de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Dezembro , 2006, 15:09
Mensagem do Bispo de Aveiro


Repouso na fuga para o Egipto - Gerard David.

Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa


O NATAL É HORA DE DEUS
E DOM DA VIDA
::

São múltiplos os sinais, diversificados os gestos e variadas as expressões e mensagens que afirmam o Natal como acontecimento que dá sentido às nossas vidas e oferece encanto e alegria às nossas terras.
Aveiro, cidade e diocese, testemunha esta verdade e manifesta esta alegria.
As comunidades e as famílias cristãs, as instituições e as pessoas, guiadas pela estrela de Belém, sentem-se neste tempo de Natal mais disponíveis para acolher Jesus, o Príncipe da Paz, o Filho de Deus.
Recebemos do tempo e da história, formas e modos, jeitos e tradições de celebração do Natal.
Nesta herança revelam-se o gosto e a arte, o encanto e a verdade com que oferecemos júbilo e beleza às nossas convicções de fé e aos acontecimentos da nossa redenção. Assim se percorrem, também, caminhos de proximidade entre o humano e o divino, entre o efémero e o absoluto, entre uma humanidade em procura e um Deus que vem ao nosso encontro.
Um dos maiores imperativos do Natal consiste em tornarmo-nos, em cada ano que passa, mais disponíveis para testemunhar a beleza do Natal como abençoada hora de Deus e para colocar o nascimento de Jesus no coração do mundo, no centro da história e na alma da humanidade, onde o dom da vida não pode encontrar fronteiras nem limites.
Esta é, também, a missão da Igreja: anunciar, viver e testemunhar o Natal como hora de Deus e dom da vida.
Celebramos o Natal na nossa Diocese de Aveiro em pleno ano pastoral dedicado à Família. Saúdo e convoco todas as famílias da Diocese para que, a exemplo da Família de Jesus, saibamos viver o Natal como acolhimento do Salvador do mundo.
O Natal é igualmente oportunidade privilegiada para intensificarmos o nosso espírito solidário. Sendo hora de Deus, o Natal faz-se hora da Humanidade.
De todas as iniciativas de solidariedade onde a ousadia da caridade se exprime destaco este ano, com muita alegria, a Ceia de Consoada e a Festa de Natal oferecidas e organizadas pelo Centro Universitário Fé e Cultura da nossa Diocese aos estudantes e professores estrangeiros que passam o Natal longe das suas famílias. Vêm como estrangeiros. Queremos acolhê-los como irmãos. Com eles celebramos o único e o mesmo Natal.
Este é o primeiro Natal que vivo em Aveiro. Agradeço-vos o acolhimento alegre e caloroso que me ofereceis e que, desde a primeira hora, me fez membro da Família aveirense.
Esta é a minha primeira mensagem de Natal dirigida à Diocese e a todos os aveirenses. Saúdo cada um de vós e as vossas famílias e estendo esta mensagem a todos os aveirenses a viver emigrados e a todos quantos, vindos de outras terras ou países, moram, estudam e trabalham na nossa Diocese.
Saúdo-vos com as palavras de bênção que Isabel, a Mãe de João Baptista, dirigiu à Mãe de Jesus: - Felizes aqueles que acreditaram (Lc.1,45).
Um santo e feliz Natal

+ António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Dezembro , 2006, 12:25


TUDO DA COR DA NEVE...

Caríssimo/a:

E continua a chover. Seguramente que lá mais para diante, Janeiro fora, o tempo apertará e aparecerão as geadas e a neve 'na serra da Estrela'. Para quem vive nas 'cidades' só há bom tempo com sol esplendoroso e passamos a vida a queixar-nos do 'tempo', nós, os filhos do urbano - se chove, porque chove; se está calor, ... Aliás, salvo erro, já o nosso povo diz que 'o lavrador quer sol na eira e chuva no nabal'.
Basculhando apontamentos em outras arcas encontrei referências a tempos vários e outros que nos farão sorrir perante a nossa incredulidade e a nossa dúvida: pode lá ser?!
Vamos ver:

1938 - Jan - 11- Neva em Avanca.

" Caiu por aqui [Avanca] neve aos bocadinhos. Uma coisa como nunca tinha visto. Choveu neve aos pedacinhos, pareciam bocadinhos de algodão branco em rama. Via-se no céu tudo a mexer-se como que fossem 'boagens'. Ao outro dia estava a serra toda branca de neve. Muita gente bastante velha, nunca viram isto".
[Apontamentos de Maria José Costeira]

[Na agenda de Monsenhor Costeira:]

1941- Jan - 15
-"Um grande temporal assolou esta cidade (Évora), abatendo chaminés, telhados, muitas árvores e causando muitos desastres pessoais. Morreu um bombeiro e uma criança, várias pessoas ficaram feridas. Foi uma devastação nas árvores, telhados, etc.. Não há memória de tal ter sucedido há muito tempo."

16
-"Continua o mau tempo: frio e ventania forte. Foi o temporal de ontem um ciclone que assolou todo o país fazendo prejuízos incalculáveis. Não há memória de tal desgraça nesta geração. Foi muito pior que o de 16 de Janeiro de 1922."

17-"Está o trânsito interrompido em quase todas as linhas férreas do país, nas estradas, etc.. Não há telégrafo nem telefones. Só a rádio."

21
-"Recebi carta de minha irmã Maria, escrita em 16. Narra o que foi de trágica a tarde e a noite de 15. Em casa ruiu parte da chaminé, o telhado sofreu bastante e as laranjas caíram todas, ficando as folhas das laranjeiras como queimadas pelo fogo."

26 -
"Grande ciclone varre toda a região marinhoa.”

1942 - Jan - 11
-
“Em Évora, caiu um nevão que constituiu um espectáculo lindíssimo nas ruas, praças, telhados, jardins e campos. Para mim foi uma coisa nova. Fiz uma bola de neve, coisa que nunca tinha feito em minhas mãos."

Na esperança de 'melhores' dias fica o
Manuel

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Dezembro , 2006, 12:04
Virgem e o Menino - Lorenzo Ghiberti.
Nacional Gallery of Art.
Washington - Kress Collection

PELO NATAL
::

Recordo com saudade aqueles Natais
Que celebravam o nascimento de um petiz
Um momento tão marcante e tão feliz
Passado numa cabana pobre de animais

Eram pobres as prenditas que me dava
O menino Jesus, nos Natais da meninice
Um doce e algo útil. Mesmo que não pedisse
Ele sabia sempre do que eu mais precisava

E que podia eu esperar receber mais
De um menino muito mais pobre do que eu
De um menino que eu sabia que nasceu
Tão pobre numa cabana de animais

Era um tempo muito belo mas modesto
As roupas partilhadas com os manos
Os brinquedos, simples, duravam anos
A imaginação e o engenho faziam o resto

Hoje é diferente e faz-me certa confusão
Que o Natal que era outrora de um menino
Seja hoje de um velho abastado e fino
Que publicita as suas prendas na televisão

O Pai-Natal impôs-se no nosso imaginário...
Um menino pobre numa cabana de animais
Não encaixa bem nos propósitos comerciais
Como explicaria qualquer bom publicitário.

Recordo com saudade aqueles Natais...

João Alberto Roque

(22 de Dezembro de 2005)

Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 20 Dezembro , 2006, 11:47
Sagrada Família - Frei Agostinho Paolo.
Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa

A CONSTRUÇÃO DO PRESÉPIO
::



«A primeira coisa a ir para dentro da gruta foi o musgo. Com muito jeito alcatifámos o chão com mantas fofas e verdes que fomos tirando das cestas. As heras foram crescendo em redor. E, de repente, o interior da gruta transformou-se numa serra verdinha, com arvoredo e cheia de pasto, a precisar de um rebanho de ovelhas e de alguns pastores. (…)
Feita com espigas de trigo, saiu da caixa uma manjedoura. Era uma boa ideia. Se chovesse ou nevasse, aquela manjedoura serviria para lá pôr o feno seco para o rebanho comer.
Outro pastor chegou. Aquele pastor, que era ainda rapazinho e tinha um chapéu roto na cabeça, foi pôr-se junto dos cordeiros. E fez muito bem. Aquela serra não estava vigiada. Se aparecesse um lobo, os cordeios, coitaditos, nem sequer teriam tempo de chamar pelo cão.
Depois apareceu uma vaca (…). Do outro lado veio encostar-se um burrinho. Logo depois apareceu S. José e foi encostar-se à manjedoura. Atrás de José, veio Maria.
O burrinho, a vaca, José e Maria estavam a olhar para a manjedoura. Bem se via que estavam preocupados. O bafo muito quente saía das narinas da vaca e do burrinho e aquecia a palha da manjedoura.
Uma estrela prateada apareceu no cimo da gruta, bem perto de um galo que não parava de cantar.
Finalmente, muito gorducho, sempre a rir, só com uma fralda de pano no corpo,o Menino Jesus foi posto na manjedoura.
Depois ficámos bastante tempo a olhar. A olhar. Calados.
O silêncio era tão grande naquela gruta que até parecia que ouvíamos o MeninoJesus a respirar tranquilamente.»
(excerto do conto Sonhos de Natal,
deAntónio Mota)
:
Enviado por Sara Silva

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