de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 21 Março , 2007, 17:48
POEMA 2

A palavra retira-se a silêncio.
Chama-o à sua interioridade
para que fique sendo
um recuo feliz. Ou, talvez, mais que
esse recuo, tempo
de espera, de penúria, de constante
transparência que cai em pensamento
mas sem que o pensamento chegue a frase.
E, mesmo assim, como se vai regendo
a plenitude da penúria. Que age
e se acrescenta pelo campo dentro
onde somente mais penúria se abre.
É então que a palavra recupera isento
o ímpeto da sua vacuidade
e se dispõe a devolvê-lo
em silêncio feliz. E potestade.

Fernando Echevarría
Singeverga, 18 de Março de 2007

::

Leia mais sobre um retiro de poetas,
em "Poeta arrisca-se à conversão católica",
no "Público" de hoje, no caderno P2

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 21 Março , 2007, 10:32
Um livro
de José Tolentino Mendonça
para esta Primavera




“A NOITE ABRE MEUS OLHOS”


Neste Dia Mundial da Poesia, com os calendários a convidarem-nos a prestar mais atenção ao que produzem os nossos poetas, sugiro um livro de José Tolentino Mendonça, “A NOITE ABRE MEUS OLHOS”.
José Tolentino Mendonça, que tem merecido lugar de destaque no meu blogue, à semelhança do que tem acontecido em diversos órgãos de comunicação social, é, de facto, um poeta inspirado e que mostra uma sensibilidade muito grande e até original. Digo-o hoje e aqui por me parecer que precisa de ser muito mais conhecido pelo portugueses.
Poesia de vários dos seus livros foi reunida nesta edição para nos encantar. “Os poemas deste livro fazem sua a condição de prosseguir nomeando o possível, respondendo ao impossível, assim fazendo ressoar a dualidade no âmago do mundo, assim inscrevendo nele os seus trajectos sem regresso”, diz Silvina Rodrigues Lopes no posfácio da obra que veio a lume em 2006.
Reli vários poemas insertos nesta colectânea, alguns já meditados nos livros donde foram extraídos, para integrarem um todo harmonioso que, de forma mais visível, nos mostra o poeta José Tolentino Mendonça, elogiado por quem sabe distinguir os grandes artistas dos fazedores de poesia.
O autor de “A NOITE ABRE MEUS OLHOS”, que também é padre e docente universitário, tem sempre presente o sagrado e a força do divino que o ilumina e inspira. José Tolentino Mendonça reflecte como poucos a vida que nos cerca e lhe dá ânimo para nos ensinar a ser poetas, nem que seja no interior de cada um.
Deixo aos meus amigos e leitores esta proposta de leitura, para a Primavera que hoje começa. Não uma leitura fugidia, mas meditada dia após dia.

Fernando Martins



::
Um poema de José Tolentino Mendonça

A NOITE ABRE MEUS OLHOS
:
Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta
o amor é uma noite a que se chega só

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 21 Março , 2007, 10:16
Primavera

Três poemas para sentirmos os cheiros e as cores de mais uma Primavera, como sugeriu a amiga Sara que mos enviou. Que a Primavera traga a todos alegria e ternura.
:
BERÇO
A cegonha chega ao ninho
Que tão alto ali a espera
Procura berço do Sol
Seu berço de Primavera.
Vem de longe muito longe
Em viagem tão comprida
Quem não amar este berço
Sabe tão pouco da vida
.

Matilde Rosa Araújo
(retirado do livro "As Fadas
Verdes")
:
ÁRVORE
A semente dorme na
placenta, húmida, da
Terra. Mas começam a
percorrê-la murmúrios
de água e Primavera.
Torna-se raiz e caule,
irrompe da sua
prisão sem luz para
beber os ventos e a
claridade do dia. O
tronco firma-se como
um mastro e caminha
para os céus, claros,
num apelo a ninhos.
Em breve, brevezinho,
desfralda-se em ramos
e folhas que atraem
uma floração de asas e
de cânticos. E a árvore
começa a ser, a dar e a
permitir vida.

Luísa Dacosta

(texto incluído na colectânea organizada por
José António Gomes "Conto Estrelas em Ti")
:
PRIMAVERA
A romãzeira borda
o sorriso do sol
no lenço dos namorados


João Pedro Mésseder
e Francisco Duarte Mangas
(retirado do livro "Breviário do Sol")

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 21 Março , 2007, 10:10

A Primavera aí está. Com o Sol que ilumina e aquece. Que dá cor e alegria à natureza. Vamos aproveitá-la da melhor maneira. Nem que seja a apreciar uma flor dos nossos jardins. Ou das muitas que enfeitam todos os recantos, sem que ninguém as tivesse semeado.
Boa Primavera para todos.

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