de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 08 Junho , 2010, 23:36

 

 

 

 

PRÓLOGO

 

Fui avestruz. Sou ruminante

Da seiva lírica. A pastagem,

Outrora verde e abundante,

Está queimada da estiagem.

 

Olhar o céu límpido e mouco

Não vale mais do que o que foi.

A água tarda. O pasto é pouco.

A fome rói.

 

Ah, se uma lágrima bastasse

Pra encher de viço esta secura!

Sinto-a a escorrer-me pela face

Futura.

 

António Manuel Couto Viana

 

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