de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Maio , 2010, 08:54

 

 

ACÇÃO DE COMPRAR

 

Georgino Rocha

 

O processo de circulação de bens inclui normalmente a fase de venda e compra. A ética das vendas comporta valores que estão regulados por lei, embora nem sempre com a devida adequação. Não assim com a das compras. E ir de compras ou fazer compras, mesmo em tempo de “apertar o cinto”, não é um acto banal, sem impacto social, despido de consequências.

 

A acção de comprar é sempre um acto moral, além de económico – afirma Bento XVI na sua última encíclica “sobre o desenvolvimento humano integral, na caridade e na verdade”. Exibe e transmite valores, supõe critérios, manifesta opções, implica decisões, enfim desvenda e expõe a pessoa, o seu estilo de vida e o nível em que se integra na escala social. Mantém a situação, questiona o sistema e pode fomentar a transformação dos produtos e a sua distribuição. O comprador/consumidor possui um poder efectivo de grande alcance. Daí, a importância de ganhar consciência do acto de fazer compras, de educar na sobriedade, de dar prioridade aos bens do comércio justo.

 

“A par da responsabilidade social da empresa, há uma específica responsabilidade do consumidor”- adverte o Papa no referido documento. E ilustra o alcance desta afirmação com exemplos deveras interpelantes: respeito pelos princípios morais, consumo com sobriedade, formas de cooperação para as compras à semelhança das cooperativas de consumo, associações verdadeiramente representativas.

E neste âmbito, Bento XVI insiste na conveniência de favorecer formas novas de comercialização de produtos provenientes de áreas pobres da terra para garantir uma retribuição decente aos produtores e lhes proporcionar uma formação mais adequada, a nível profissional e tecnológico.

 

A ética da acção de comprar e consumir tem as suas características específicas e nem sempre é facilitada pela publicidade ou por outros meios de sedução comercial. Mas é vital para a saúde de uma sociedade em processo de humanização. Coerentemente reconhece Bento XVI: “Um papel mais incisivo dos consumidores (…) é desejável como factor de democracia económica.”

 

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