de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 16 Março , 2010, 19:27

 

O reequilíbrio em realização
 
Por Alexandre Cruz
 
1. Existia a ideia típica do euromundo de que as comodidades nos pertenciam, que o modelo de desenvolvimento justo e honesto seria este, em que não nos falta quase nada em termos de bens materiais. À medida que a roda a girar da globalização acelerou o contacto de uns com os outros, tomámos conhecimento desses valores adquiridos a tal ponto de deles não conseguirmos abdicar pelas consequências nefastas que isso trazia. O mundo e a visão do mundo (mundivisão) estava desequilibrada, e tal como nos fomos habituando a TER sem SER, outros continentes foram preservando bem mais a noção de SER que hoje os está a conduzir ao TER.
 
 
2. A crise financeira de 2009, se não deu as necessárias lições de ética reguladora aos que agora vão apontando o mesmo caminho que afundou o barco, um efeito essa crise teve: o manifestar incontornável dos novos centros do mundo, dos países que até agora nos últimos séculos eram vistos como menores estão a ser bem maiores que uma Europa que nem a grave questão na natalidade consegue reflectir. Desses países (BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China), habituados a sofrer e a não se acomodar no bem-estar, vem agora um novo mundo de referências, umas libertadoras pela inspiração de sabedoria, outras fragmentadoras, como no mundo complexo do trabalho.
3. Dados novos (sempre numa dialéctica de continuação, é certo) estão diante de mesas velhas. O racionalismo europeu, o iluminismo que estruturou o Estado de Direito possível está, também pela rede atrofiadora da liberdade “queimada” pela libertinagem, num regresso à “caverna” donde saiu para se repensar. O reequilíbrio custa, e custa tanto mais para quem está no estado de perda como nós. Nos países emergentes (já bem erguidos!) a motivação sobre dia-a-dia em flecha. Diante deste pessimismo da resistência que nos falta e por isso chamamos “crise”, estarão os grandes valores humanistas do mundo ocidental em vias de perda? Não é uma questão de tecnologia mas de existência e por isso de resistência.

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