de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 23 Março , 2010, 18:36

 

 

Custos descabidos

Por JM Ferreira

 
 

«Estamos em maré alta de festas populares e respigamos isto de um pequeno folheto: "Chegou o verão e, com ele, a época das tradicionais festas populares em honra dos santos. Nem sempre, porém, estas festas são verdadeira manifestação de alegria cristã e de veneração dos santos, nossos intercessores e exemplos a seguir".

Sugere este texto as festas a que nos habituamos a ver, frequentar, a estar presentes, quem o faz, claro. E sugere ainda outros factores, como sejam autênticos milagres de gestão e engenharia financeira, apenas comprovando o aforismo e a realidade de que com trabalho tudo se consegue. Às vezes os custos envolvidos, nota-se à vista desarmada, podem ser considerados exorbitantes e, nalguns casos, descabidos. Com estas opiniões, até parece que somos contras as festas.

 

 

Procissões de fé pública

 

O folheto envereda ainda por recomendações e alguns comentários sobre as manifestações religiosas que lhes estão associadas. Por exemplo, "a procissão deve constituir uma manifestação pública de fé... não é um acto religioso para meros espectadores presenciarem, nem uma simples honra para as nossas casas pelo meio das quais ela passa..."

Tem outros comentários que o espaço não permite e o conteúdo passaria ao lado da intenção desta opinião. Mas o que interessa evidenciar são apenas alguns aspectos cruciais. Por um lado, alguma rivalidade que as respectivas comissões colocam nos programas, procurando, cada uma, fazer melhor que a anterior (nalguns casos) e, por outro, os investimentos envolvidos.

Por muitas tradições que a história demonstre e confirme, é que a quase totalidade do seu programa e do seu tempo é profano e o lado religioso, em nome de quem se quer honrar, é diminuto. Por isso, se a festa é em honra do santo x, y ou z, não se misture mais nada que não seja, unicamente e só, honrar aquele, ou aquela, que em vida foi um modelo e um exemplo para a sociedade, pelos actos e pelas obras, com a inerente santificação que lhe foi e é reconhecida.

 

Não há retorno

 

Quanto aos investimentos referidos, é de notar que os que os conseguem, trabalhando e soando as estopinhas, fazem com que a comunidade em que se insere este tipo de iniciativas fique sem nada, quer espiritualmente, quer materialmente, ou seja, não há retorno de qualquer tipo de benefício, a não ser em favor daqueles que "vieram fazer a festa".

Na freguesia onde me encontro inserido, o fenómeno é, normalmente, comedido, salvo uma ou outra excepção, que confirma o pensamento que estamos a discernir (algumas, deixaram de se realizar, com excepção da parte religiosa) mas que nem por isso deixa de constituir assunto para reflexão, atendendo às necessidades mais primárias que a comunidade sente actualmente, pelo menos uma grande parte, que se reflectem nos seus contributos para festas, quando os elementos das respectivas Comissões lhes batem à porta.


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