de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 02 Abril , 2010, 14:35

 

 

Não são 15 estações de reflexão, mas sete. Ainda assim, ajudam a reflectir sobre a forma como os políticos nacionais estão a olhar (com falhas) para a economia nacional

 

Martim Avillez Figueiredo

 

 

Neste dia de sacrifício faz sentido olhar (sem sofrimento) para o problema nacional. Não é autoflagelação. É apenas pôr bem os pontos nas letras, para que fique claro que a discussão sobre o PEC, ou sobre os caminhos de crescimento, parece fundar-se em pressupostos (agora) errados, tanto no governo como na oposição. Em sete etapas, quase metade de uma Via Sacra.

 

Primeira: O problema da crise internacional é a falta de dinheiro. O problema da crise nacional é a necessidade dele. Estes dois factores, somados, explicam a hecatombe.

 

 

Segunda: Os governos do mundo vieram em auxílio da economia, tomando participações em empresas e lançando dinheiro no sistema. Um estudo deste mês da

 

PricewaterhouseCoopers diz que 14% das empresas mundiais são hoje detidas por governos ou financiadas por dinheiro público - o que levanta um problema: quanto tempo vai isto durar?

 

Terceira: A economia nacional está em transição (perturbada) do velho modelo de mão-de-obra barata e baixas qualificações para outro, fundado no conhecimento e nas tecnologias, o que gera desemprego. O desemprego mantém a pressão sobre as contas públicas - que têm de ir buscar dinheiro onde ele não existe.

 

Quarta: Ainda pior: esta estratégia de crescimento choca hoje na realidade. Há três anos existia dinheiro para apostar em inovação, em inteligência. Hoje não. O mesmo estudo da PWC revela que 80% dos presidentes de empresas no mundo não querem crescer agora. Preferem apostar na racionalização de custos. Apenas 15% consideram o momento adequado para explorar novas geografias - 40% apostam tudo nos mercados domésticos.

 

Quinta: Os planos políticos nacionais de apoio ao crescimento económico pedem o contrário: internacionalização e produção orientada para mercados externos. Tem lógica, claro: sobram poucos consumidores em Portugal e vender para fora melhora a produtividade e a balança de pagamentos. Mas isso exige dinheiro.

 

Sexta: O governo pôs no PEC cerca de 260 milhões de euros para esta batalha. Existem 900 mil empresas no país: isso dá cerca de 288 euros por empresa. Sim: nem todas têm potencial para exportar. Apenas 20% de todas as empresas portuguesas têm mais de quatro trabalhadores: cerca de 180 mil empresas. Ou seja, mesmo que o dinheiro lhes fosse destinado, eram pouco menos de 1500 euros para cada um apostar na internaciona- lização.

 

Sétima: Menos de metade dos presidentes de empresas do mundo esperam investir este ano. A razão: falta dinheiro no mercado. Desses poucos, porém, quase todos prometem investir sem dívida, recorrendo a dinheiro gerado pelo controlo de custos. Assumindo que os 1500 euros não chegam para nada, seria interessante perceber como se vão financiar os gestores nacionais que desejam crescer. Se escolherem os bancos, lá pressionam o défice externo do país. É uma pescadinha de rabo na boca: se as empresas ficarem paradas, a economia estagna; se carregarem no acelerador, desequilibram a sustentabilidade nacional. Não é isto que se discute na Assembleia, pois não? Leia aqui amanhã, Sábado de Aleluia, se há caminho para a ressurreição em Portugal.

 

 

 

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