de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 01 Abril , 2010, 18:54

 

 

A solidão

 

 

1.O nosso tempo, cheio de progressos tecnológicos e científicos, tudo embrulhado pelas novas formas de comunicação, gera muita solidão. Olhamos uns para os outros a correr e nada vemos. Olhamos para nós próprios e nem nos reconhecemos. O mundo está abafado por ilusões. Contudo, urge mudar tudo isto. Pode ser nesta Páscoa, que é primavera, vida nova, libertação, ressurreição.

 

2. Ontem desloquei-me a Aveiro com minha mulher. Uma afilhada vinha fazer exames a uma clínica e como não nos víamos há muito, combinámos o encontro na sala de espera do estabelecimento de saúde.

À hora marcada entrámos a correr e saudámos quem estava, com uma boa tarde apressada, ciciada. Sentei-me numa cadeira vaga, ao lado de uma senhora. Sugeri a minha mulher que perguntasse na recepção a que horas seria o exame da minha afilhada. Nessa altura, a senhora sentada a meu lado, com voz doce mas audível, vira-se para mim e pergunta: «O senhor não é o professor Fernando?»

«Sou, sim.» — respondi.

«É que eu sou a S…»

 

 

2. Um amigo meu, desde a infância, enviou-me hoje um e-mail interpelante:

 

« Ai, há quantos anos que eu deixei chorando

este meu saudoso carinhoso lar…

(…)

minha velha ama

Canta-me cantigas para

me eu lembrar...

 

 

Não foi há anos foi há dias (onze) que uma súbita constipação se transformou numa broncopneumonia e me atirou para o Hospital, onde estive os dois primeiros dias amarrado à cama, dado que as altas temperaturas me faziam perder a consciência.

Tudo passou, felizmente, e hoje regressei a casa, espero que completamente curado. Mal tenho força para escrever estas linhas mas quero agradecer àqueles que se interessaram pela minha saúde, ao tomarem dela conhecimento.

Faz hoje 2010 ano que OUTRO sofreu muito mais do que eu...»

 

Somos quase vizinhos, mas nem sempre damos conta de amigos que adoecem e desaparecem uns dias.

O seu e-mail é realmente oportuno e interpelante. Há tanta gente que tanto sofre sem nos apercebermos disso. Cristo, que nos ofereceu um sacrifício do tamanho dos erros do mundo, sofreu muito mais do que nós, mas ainda não compreendemos essa verdade. Olhamos só para nós e para as nossas pequenas enxaquecas. As dos outros atiramo-las para trás das costas.

 

 

3. Aproveito para desejar uma vivência do Tríduo Pascal muito sentida a todos os meus amigos, crentes ou não crentes, estes e todos, afinal, no sentido da solidariedade e da fraternidade universais, onde o sofrimento a vários tons destrói esperanças em dias melhores. Mas depois da tempestade não vem a bonança? Espero que sim.

 

FM

 

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