de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 04 Maio , 2010, 12:40

Margarida Alves, presidente da Assembleia de Freguesia

 

 

 

Uma das minhas paixões

é ser autarca de tão nobre terra

 

 

Margarida Alves, bancária, é presidente da Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Há 20 anos veio da Guarda, onde começou muito jovem a militância política na JSD. E quando chegou à nossa terra, cedo se identificou com as suas gentes.

«Quem vem do interior para o litoral traz normalmente alguns receios, à espera de encontrar realidades muito diferentes». Foi o seu caso. Imaginava que as pessoas por aqui seriam «mais individualistas», mas depois descobriu que não eram.

 

Entrevista conduzida por Fernando Martins

 

 

 

 

Quando sentiu gosto pela política?

Desde muito nova. Talvez por ter nascido no ano da revolução. Sempre me habituei a lidar com livros sobre política, o que agradeço a meus Pais, que primaram por me dar uma educação livre e democrática, dando-me abertura para que tomasse as minhas decisões, nomeadamente políticas.

Mas de facto houve um momento marcante na minha infância. Foi no dia 4 de Dezembro de 1980, quando foi anunciado o acidente de Camarate, em que o primeiro-ministro de Portugal, Sá Carneiro, faleceu.

Olhava para minha mãe e as lágrimas corriam-lhe. "Não é possível; isto não nos pode estar a acontecer", dizia ela. E o meu pai, na transmissão do funeral, dizia "Portugal perdeu um grande líder, mas acima de tudo um grande homem." Embora muito jovem foi uma memória que me acompanhou até hoje.

  

E foi esse acontecimento que a levou a tornar-se militante do PSD?

Esta minha descoberta levou alguns anos, mas foi nas eleições de 1987, com a Candidatura do Prof. Cavaco Silva a primeiro-ministro, que comecei a ter uma participação mais activa nas actividades e nas campanhas eleitorais, era convidada pela JSD. Mas foi só no inicio da minha vida profissional que decidi tornar-me militante, aos 24 anos, na secção de Ílhavo.

 

Pelo facto de ser mulher, alguma vez se sentiu hostilizada, sobretudo na Presidência da Assembleia de Freguesia?

Não. Vivo numa cidade que é conhecida por ser matriarcal, onde um grande número de mulheres via e vê os seus maridos e filhos trabalharem na actividade piscatória, ficando para elas o ónus de gerir uma casa e a vida de todos os elementos do agregado familiar. É um exemplo de que as mulheres não são hostilizadas, mas sim respeitadas. 

 

Ou o facto de ser mulher é uma mais-valia para o desempenho do cargo?

Não o considero. Para mim, o que é importante, num cargo autárquico, é a nossa disponibilidade para ouvir as pessoas, saber o que pensam, e que contributos podemos dar à autarquia. E se nos for solicitado, saber que problemas as rodeiam, tentando solucionar os mesmos, de uma forma rápida e concreta. Só com esta postura é que as pessoas depositam confiança em nós. Temos de ser humildes e sérios, mas acima de tudo sensíveis e sinceros.

 

Como autarca, que gostaria de ver concretizado na Gafanha da Nazaré?

Existem obras que são estruturais e que influenciam o dia-a-dia das pessoas. Uma delas é o saneamento, obra que a muito curto prazo espero ver concretizada a 100% na nossa freguesia

Outra obra que considero estratégica para a freguesia, para o concelho e distrito, é a Marina da Barra. É de conhecimento público que têm sido efectuados esforços, na reformulação do projecto e no sentido de esta obra se efectivar, nomeadamente pela Câmara Municipal. A freguesia da Gafanha da Nazaré tem ainda muito potencial turístico, e com a Marina teremos mais emprego e mais qualidade de vida.

 

Acha que a cidade, enquanto tal, mostra algumas carências?

Ao que me é dado conhecer, não existem sociedades/cidades perfeitas.

Existem sempre carências a apontar e cabe a nós, autarcas, reduzi-las ao máximo. Para isso é importante ouvir a população e implementar politicas correctas em prol da sociedade, com o objectivo de todos termos mais qualidade de vida.

E como referi, neste momento, a carência primordial na Gafanha da Nazaré, é o Saneamento a 100%. Muito trabalho tem sido feito e, como é de conhecimento público, trata-se de uma obra que envolve capitais elevados, sendo necessário o estabelecimento de parcerias entre todos os órgãos políticos, desde as autarquias ao Governo, para a sua concretização a curto prazo.

 

Que qualidades encontrou no povo da Gafanha da Nazaré?

A Gafanha da Nazaré é uma cidade que me adoptou como sua filha há 20 anos. E foi o local que escolhi, após conclusão dos meus estudos, para a minha residência, que se localiza na Cale da Vila, e é perto da Igreja Matriz que exerço a minha actividade profissional. Tenho o prazer de viver e trabalhar nesta Freguesia que respeito e gosto, considerando-a, a minha Freguesia, a minha cidade.

Quanto às qualidades das pessoas, são inúmeras, mas relevo a criatividade, o trabalho, a seriedade e a sensibilidade com que os todos os seus residentes vão ajudando os autarcas a construir esta nossa cidade.

 

E... que defeitos?

Sou uma pessoa que dá pouca relevância aos defeitos, ninguém é perfeito, todos nós viveremos melhor se aceitarmos e reconhecermos que temos defeitos, mas estes serão sempre combatidos pela soma das qualidades.

 

A nível político, gostaria de desempenhar algum cargo executivo?

Na política tenho como missão servir, não olhando a cargos. O meu objectivo é fazer um bom trabalho, no intuito de ajudar a construir o bem-estar de pessoas. Isto só se consegue com trabalho de equipa, e tenho orgulho em fazer parte de uma boa equipa, composta por autarcas com lugares executivos e não executivos. Todos somos precisos e importantes.

 

 

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