de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 18 Abril , 2010, 09:39

PELO QUINTAL ALÉM – 17

 

 

 

 

O ALECRIM

 

A

ti Céu Zanaga,

ti Alexandrina Margaça

                                                            

Caríssima/o:

 

a. O tempo voa e, levados nas suas asas, vem-nos a tentação de olhar para trás... Já lá vai a Páscoa e antes dela os Ramos que, onde são vividos, levam os Cristãos para a rua com os seus «ramos»  a vitoriar o Cristo.

Foi aí que o nosso alecrim surgiu como vítima e herói, como fácil te levou o raciocínio: cortado, esfrançado, atado e amarrado, para depois ser levantado, benzido e abençoado, trazido para casa e colocado no altar da oração do lar como presença amiga e testemunha do nosso compromisso.

 

e. Também assim na Gafanha da nossa meninice: no jardim ou pelos caminhos, crescia e florescia como arbusto a que muitas vezes se associavam pensamentos mais curvos que os caminhos...

 

i. ...Que também se faziam defumadoiros em tempos de invernia para desinfectar ou, quantas vezes, para afugentar “sombras” que os vivos nos entretecíamos a projectar na escuridão.

Uma que outra, em excepção, usava-o na culinária, para assados, vinhos-d'alho e alguns o queimavam em experiências de assados de brincadeiras de juventude.

 

o. Para além da tal desinfecção dos ares e dos brônquios não ia o alecrim mas, convenhamos sem dificuldades que esta erva terá virtudes curativas que nos indicam sábia e profusamente: “A sua essência entra em muitos medicamentos, composição de bálsamos para fricções, e de certos produtos de perfumaria - água de Colónia, por exemplo.

O alecrim é, principalmente, um medicamento estimulante para todas as pessoas atacadas de debilidade extrema, e emprega-se também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.

Uma tosse pertinaz desaparecerá com infusões de alecrim.

Também se recomenda a todas as pessoas cujo estômago seja preguiçoso para digerir.

Uma infusão de alecrim faz-se com 4 gramas de folhas por uma chávena de água a ferver. Tome-se depois das refeições.”

Claro que se deve ouvir sempre a autoridade clínica e nunca esquecer que, apesar de não haver contra-indicações, “as preparações de alecrim não devem ser tomadas durante a gravidez”.

 

u. E venha daí o primeiro que diga que não conhece

 

Alecrim alecrim aos molhos

por causa de ti

choram os meus olhos

ai meu amor

quem te disse a ti

que a flor do monte

era o alecrim

 

Alecrim alecrim doirado

que nasce no monte

sem ser semeado

ai meu amor

quem te disse a ti

que a flor do monte

era o alecrim

 

E por entre cantos e risos da nossa juventude desfolhemos mais uma deliciosa lenda que nos pode levar aos bancos da catequese:

 

“Quando Maria fugiu para o Egipto, levando ao colo o menino Jesus, as flores do caminho iam-se abrindo à medida que a Sagrada Família passava por elas. O lilás ergueu os seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu o seu cálice. O alecrim, sem pétalas nem beleza, entristeceu lamentando-se de não poder agradar ao Menino.

Cansada, Maria parou à beira do rio e, enquanto a criança dormia, lavou as suas roupinhas. Em seguida, olhou em seu redor, procurando um lugar para as estender.

- O lírio quebrará sob o peso, e o lilás é alto demais.

Colocou-as então sobre o alecrim e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a nova oportunidade e sustentou-as ao sol durante toda a manhã.

- Obrigada, gentil alecrim! - disse Maria. Daqui por diante ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando. E não apenas flores te dou em agradecimento, mas todos os galhos que sustentaram as roupas do pequeno Jesus, serão aromáticos. Eu abençoo folhas, caules e flores, que a partir deste instante terão aroma de santidade e emanarão alegria."

 

Esta alegria em tempo de renovadas brisas primaveris vos deseja o

 

Manuel  

 

 


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