de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Janeiro , 2007, 18:50

MAIS UM ATAQUE
INJUSTO
À IMPRESNA REGIONAL

Orientações recentes sobre a imprensa regional vão levar ao fim do porte pago dos jornais enviados aos emigrantes, bem como à proibição de se oferecer o jornal a quem quer que seja, mesmo aos que nele colaboram e às instituições abertas a todos.
A luta contra a imprensa regional vem de longe e alguns quadrantes políticos se lhe mudaram a forma, não mudaram os objectivos. Porém, é ela que faz com que não aumentem cada dia os analfabetos letrados, mostra o país real e abre as janelas do mundo, que aproxima as pessoas dos objectivos comuns e aperta laços de vida, que denuncia as prepotências dos diversos poderes e lança iniciativas que respondam a necessidades concretas que uns ignoram e outros abafam.
O que se anuncia agora, já com data marcada, além de ser um mau passo, dado por um poder que teima, em muitos aspectos, viver à margem da vida dos cidadãos, é, ao mesmo tempo, uma medida inconcebível que entra, talvez sob pretexto orçamental, por um caminho tão injusto, como perigoso.
Um dos laços mais fortes dos emigrantes à sua terra é o jornal da região. Quem visita emigrantes por esse mundo fora ou com eles contacta quando por aí passam férias, sabe que assim é. Os deputados pela emigração já se aperceberam desta medida ou foram ouvidos sobre tais decisões do governo?
Acabar com o porte pago quer dizer, traduzido em números, que um emigrante, assinante do jornal semanário da sua terra, terá de pagar, além da assinatura, mais umas centenas de euros. Mas quer dizer ainda, e isto é muito grave, que vivam lá eles pelas terras onde trabalham, o importante é que mandem divisas e façam investimentos. Se se forem secando os afectos que ainda os ligam ao país e à terra onde nasceram, isso é de somenos importância…
Todos sabemos como se exprime a sensibilidade dos que lutam pela vida em terras estrangeiras, quando se lhes toca na sua pessoa, sentimentos e interesses. Está aí ao rubro este seu sentir pelo facto de se fecharem consulados, obrigando a deslocações impensáveis, para tratar dos seus problemas. E já vem aí outra medida que os agride…
Ainda neste contexto de livre opinião, é bom que se saiba que a imprensa regional vive, em grande parte, de colaboradores graciosos. Escrevo regularmente nos jornais há quase cinquenta anos. Nunca recebi, nem pedi, nem aceitei como paga desta colaboração regular, mais do que a oferta do jornal onde escrevo. Pois, daqui em diante, a administração terá de pagar o jornal que me envia, ou então pagá-lo eu, ou deixar de o receber. Assim mesmo. De igual modo, e por igual razão, vão acabar as ofertas de jornais para escolas, hospitais, centros de convívio e por aí adiante. Quem quiser ler terá de pagar. Uma tristeza sem nome, que mata tantas coisas lindas e louváveis.
Não descortino razões para estas medidas, que não sejam o propósito de asfixiar, a pouco e pouco, a incómoda imprensa regional. Um propósito que vem do tempo do PREC. Foi então que se lhe chamou reaccionária, um nome sempre à mão de cabeças vazias de ideias e de corações encarquilhados por ódios e preconceitos.
Eu compreendo medidas que ajudem a qualificação dos jornais, estimulem a sua leitura, os tornem desejáveis e esperados. Ao Estado cumpre o estar atento ao que se faz de bem e interessa às populações, e empenhar-se para que se faça mais e melhor. Por este caminho não vai lá.
Vou-me interrogando, seriamente, se, para quem governa, a almejada democracia afinal ajuda o país a crescer ou é um empecilho ao seu crescimento. Não voltaremos mais ao pensamento dominante e único de uns tantos inteligentes que já nasceram ricos e agora governam e decidem sem apelo, em contraponto com o povo, que, felizmente, já não se resigna a que outros pensem por ele e o queiram calar por incómodo.
Matar a imprensa regional é agredir o povo e as iniciativas de quem quer participar e tem direito a fazê-lo.

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Janeiro , 2007, 12:03

Recordando um desastre



QUANDO A PONTE
DO FORTE DA BARRA
RUIU
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Esta fotografia da antiga ponte do Forte, que ligava a Gafanha da Nazaré às Praias da Barra e da Costa Nova, leva-me a recordar um desastre que, por pouco, não provocou vítimas. A velha ponte, de madeira, mostrava de quando em vez sinais de alguma fragilidade, o que exigia redobrados cuidados. A “Auto Viação Aveirense”, que fazia os transportes de passageiros entre Aveiro e as praias, obrigava, com alguma regularidade, todos os passageiros a passarem a pé de um lado para o outro, tanto nesta ponte como na ponte da Gafanha, na Cale da Vila, que permitia a ligação a Aveiro. Saíam do autocarro para o retomar do outro lado da ponte, quer chovesse quer fizesse sol.
No dia 5 de Julho de 1951, pelas 10 horas, porém, o desastre aconteceu na ponte do Forte. Quando o camião do senhor Manuel Ramos, conhecido por Manuel Russo (ou Ruço?) ia a passar, com cinco toneladas de areia, a ponte ruiu. O proprietário e condutor conseguiu sair de imediato, mas o filho Francisco Ramos, que o acompanhava, ficou debaixo de água durante quatro minutos e meio, segundo lhe afiançou o então mestre Augusto, encarregado da Junta Autónoma do Porto de Aveiro (JAPA).
Segundo me garantiu Francisco Ramos, que viveu este drama, nada fazia prever que isto pudesse acontecer, pois a ponte, oficialmente, podia suportar sete toneladas de peso. Mas caiu com menos. E o pior poderia ter acontecido naquele dia, pois cinco minutos depois passaria por ali o autocarro da “Auto Viação Aveirense”, cheio de passageiros.
No dia seguinte, procedeu-se à retirada do camião do fundo da Ria. Com a experiência de mestre Augusto, o camião pôde sair com a ajuda de duas barcaças e de talhas, posicionadas nos sítios certos. Quem foi ligar o camião às barcaças, mergulhando as vezes necessárias, foi o “Pezinho” (apelido de um homem cujo nome não me ocorre nesta altura), que tinha a capacidade rara de aguentar uns minutos debaixo de água.
Feitas as ligações, uma lancha da JAPA arrastou tudo para um espraiado na Marinha Velha, perto do moinho do senhor Conde, que foi demolido há várias décadas, mas que ainda se mantém na minha memória.
Do areal da borda até à estrada mais próxima o camião foi puxado por juntas de bois. Depois foi reparado e a vida retomada, à espera de uma ponte que oferecesse mais garantias. O que veio a acontecer, não naquele sítio. A nova ponte, a actual, está presentemente a ser reparada. É a que nos liga às Praias da Barra e da Costa Nova. Mesmo de betão, com a idade, mostrava sinais de algum perigo. Acudiram-lhe a tempo.

Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Janeiro , 2007, 12:01
Crianças no Centro da Ciência Viva, em Aveiro

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Centro de Ciência Viva
aceita colaboração
de voluntários
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A Fábrica tem inscrições abertas a todos aqueles que queiram colaborar com este Centro de Ciência Viva de Aveiro. Basta ter tardes ou manhãs livres, à semana ou ao fim-de-semana (a fábrica funciona quase em laboração contínua) e entrar em contacto com a Fábrica. A idade não importa, já que não há idade para aprender a ser solidário.
Talvez já lhe tenha passado pela cabeça dar uma mãozinha na Fábrica. Se quiser colaborar com este Centro, envia o teu contacto. Os responsáveis da Fábrica têm muito gosto em falar contigo para juntos verem em que nos pode ajudar.
Rua dos Santos Mártires
3810-170 Aveiro - Portugal
Tel. +351 234 427 053 (859)
Fax. +351 234 426 077

Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 18 Janeiro , 2007, 11:18


A MEMÓRIA DE ÍLHAVO PASSA POR ESTE MUSEU

No último sábado, o Navio Museu Santo André reabriu ao público, depois de três meses de encerramento, período durante o qual teve uma “estadia” no estaleiro da Navalria. O navio Santo André regressou ao seu cais de atracagem, no Canal de Mira da Ria de Aveiro, na zona do Forte da Barra e do Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré.

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