de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 08 Janeiro , 2007, 14:39
Depois da festa,
vamos à Vida!



1. As festas de Natal e Ano Novo são sempre oportunidades (únicas) de encontros e reencontros onde os sentimentos de esperança diante de um novo ano redobram a capacidade da superação dos obstáculos permanentes. Não faltam tempos e lugares (e no fundo todos o são) onde a paz do Natal e o brilho expectante do Ano Novo terão de ser a “esperança em exercício” na construção de uma “Humanidade mais humana”. (No uso da liberdade pluralista e que é nossa convicção partilhada dizemos Natal, no seu sentido sempre novo, caloroso e aconchegante mais original, não dizemos só “Boas Festas”…)
Essa Humanidade sonhada, também entre nós, onde as pessoas não serão números e os números económicos não serão tudo, nem serão os computadores que decidem o que “abre” ou o que “fecha” mas sim as pessoas na sua realidade pessoal e comum (não virtual), e em que o equilíbrio social entre ricos e pobres, litoral e interior de Portugal, seja um ideal constante, essa Humanidade (humana) continua a ser o sonho que procuramos. Até na luta pelo pão de cada dia! Uma das notícias nacionais da entrada em 2007 era que o “pão sobe 20%”; até o pão?! Que abismo de distância entre as (simpáticas e economicistas) mensagens políticas de Natal e Ano Novo e a realidade social do Portugal profundo? Não será possível um maior realismo que capte o estímulo à esperança dos mínimos para todos? O discurso cai ao lado, o saco (do pão) está roto! Fazem-se campanhas periódicas de recolha de alimentos, de quando em quando vêm os números dramáticos da pobreza em Portugal, que se agrava no interior… sabe-se que as fusões dos grandes grupos económicos quererão criar mais império para “alguns” deixando sabe-se lá como a multidão… Não, não ao menos não suba o pão!... Há gente que passa fome (por variadas circunstâncias todas as noites e dias de Natal)...
2. Alguns sinais dos tempos (perturbantes) continuam a marcar o exercício da nossa cidadania diária. Os tempos são de apreciável “liberdade”, mas esta cai se não está assente nos pilares da responsabilidade e dignidade humanas. Parece mesmo que na euforia emocionante somos dos melhores do mundo, que o digam as indústrias do telemóvel, o “investimento” no Euromilhões (que esbanja agora no Raly Dakar) ou as despesas da quadra natalícia que dariam para uma OTA (aeroporto). Entre tantas formas de formação humana sempre necessárias, uma delas será a educação para o consumo; sim, para mais em Portugal sabermos gerir a vida real, para melhor discernirmos os equilíbrios e as fronteiras entre o (saudável) bom senso e o (evitável) excesso.
Talvez o equilíbrio das coisas possa ser medido pelo “depois”; há sempre um depois, e é nele que a verdade se apura (desde que haja tempo e vontade para reflectir); e “depois” das festas, o que fica mesmo para a vida como fruto de proximidade humana? Qual o “saldo” do essencial, dos motivos e valores do que festejámos? Tantas vezes excedemo-nos na emoção e, depois, torna-se-nos difícil o equilíbrio da razão das coisas e do ler a realidade do “dia seguinte”. Esse dia seguinte, se o anterior foi bem preparado e vivido, só pode ser de refrescada continuidade no caminho que constrói paz e harmonia entre todos. Eis a pergunte sempre difícil quanto essencial: de que valem as festas se não nos fizerem parar, pensar, (re)encontrar, para assim conduzirem mais esperança à vida diária?
3. A passagem de ano - para além do fogo de artifício - teve das piores fotografias que se poderia imaginar: uma corda ao pescoço de Sadam Hussein. Nessa corda mortífera, no filme de telemóvel da humilhação que agrava todos os ódios, estará o cair por terra da procura de estáveis caminhos democráticos. A morte de alguém, decretada por sistemas de justiça, acreditamos, nunca será caminho para a paz. A justiça – se o quer ser na grandeza da construção da democracia assente na dignidade da pessoa humana (é a única base de todo o futuro) – não pode “responder” com a mesma moeda de qualquer ditador. Todos os males cruéis e indignificantes que o ditador fez são ditadura; todo o ideal de um sistema de justiça em construção democrática não poderá nunca ser compatível com os mesmos usos mortíferos. Caiu a autoridade moral!
Pena de morte (esta que continua a ser o sinal maior da degradação e incapacidade humanas), nunca! Só que: quem tem mesmo autoridade (parece cada vez mais que morre solteira) para defender a vida e não a morte? Como é possível vermos no Conselho de Segurança da ONU das nações que mais praticam a pena de morte nos seus sistemas de justiça? Foram inúmeras as vozes de países e organizações que se levantaram contra o crime da passagem de ano, ainda para mais filmado e exposto globalmente pelo vencedor do prémio TIME 2006 (o utilizador da Internet).
4. Desse “momento” de Sadam veio uma pergunta que nos fica para a história (pergunta como resposta à humilhação que lhe faziam): “É isto a Humanidade?” Esta pergunta volta-se para todos os lados, para ele e para o futuro das nações. Que todas organizações e países que se manifestaram (contra a morte) não esqueçam que há muitas mais vítimas e ideais de dignificação da Vida sempre a defender; dos que estão nesses tremendos “corredores” da morte aos que na solidão e sofrimento desesperam e pedem a eutanásia, das Vidas que são executadas (sem se poderem sequer defender) antes mesmo de verem a luz do dia aos que no mundo não têm pão e morrem de fome. Vamos, todos os dias de Vida!... Se se é contra a execução de Sadam então ter-se-á de ser contra todas as formas de morte. Que o ano novo traga absoluta coerência, para haver mesmo HUMANIDADE E VIDA!

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 08 Janeiro , 2007, 11:53
DEZ RAZÕES
CONTRA O ABORTO
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No Portal Evangélico, da Aliança Evangélica Portuguesa, li "Dez Razões" que justificam a sua posição contra o Aborto.
Elas aqui ficam, em síntese, mas vale a pena ler todo o texto, com as explicações sobre cada razão.
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1. O ABORTO É CONTRA A VIDA

2. O ABORTO É CONTRA A MULHER

3. O ABORTO É CONTRA O HOMEM

4. O ABORTO É CONTRA A CRIANÇA

5. O ABORTO É CONTRA A FAMÍLIA

6. O ABORTO É CONTRA A CONSCIÊNCIA

7. O ABORTO É CONTRA A DIGNIDADE HUMANA

8. O ABORTO É CONTRA O DIREITO À DIFERENÇA

9. O ABORTO É CONTRA A ÉTICA

10. O ABORTO É CONTRA DEUS
Para ler tudo,

Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 08 Janeiro , 2007, 11:38
Renoir: Leitura


OFEREÇA HOJE UM LIVRO
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Se puder, ofereça hoje um livro. Se não puder, que a vida está muito cara e os livros não fogem à regra, fale aos seus familiares e amigos dos bons livros que tem lido, na esperança de que os venham a ler. O importante, no fim de contas, é contribuir para a erradicação do analfabetismo.
Quando se fala de analfabetismo, logo as pessoas associam a ideia aos que não sabem ler. Mas não é correcto pensar assim. Há os analfabetos funcionais, que são os que, tendo aprendido a ler, não conseguem interpretar qualquer texto, por mais simples e acessível que ele seja. É a tal iliteracia…
Eu penso que essa capacidade de interpretar o que se lê vem muito, ou essencialmente, da leitura e do esforço que ela exige para se compreender o que está escrito. Vem, pois, do treino. Quem lê muito, à partida, habitua-se a interpretar com mais facilidade.
Pela minha experiência, acumulada durante a vida, vou percebendo que muita gente lê muito pouco. E lê muito pouco porque na realidade não tem tempo para isso. Com vidas cheias de tarefas profissionais, sociais, culturais e recreativas, entre outras, não será possível, realmente, encontrar uma horita por dia para ler bons livros. Quedam-se pelos jornais e revistas e não passam disso.
Então, que os leitores de ocasião se comprometam hoje, Dia da Alfabetização, a ler com mais regularidade, optando por obras de qualidade. É que a leitura é mesmo uma extraordinária fonte de conhecimentos.
F.M.

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