de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 24 Agosto , 2006, 13:15
Criadas células estaminais
sem destruição de embriões
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A descoberta de cientistas norte-americanos pode acabar com as reservas éticas na produção de células estaminais. O estudo dá conta de uma técnica que não implica a destruição de embriões.
A técnica, descrita na revista "Nature", é inspirada no diagnóstico de pré-implantação, usado para escolher embriões criados através de fertilização in vitro livres de doenças genéticas.
A equipa de Robert Lanza, da empresa Advanced Cell Technology (Massachusetts, EUA), já tinha conseguido fazer isto com células de ratinhos, no ano passado.
Agora, conseguiu criar duas culturas de células estaminais embrionárias humanas, usando células colhidas em 16 embriões que sobravam de tratamentos de infertilidade.
Com o método tradicional para obter células estaminais, os cientistas usam embriões que se desenvolveram durante cinco a seis dias, até serem uma minúscula bola com cerca de uma centena de células. Com o novo método, usam-se embriões bastante mais imaturos, com apenas oito células. É colhida apenas uma, que é cultivada em laboratório. O embrião não precisa de ser destruído – pode continuar a desenvolver-se até termo da gravidez, se for implantado no útero de uma mulher.
Os cientistas testaram as culturas de células criadas com este método e confirmaram que podem ser usadas para produzir um vasto leque de tecidos.
Esta descoberta é relevante para os Estados Unidos, onde está proibido o financiamento público de experiências que investiguem o potencial terapêutico das células estaminais.Para Daniel Serrão, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, a produção de células estaminais sem destruir o embrião é uma notícia "verdadeiramente extraordinária, confirmando que a ética não é inimiga da ciência - quando a ética levanta dificuldades estimula a ciência a resolver os problemas".
"Nós sempre dissemos que o embrião tem direito absoluto à vida e ao desenvolvimento", sublinha.
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Fonte: Rádio Renascença


Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 24 Agosto , 2006, 13:06

Navegações
em tempo de Verão


Antes, havia os inventores de quase tudo. Os cientistas e descobridores corriam como atletas loucos para chegarem primeiro e darem o seu nome a um asteróide, um princípio, uma teoria, uma hipótese. Quando sabemos o meridiano exacto em que nos encontramos, ou a que distância ou altitude está uma terra ou elevação, nem nos apercebemos da quantidade de pessoas e experiências que contribuíram para termos dados precisos do nosso planeta, das forças que nos circundam, da informação que hoje quase instantaneamente surge no painel de cristais que faz parte dos nossos quadros rotineiros de consulta.
Desapareceram grande parte dos nomes. Hoje as descobertas são plurais e complementares. Grupos de trabalho, equipas multidisciplinares, oceanos e continentes colocam-se de permeio com o grupo de anónimos que, numa qualquer empresa ou no seu laboratório privado, vão dando passos em todas as direcções do progresso de que vemos apenas alguns sinais. Eles concretizam-se nos instrumentos de precisão, no carro, nos electrodomésticos, nos múltiplos afazeres da informática. O nosso quotidiano está cada vez mais inundado de novidade que há anos atrás seria tida como pura magia ou poderes preter – naturais.
O Padre Gaspar bem se cansa de explicar ao seu amigo Roberto – “o único ser da nossa espécie a haver naufragado num navio deserto” – fenómenos complexos da natureza – desde algumas teorias galileicas jamais aplicadas, à completa harmonia lógica entre a descrição bíblia do Dilúvio e as convulsões dentro e fora da Arca de Noé, e uma perfeita sequência de hipóteses descritas com exaltação. Ele não sente dificuldade em conjugar a bíblia com a ciência, mesmo na mais rigorosa interpretação literal em pleno século XVII. Umberto Eco transporta-nos a este universo fascinante e divertido - quase tanto como o Nome da Rosa - num livro que é uma Ilha do Dia Antes, mas com uma ironia doce numa procura sequiosa de encontrar “o Ponto Fixo”. Pode inscrever-se na moda dos muitos enigmas pseudo-científicos da nossa era. Mas pode conduzir-nos a um universo humanizado pelas pesquisas pacientes e perseverantes dos muitos mistérios que se escondem no universo. Os brinquedos tecnológicos que nos rodeiam poderão sugerir-nos que tudo está encontrado. Na verdade continuamos no encalço desse Ponto Luminoso, como atracção irresistível de todo o ser inteligente.
Não vale a pena exacerbar o conflito entre ciência e fé. Ambos têm o seu lugar. E é no coração do homem que ambos encontram o seu refúgio – divino e humano.

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