! Precisamos da Páscoa, recriemos ponte (“link”) para aceder à grandeza de tamanha (mas tão simples) oferta. Seja bem-vindo, apreciado e vivido esse tempo novo!

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 03 Abril , 2007, 10:21

ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL REQUER
ENQUADRAMENTO MAIS ASSEADO
:
A ideia de preservar uma marca da nossa arqueologia industrial foi muitíssi-mo boa. Por isso, é de louvar que, da fábrica demolida, tenha ficado, ali a caminho do Centro de Congressos, para memória futura, a chaminé que foi familiar a tantos aveirenses. Penso, no entanto, que ela bem merecia um enquadramento mais arejado, mais bonito, mais limpo, mais adequado. Que os responsáveis pensem nisso, são os meus votos.

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 03 Abril , 2007, 10:09

A HUMANIDADE
JÁ O CANONIZOU HÁ MUITO

O Papa que porventura mais impressionou o mundo no século XX morreu fez ontem dois anos. Impressionou o mundo porque o seu entusiasmo apostólico chegou a toda a gente, numa ânsia de a todos levar a Boa Nova de Jesus Cristo, percorrendo os caminhos dos homens, crentes ou não crentes. Cristãos e de outras religiões. Mas o seu sorriso inefável e fraterno, esse foi mesmo, ainda, para os indiferentes à força do divino e sobretudo para os perseguidos, marginalizados e feridos da vida.
Bateu-se pelos valores da fé que o animava, mas também foi um incansável arauto dos valores da justiça, da verdade, da liberdade, da paz e do amor. Encantava jovens e menos jovens, indicava metas do bem e do belo, recebia gente dos mais diversos quadrantes políticos, patrocinava encontros ecuménicos e inter-religiosos, estava atenta à vida do mundo, rezava e ensinava a rezar, deixou-nos inúmeros documentos que continuam a ser um apelo à reflexão e ao diálogo entre todos, homens, mulheres, culturas e religiões. Está a caminho da beatificação, exigindo a Igreja um milagre para isso. Depois mais um milagre para a canonização.
Para mim, contudo, os seus milagres são bem conhecidos de todos nós, católicos, de outras confissões religiosas, ateus ou agnósticos. Os seus milagres estão no exemplo de vida, nos testemunhos e na acção apostólica que marcaram o seu extraordinário pontificado. Tudo o mais que buscarem para a sua beatificação e canonização será sempre secundário. A Humanidade já o canonizou há muito.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 03 Abril , 2007, 09:17

O itinerário da paz

Foi salutar ouvir Jean-Yves Calvez falar sobre a "Populorum Progressio". Uma espécie de ressonância da esperança há quarenta anos enunciada por Paulo VI na senda das grandes encíclicas sociais que alimentaram a vida apostólica de muitos cristãos. Veio ao de cima o sentido da espiritualidade no plural, ligada ela própria à existência concreta dos povos de todo o mundo, no abraço que o Concílio Vaticano II já propusera, ao anunciar a presença do Espírito nos grandes pólos da Igreja e do mundo contemporâneo.
Daí para cá muitos novos sinais surgiram. Mas também alguns se perderam, diluídos em tantos movimentos estreitos, voltados apenas para a zona etérea do abstracto e do individual, com ligeiros tons em acções isoladas e sem perspectiva de mudança estrutural. Dizendo por outras palavras: consentindo que alguns se salvem, dentro do pecado organizado pela injustiça e desigualdade do próprio mundo.
Com a presença, na mesa, do Cardeal Patriarca de Lisboa e do Dr. José Carlos Sousa - um dos grandes peritos em Doutrina Social da Igreja - Calvez recapitulou o essencial do texto e contexto, o espírito que o Papa Montini tão bem expressou sobre a palavra chave do momento: o desenvolvimento, como desiderato de todos, possibilidade para todos, obrigação de todos. De tal forma, disse Paulo VI, que "o desenvolvimento é o novo nome da Paz... E um apelo ao progresso do homem todo e de todos os homens."
O Patriarca de Lisboa chamaria à encíclica "intuição profética" na abordagem das grandes questões que, quarenta anos, depois nos atingem. E concluiu: "aos cristãos compete mergulhar permanentemente nos sinais dos tempos e aí descobrir sinais de esperança".
Não foi um acontecimento revivalista mas de integração dum passado recente com um presente que lança à Igreja novas questões no seu compromisso social. E relembra algumas já esquecidas.

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