de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 28 Abril , 2010, 20:10

 

 

Aspecto da Rua Almeida Garrett

 

 

 

A minha rua

 

 

Moro na Rua Almeida Garrett. Já foi ou ainda é travessa Almeida Garrett. Também foi Almeida Garret e Almeida Garrett, ao mesmo tempo. Com erro só com um “t”. De qualquer modo, e apesar do erro que engana quem nunca ouviu falar ou escreveu correctamente o nome de um grande vulto das nossas letras, gosto dela, porque a vi nascer. É uma rua direita e tranquila. Todos os vizinhos são amigos e gente muito boa.

Quando eu era menino era um caminho de areia por onde circulavam os carros de vacas carregados de esterco ou de moliço a caminho das terras de cultura. No regresso vinham com erva, milho, feijões e batatas. As alfaias agrícolas ocupavam o seu espaço. E ainda havia lugar sentado para quem ia ou vinha dos campos. O gado estava tão treinado que até conhecia, sem qualquer indicação do condutor, os caminhos das terras e de casa.

O rodado dos carros tornava duro o caminho. Mas no inverno a água da chuva complicava a vida às pessoas e aos animais. Ao lado do caminho, do nascente, havia uma vala-mestra. Chama-se vala-mestra porque recebia águas pluviais de outras valas mais pequenas.

A vala-mestra encarregava-se de levar as águas para a ria. Nos invernos mais chuvosos a vala parecia um rio, tal a força da corrente. E nas marés-cheias, a vala transbordava e tudo ficava alagado. Cheguei a não poder sair de casa. Quando a maré descia, as coisas melhoravam e voltavam à normalidade. Por vezes ficavam enormes charcos que prejudicavam as culturas. O povo até dizia que as batatas plantadas tinham morrido afogadas.

Depois o caminho foi ensaibrado e somente após o 25 de Abril a rua viu o alcatrão, em data que não posso precisar. Mais tarde, na vala-mestra foram aplicadas manilhas e, ao contrário do que se podia esperar, não mais houve alagamentos significativos.

Com a história da minha rua, abreviada, como não podia deixar de ser, já me esquecia de falar de um dos grandes vultos das letras portuguesas, que viveu entre 1799 e 1854. Foi um escritor e homem público multifacetado: poeta, dramaturgo Par do Reino, ministro. Foi um romântico e o grande reformador do teatro português. Quem há por aí que não conheça Frei Luís de Sousa, Folhas Caídas e Viagens na Minha Terra? E quem de Ílhavo, e não só, desconhece, nesta última obra, o célebre debate que pôs frente a frente um ílhavo e um ribatejano, cada um apresentando-se como o mais valente? E não foi o ílhavo que levou a melhor, com a sua coragem frente ao mar, contra o ribatejano frente ao toiro?

 

Fernando Martins

 

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Carlos Ramos a 29 de Abril de 2010 às 01:27
Grandes amigos se fizeram e se mantêm nessa rua!
Tudo começa quando o Hugo e a Sara se tornam meus colegas desde o início da primária até à 4ª classe.
Mais tarde, nos acólitos, conheço os Vilaças , Vítor e Jorge. Entretanto, quis a catequese juntar a Aida e a Teresa ao rol de conhecidos onde também já fazia parte o João Paulo.
Mais novo, o Papi , irmão da Carolina (minha colega no ciclo) e da "Miss" Marta, encontrou-me no exercício das suas funções enquanto autoridade em plena cidade de Espinho, há cerca de 3 anos, e perdoou o seu conterrâneo de algum excesso.
No dia 12 de Julho de 1986, depois da abertura de emissões experimentais da RTN , visitei a cooperativa e felicitei o Pedro pelo momento proporcionado e mantenho, também com o Fernando uma boa relação.
Aos 21 anos tornei-me colega de trabalho, durante 13, do Adérito ("Criatura"- essa figura ímpar de boa disposição) e mais tarde dos filhos.
Não posso esquecer os familiares Eneida e família, o Miguel e a Bárbara.
Sobre o autor deste blog, pessoa que muito estimo, só espero que prossiga com esta labuta diária e enalteça as nossas gentes e tradições neste autêntico serviço público.

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