de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 15 Maio , 2010, 10:10

Do Editorial do DN de hoje

 

 

 

 

 

«A visita do Papa Bento XVI a Portugal dava um verdadeiro manual de Ciência Política para os principais responsáveis pela República. Começou cedo, ainda no ar, a caminho de Lisboa, quando fez um claro mea culpa pelos casos de pedofilia que envolveram o clero. "O principal inimigo", disse, não está fora, "mas dentro da Igreja". O acto de contrição foi tão claro que nem deu azo a notícias futuras - ao longo dos quatro dias de visita, o assunto nunca mais veio a público. Não foi, porém, o único acto de humildade do principal responsável pela Igreja Católica. Bento XVI foi, também, sensato quando afirmou, preto no branco, que a Igreja tem de aprender a viver num novo mundo, se quiser manter o papel de influência que a visita a Portugal provou ainda ter.

Mas a humildade de reconhecer erros (ou o pecado, na versão doutrinal) não foi a única lição de Sua Santidade aos políticos portugueses. Houve outra, até mais forte, de convicção e de liberdade, no mais polémico dos temas facturantes da vida política portuguesa do momento: o casamento homossexual. Bento XVI falou do tema, defendeu o dogma de fé - a doutrina católica - sem pudores aos fiéis. Mas, evitando o tema nos encontros com Cavaco Silva e José Sócrates, mostrou que a máxima "a César o que é de César" é, para o Papa, outra das linhas fundamentais da sua acção - não prejudicando, claro está, a sua própria liberdade de pensamento e de palavra.

Por fim, ficou talvez a maior das lições: a de esperança. E não havia melhor momento para a deixar. Soubessem, os políticos portugueses, o valor desta máxima e talvez o futuro não parecesse aos portugueses tão sombrio.»

 

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