de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 14 Março , 2010, 09:06

 PELO QUINTAL ALÉM – 12

  
 
 
O SALGUEIRO
 
A
ti António Facica
Manuel Mau
Bartolomeu Conde
Padre António Nédio
                                                            
 
 
Caríssima/o:
 
a. Quando entrares pelo portão do meu quintal olha para o teu lado esquerdo e logo verás o nosso salgueiro, posto ali a pedido, para que as suas flores anunciassem a Primavera. E vai cumprindo a sua missão: a cada Inverno, vai ganhando forças, renovando energias para nos maravilhar com os seus maçaruquinhos branco-acinzentados e peludinhos. Aí tens a Primavera!- parece dizer-nos o salgueiro.
 
e. Também na nossa Gafanha, nas zonas mais húmidas, ao comprido com as valetas, crescia esta planta. Hoje, deve ser difícil encontrá-la; será que algum exemplar resistiu em cômoro esquecido?
 
i. E além da flor, que até tem uma vida bastante curta, que lhe aproveitávamos?
Os rojões tornavam-se deliciosos ao serem feitos ao fogo do salgueiro, em tacho de cobre ou latão, durante quase três horas, dada a combustão lenta da lenha que não fazia fumo.
É usado desde a Antiguidade, não só pelas propriedades medicinais da casca, mas também pelos ramos flexíveis, que constituem uma matéria-prima barata para o fabrico de móveis e de cestos.
A sua madeira é clara e não se esfarela, o que explica o seu emprego nas mesas dos talhos.
As suas flores são muito visitadas pelas abelhas porque preciosas poliníferas e melíferas.
O salgueiro tem sido utilizado para recuperar águas poluídas devido à sua capacidade para absorver e transformar poluentes em matéria orgânica.
 
o. O nosso povo empregava o salgueiro para tingir, de cor acastanhada, o pano de linho com que as mulheres faziam as suas camisas e blusas, os lençóis e toalhas de mesa; também os pescadores para conservar as redes de algodão - botirões, galrichos, etc. - as coziam em “água de salgueiro”, evitando assim a sua destruição pela bicharada.
No tratamento de porcos «augados», dava ao animal um cozido de feijão frade e arroz, a que se misturava um dedal de cinza de salgueiro.
Na cura de aftas, mastigavam-se folhas de salgueiro (rebentos), retendo na boca, durante uns minutos, o sumo salivado, deitando fora as folhas moídas pelos dentes.
Havia quem fizesse chá de folhas de salgueiro para reduzir ataques febris.
 
u. Sabias que...
...Durante séculos, os índios norte-americanos mastigavam a casca do salgueiro-branco (Salix alba, que também existe em Portugal) para terem alívio para as dores? Em 1827, em França, um cientista isolou uma substância química da casca do salgueiro a que chamou salicina e que graças a esta descoberta se produz hoje industrialmente o ácido acetilsalicílico, vulgarmente conhecido como aspirina?
 
...Com ramos de salgueiro são feitas as famosas varas talhadas em quilha e utilizadas para procurar os lençóis de água subterrâneos?
 
...Leonardo da Vinci escrevia fábulas?
 
Então, de sua autoria, recreemo-nos com
 
 “O salgueiro e a vinha
 
O salgueiro é uma árvore de crescimento rápido e vigoroso. Os seus ramos crescem a olhos vistos e logo tornam-se mais longos que os de qualquer outra árvore.
Um dia, porém, a fim de ter companhia, o salgueiro resolveu casar com a vinha.
- Estás louco!- disse-lhe uma amiga. Nós, os salgueiros, somos feitos para crescer mais depressa que qualquer outra árvore. O que é que vais fazer com uma vinha pendurada em ti?
Porém, mesmo assim, houve o casamento. O salgueiro juntou-se à vinha, ou melhor, permitiu-lhe agarrar-se a seu tronco.
Porém a vinha produziu lindos cachos de uva, ao passo que o salgueiro não dá frutos. E então, certo dia, quando o fazendeiro descobriu a vinha enrolada no salgueiro, resolveu podar ambos, temendo que o salgueiro arrancasse a vinha do chão.
E assim, ano após ano, os belos ramos do salgueiro foram podados pelo cuidadoso fazendeiro, e a árvore, decepada e mutilada, passou a ser apenas um apoio para os cachos de uva de sua afortunada companheira.”
 
Para terminar cantemos com o povo:
 
                        Salgueiro à beira d’água
                Bota raiz pr’onde quer
                É como rapaz solteiro
         Enquanto não tem mulher.
 
 
    Manuel
 
 
 

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