de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 13 Outubro , 2006, 11:09

GAFANHA DE HÁ DÉCADAS
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Mesmo a preto e branco, dá para perceber que a Gafanha da Nazaré tem sofrido, nas últimas décadas, grandes transformações. Quem conhece a zona central da actual cidade, não pode deixar de reconhecer que a evolução urbana tem dado saltos significativos. Para os mais saudosistas, aqui fica uma foto antiga, cedida por Marcos Cirino e digitalizada por Ângelo Ribau, dois gafanhões muito interessados, desde sempre, pelas coisas da Gafanha da Nazaré.
A igreja matriz e o cemitério, rodeados de terra de cultivo, casario disperso, ruas sem trânsito visível e as sombras que povoam a memória dos mais velhos aí estão para recordar.
Aqui fica mais um desafio a quantos me lêem, para que me enviem fotos que nos digam como foi ou é esta terra que nos viu nascer. Já tenho algumas em arquivo que mostrarei regularmente.

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 13 Outubro , 2006, 10:55

O AMOR PODE AJUDAR
OS DOENTES TERMINAIS
A SENTIREM
UMA CERTA FELICIDADE

Há dias passou na SIC uma reportagem dramática. Uma doente terminal, mas aparen-temente lúcida, reclamava o direito de morrer. Melhor dizendo: o direito de provocar, voluntária e conscientemente, a morte; o direito de alguém lhe aplicar uma injecção letal. Alguns entrevistados alinharam pela mesma opinião, admitindo os direitos de morrer e de viver.
Calculo que uma pessoa numa fase dessas terá muita dificuldade em lidar com o sofrimento e que deseje a morte. Mas também sei que, enquanto há vida, tem de haver esperança. E ainda sei que a medicina, hoje, tem recursos que não tinha há anos.
Importa, a meu ver, que os serviços de saúde saibam apostar em ajudar os desanimados e os desesperados, aplicando-lhes os cuidados paliativos, de que tanto já se fala.
Contudo, não devem ser só os serviços médicos a olhar com olhos mais atentos para quem tanto sofre, numa busca constante de lhes proporcionar o bem-estar possível, uma qualidade de vida digna, mesmo nos momentos mais dolorosos. Porque eu penso que a vida, por muito agreste que ela seja, por muito sofrimento que ela provoque, tem de ser vivida na esperança de que amanhã tudo pode melhorar.
Aqui cabe, penso eu, um papel fundamental à família, próxima ou afastada, na perspectiva de ajudar os seus doentes em fase dolorosa, em especial na descoberta de um sentido para a vida, curta ou mais longa.
Sendo certo que os crentes terão outras razões para enfrentar o sofrimento, enquanto caminho de purificação interior e de abertura à redenção oferecida por Cristo, não posso deixar de acreditar que os não crentes também na dor saberão encontrar razões para dignificar a vida até ao fim. Dignificar, neste caso, significa saber estar com a realidade, testemunhando com coragem o valor da vida, mesmo durante sofrimento atroz. Há sempre momentos de amor, de ternura, que podem ajudar doentes terminais a sentirem uma certa felicidade.
Fernando Martins

Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 13 Outubro , 2006, 08:06
Afirmações Nucleares

1. Parece que andamos para trás, que a história se repete ou que o panorama das afirmações dos países agora tem um nome, “afirmações nucleares”. Por outro lado parece que está a ficar na moda a afirmação das nações começar pelo incumprimento dos acordos da comunidade internacional, por “pisar o risco” da irreverência de distinção militar para fazer parar o mundo obrigando a reunir à mesa aflita das Nações Unidas os representantes dos povos.
O ensaio nuclear realizado há dias atrás pela Coreia do Norte, as suas sublinhadas condenações e as incertas consequências de todo este processo delicado (mais um!), provam que a instabilidade é a regra e que vivemos num “barril de pólvora”. Como o mundo é global, então os significados e repercussões de mais esta afronta acabará por atingir a todos... Pelo andar da carruagem, neste despique nuclear de potências que (pela negativa) querem aparecer no mapa da importância estratégica, até onde irão os testes nucleares?!...
2. Vivemos tempos que aliam a distracção e o medo; a vida que corre todos os dias está aí, tantas vezes na sua pressa, não dando oportunidade para conhecer e compreender tudo o que acontece à nossa volta… Sabemos, sim, que o regime comunista da Coreia do Norte, com um milhão de militares escravos a “marchar” dentro de um sistema fechado… está a atemorizar a comunidade internacional. Todos condenaram o que parecia impensável de um dia para o outro; todos, as grandes potências também no mapa da gestão da sua importância, querem condenar pois caso não consigam fazer parar os testes nucleares pelos acordos da “não-proliferação nuclear” então acabam por ganhar argumento para também fazer os seus…
Pyongyang (regime da Coreia do Norte) é agora a “palavra-chave nuclear”; motivo de orgulho nacional para um povo escravo que precisa de símbolos, Pyonyang é também razão de profunda inquietação para países vizinhos e Nações Unidas na gestão de mais esta situação. Todos, comunidade internacional, exigem resposta das Nações Unidas; mas às vezes parece que com um esquecimento de que, afinal, boa parte das potências nucleares pertence ao conselho de segurança da ONU. O poder das armas e as paradas de arsenais militares continuam, infelizmente, a ser o melhor BI de tantas nações e da gestão da sua importância; tudo tão diferente, e parece que cada vez mais longe, do ideal proclamado a meados do Século XX, no espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Agora as energias, em vez de serem aplicadas para terminar com a fome e a sede no mundo, movem-se para a gestão estratégica das reacções ao histórico ensaio nuclear. Tão longe que andamos!... Se a Coreia do Norte proclamou a ridícula heroicidade do sucesso do ensaio nuclear subterrâneo, considerando “um grande salto em frente na edificação de uma nação poderosa e próspera”, já a Coreia do Sul no seu Instituto de Geo-Ciência detectou um tremor de terra com uma magnitude de 3,5 graus na escala de Richter.
Diante de todas as reacções (“uma provocação”, EUA; “é imperdoável”, Japão), destaque-se a inquietação do director geral da Agência Internacional de Energia Atómica ao sublinhar que “este ensaio ameaça o regime de não-proliferação nuclear e representa um défice de segurança grave, não apenas para o Extremo Oriente, mas também para a comunidade internacional” (Mohamed El Baradei). Dos apelos à resposta em conformidade (a visão da generalidade chinesa), até à condenação mas no tomar consciência de que “devemos reunir-nos e analisar mais informação sobre o assunto com a cabeça fria” (Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão), todos os apelos e todas as esperanças estão voltadas para a ONU.
4. Como poderá responder uma entidade que representa os povos ora em incumprimento, ora a apontar o “dedo” ao incumpridor? Que capacidade, sem uma reestruturação efectiva e dinâmica que tarda, tem a ONU para estes novos “atentados” que precisamente usam as Nações Unidas para afirmações nacionalistas?
Da parte da Coreia do Norte os dados parece que estão lançados; para além de tudo, quando da Coreia do Norte se diz que qualquer pressão americana será interpretada como “declaração de guerra”…está tudo dito! Da Coreia do Norte é a estratégia da “fuga para a frente” (num país débil em si mesmo) e a afirmação da ameaça de realizar um novo teste nuclear face às pressões…
5. Quem diria que este início de Século XXI, na era pós-11 de Setembro, iria ter já tantos filmes e jogos de guerra! Chegará o mundo ao Século seguinte? Talvez valha a pena ver o documentário ecológico “Uma verdade inconveniente” de Al Gore; se calhar umas chuvas seriam bem vindas para refrescar as ideias e apagar o fogo da intolerância que reina em muitas mentes sem senso! É que temos mesmo de aprender a “viver juntos”; caso assim não seja, então não haverá mesmo que viva! Nem as plantas do nosso jardim…
Que bom seria que as nações se afirmassem pelas razões positivas!... Talvez as neuro-ciências aplicadas nos ajudem a entender os “porquês” destas “menoridades”… para assim conseguirmos construir pontes em vez de levantar mais muros!

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