de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 23:06
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o Pe. Alexandre Cruz adianta as razões para a presença da Igreja Católica no mundo académico, atenta a professores e alunos

IGREJA CATÓLICA
NO MUNDO ACADÉMICO
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É Director do Centro Universitário Fé e Cultura. Nas actividades que promove faz transparecer o Evangelho e cria pontes entre a fé e a razão. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o Pe. Alexandre Cruz adianta as razões para a presença da Igreja Católica no mundo académico, atenta a professores e alunos.


Agência ECCLESIA (AE) - Em que medida é importante este serviço da Igreja no mundo universitário?
Pe. Alexandre Cruz (AC) - Onde está a comunidade humana e onde habita a sociedade, a proposta do sentido religioso deve ser inerente. Descendo à realidade temos de nos aperceber que mais de 400 mil estudantes estão permanentemente em estabelecimentos do Ensino Superior. Uma percentagem grande da população nacional.
Onde estão pessoas a estudar, estão os futuros profissionais por isso toda a formação humana é essencial. Estamos em contextos sociológicos diferentes, outrora as propostas de fé não eram tanto propostas mas imposições. O tempo é outro e desafia-nos à criatividade e a estimular a vida no seu sentido mais pleno. A estimular a outra face da vida.
O processo de Bolonha - a licenciatura passa para três anos - desafia os agentes da Pastoral Universitária à participação e à dinâmica. Todo o contexto do Ensino Superior é um terreno onde é importante ir semeando conteúdos para além da dimensão profissional.
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Ler toda a entrevista em ECCLESIA

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 17:37


NO CAE DA FIGUEIRA DA FOZ,
ATÉ 5 DE NOVEMBRO



AINDA FUI A TEMPO
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Pintura de Zé Penicheiro está patente ao público no Centro de Artes e Espectáculos (CAE), da Figueira da Foz, até 5 de Novembro, precisamente na sala que tem o seu nome. A exposição foi inaugurada em 14 de Outubro e contou, decerto, com muitas visitas, ou não fosse o artista marcado por aqueles ares, onde passou a sua juventude. Fui ver e apreciar a exposição, quase na altura do encerramento, mas ainda fui a tempo.
Gosto de ver a arte de Zé Penicheiro porque ela toca, com muita sensibilidade, o que nos diz respeito. O mar, a ria, a água, gente do povo, gestos e sombras, cores e traços que fazem parte do nosso quotidiano ali estão.
Como convite a quem passa pelo CAE, há um excerto de um poeta figueirense, João de Barros, que reflecte um pouco o que está em exposição. Diz assim:

“Aquele mar que vês além
é sempre o mar da tua infância
é sempre o mar da tua vida…”

In “Eterno Mar”

Quando aprecio a pintura deste artista, agora radicado em Aveiro, revivo cenas e acontecimentos de há muito, recordo silhuetas de pessoas e de barcos que povoam a minha imaginação, sinto o palpitar de tradições que podem perder-se. Por isso, sempre que se anuncia uma sua exposição, lá estou eu, na certeza de que vou gostar. Mesmo que haja uma repetição de temas e de figuras, de motivos e de cores. Afinal expressões da sua arte.
Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 17:31
URGE DESCOBRIR
UM TEMPINHO
PARA LER

Eduardo Prado Coelho abordou, ontem, um tema pertinente, na sua crónica “O fio do horizonte”, que sai no PÚBLICO, de segunda a sexta-feira. O título, “PNL para ‘profs’”, vem ao encontro do que muitos sabem, isto é, de que há bastantes professores que pouco lêem.
Diz Prado Coelho que nas Escolas não há ambiente para se ler e que, no fim das aulas, cansados, os docentes não terão disponibilidade interior para se debruçarem sobre um bom livro. Por isso, propôs “um Plano Nacional de Leitura (PNL) especificamente para professores”, porque é “preciso levá-los a ler para além do Código Da Vinci, Margarida Rebelo Pinto ou Susana Tamaro. É preciso que eles conheçam os autores clássicos e contemporâneos, e que vejam teatro ou cinema, e visitem exposições”.
Concordo com Eduardo Prado Coelho, porque, pelos meus contactos com muito professores, tenho constatado essa realidade. Noto que a maioria pouco ou nada lê, mostrando uma ignorância atroz sobre os nossos escritores, clássicos ou mais recentes, como mostram uma falta de cultura muito grande a outros níveis. E se é certo que os livros são uma fonte de conhecimentos, como é possível haver bons professores que pouco ou nada lêem? Será que muitos dos nossos professores apenas se apoiam nos livros de estudo e nos saberes que adquiriram enquanto estudantes? Num ou noutro jornal e revista? Mas isso é muito pouco… isso está ao alcance de qualquer cidadão comum. Os professores têm a obrigação de aprofundar a sua cultura, para mais facilmente abrirem os alunos a novos horizontes.
Urge, pois, que descubram, no meio da vida esgotante, um tempinho para ler. Livros muito bons não faltam por aí.
Fernando Martins



Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 17:10
8 de Novembro,
quarta-feira,
pelas 21 horas



QUE ‘SONHO’
COMANDA A CHINA?
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Na próxima quarta-feira, 8 de Novembro, pelas 21 horas, no CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), vai ter lugar mais uma Conversa Aberta, integrada no Fórum::UniverSal, com entrada livre para toda a gente, em especial para alunos das diversas escolas superiores de Aveiro e sua região. O tema, “Que ‘sonho’ comanda a China?”, vai ser apresentado por João de Deus Ramos, ex-embaixador de Portugal na China e membro da Fundação Oriente. A moderação será de Manuel Serrano Pinto, da Associação para a Cooperação Cultural Portugal-China.
Esta iniciativa foi organizada pelo CUFC e pela Fundação João Jacinto de Magalhães – Editorial UA.

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 17:07
Quem vê caras,
também pode ver corações

Contrario o ditado popular ao viver a experiência de ter visto caras e, por detrás delas, corações felizes, corações esperançosos e, também, corações angustiados. Foi na Convenção das Famílias Anónimas, ali na Reitoria da Universidade. Experiência já vivida há anos, e que me levou, de novo, ao encontro da paz, da dor e da esperança.
Pais e mães, irmãos e irmãs, que apenas se identificam pelo seu primeiro nome, trazem consigo a memória de um mundo de sofrimento de anos, tantos quantos a toxicodependência de um filho ou de outro familiar fez, ou ainda faz sangrar e inundar de lágrimas os seus lares. Uns, já libertos do terrível pesadelo, manifestam a alegria e gratidão pelo êxito, finalmente alcançado. Outros, com os seus doentes a caminho da recuperação, alimentam, mais uma vez, a incontida esperança do resultado, há tanto tempo almejado. Outros, ainda em situação de dor, porque a escravidão permanece, não escondem, apesar do ambiente reconfortante, a noite escura da dolorosa crucifixão.
Um clima sereno e amigo, o da Convenção. Os cumprimentos não são protocolares, partilha-se vida, recebem-se estímulos, alimenta-se a esperança de melhores dias.
Quando se fala de dor, também se fala de esperança. Quando se fala de sofrimento, também se fala de coragem. Quando se narram derrotas, também se narram vitórias.
Os trabalhos iniciam-se com a “Oração da Serenidade”, rezada em coro com profunda convicção. Invoca-se o “Poder Divino”, ponto de encontro de todos, que nunca se fecha à oração de um pai e de uma mãe que imploram, agradecem ou louvam. Ninguém se sinta forçado nas suas convicções, mas antes reforçado na sua confiança.
Estes pais fazem, também, no dia a dia, os doze passos que já libertaram os filhos e são, para si próprios, um caminho gerador de paz, força interior, estímulo a prosseguir numa luta que não admite cansaços nem tréguas.
O testemunho da alegria e do sofrimento, o entusiasmo sereno de quem se reconhece por uma história igual, as vivências partilhadas com total confiança, o respeito mútuo, tudo a ajudar estas famílias a que vivam um clima de enriquecedora solidariedade.
Quando vemos no nosso caminho a verdade dos sentimentos que livremente se exprimem, ficamos mais comprometidos na luta contra as causas do mal.
A droga e seus tentáculos são monstro forte para se enfrentar a sós. Na união aberta de muitos, pode residir a força que exorciza os medos do monstro. Porém, o mal alastra.
Há fardos de droga a dar à costa e a cair nas mãos da autoridade. Enchem prisões os sinais visíveis de um negócio hediondo, sujo e mortífero, que se faz a frio, se premedita, enriquece criminosos e destrói inocentes. O crime atinge muitos, sem que se veja modo de o conter. Não faltam interesses o fomentá-lo. Se fosse visível a olhos humanos a destruição que daí resulta, veríamos rios de sangue e lágrimas, ouviríamos gritos, lancinantes e incontidos, de pais, irmãos e amigos e das vítimas de um paraíso efémero.
Como é possível que os poderes cruzem os braços ante este poder do mal? Na rotina que se nos cola, ficam deste horror de miséria e de dor as famílias anónimas com a sua luta e esperança, as notícias já raras, porque deixaram de ser notícia, os escândalos que o dinheiro não consegue abafar. Mas fica, também, a multidão dos que ajudam doentes e famílias, de mistura com outros que, por vezes, os exploram impunemente. Depois, ficam ainda as soluções que nada solucionam e sobre as quais se diz muito, porque significam pouco. Vão-se vendendo ilusões com salas de chuto, seringas nas prisões, metadona quanto baste, entrevistas e pareceres de sábios e de eruditos. Uns ganham com tudo isto. Muitos são, porém, os que perdem. É assim. Uma droga.

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 03 Novembro , 2006, 16:55

O povo e os pobres


Aqui, como longe, sempre que acontece uma eleição política e explode uma vitória significativa, logo os comentadores retomam a palavra Povo e lhe elegem uma inteligência soberana, quase divina e cega, que atinge a essência subversiva dos jogos políticos.
Nessa engenharia de emoções e números está sempre associada a realidade do povo com os menos favorecidos, os anónimos, os contribuintes, os que têm dez identidades nunca sendo a primeira de prestígio ou riqueza: o cidadão, o autarca, o utente de vários centros, o beneficiário de qualquer segurança, o cliente, o passageiro, o associado.. e por aí adiante. Nesta matéria, nenhuma operação simplex simplificará o que quer que seja.
As elites não elegem ninguém. Podem comprar e vender a bons preços peças elegíveis lançadas no mercado onde se evita sempre prestar contas e, pelos vistos, ninguém se tem ralado muito de as contas não serem claras. Mas é sempre o povo que decide. Bem ou mal, iludido ou de clarividente, o povo é quem mais ordena.
Muitos comentadores brasileiros vão na direcção óbvia da chamada evidência do dia seguinte, com grande fartura de talheres quando todos estão saciados: Lula apostou nos pobres, apoiou situações de miséria, tirou muitos do fosso da fome, soube falar a essa massa anónima que é o último nas escalas sociais mas o primeiro porque o mais numeroso. E ganhou. De permeio, sobressaltos, corrupções, desvios de rota, incapacidades de solução, problemas no fundo da gaveta. Mas a predilecção por esse povo e pelos pobres não só deu nas vistas como se repercutiu na vida de muitos que, desde o Presidente torneiro, passaram a ter uma vida menos má. E, segundo dizem os entendidos, a democracia é o processo menos mau de governar.
Era essa a intuição da Igreja do Brasil quando reafirmava obstinadamente a opção preferencial pelos pobres, ainda que com uma teologia da libertação salpicada de ambi-guidades. O certo é que nesse tempo a Igreja e povo estavam mais próximos. Dizem os números.

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