de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 03 Março , 2010, 16:51

 

 

 

Deambulando

por Maria Donzília Almeida
 
“Março marçagão, de manhã Inverno, de tarde Verão!
 
Fazendo jus ao aforismo popular, por ordem inversa, o astro-rei hoje nasceu radioso prometendo um dia aprazível.
Ao espreitar pela janela e sentindo umas carícias há tanto tempo esquecidas, há que aproveitar as tréguas dadas pelo S. Pedro e pelos alunos. Assim, resolvi pôr pernas a caminho por estas ruas e ruelas da vila. Ia aspirando o ar puro que ainda se respira por estas paragens e observando a vida a pulsar em meu redor. Ao mesmo tempo ia dando cumprimento à prescrição médica que aconselha as pessoas a caminhar. Daí, a imagem recorrente de pessoas em rancho ou individualmente, a percorrerem as ruas pacatas da nossa vilinha, lutando incansavelmente pela saúde.Com este incremento das medidas profilácticas e amplamente acarinhadas pelas pessoas de todas as classes sociais, não espanta nada que a esperança média de vida ainda vá aumentar mais. E quem vai paga as reformas? Não vamos sofrer por antecipação!
Esta ideia de movimento preconizada pela classe médica está já profundamente enraizada nos Gafanhenses... senão vejamos. Quando duas pessoas se encontram e se cumprimentam, à pergunta: “Como estás?”, segue-se invariavelmente a resposta: “Vai-se andando!”. Não temos aqui, bem marcado o sentido pragmático, deste povo laborioso, já cantado noutras epopeias? Lá no seu subconsciente, está certamente gravada a ideia da luta pela saúde, neste andar contínuo....
Também eu fui percorrendo as ruas, com o seu tráfego automóvel, mais o movimento pedonal de tantos outros que tratavam da sua vida com o mesmo meio de transporte, as pernas.
 
Nesse meu vaguear, orientado, fui dar à zona da mota, muito pitorescal em dias de sol. A minha atenção foi captada pela presença de um patito bravo que descansava em cima do muro sobranceiro à ria e que contorna a marina. O colorido da plumagem associado ao seu pequeno porte excediam a beleza dos patos domésticos. E.....eu com os prodígios com que a natureza me tem presenteado, fiquei particularmente sensível às coisinhas pequenas. Aproximei-me sorrateiramente do patinho, para lhe passar a mão pele plumagem, mas ele não entendeu a minha intenção. Se calhar, cometeu o “pecado” da generalização........ e pensou que eu era mais uma daquelas criaturas que se abeira dos animais com falinhas mansas, para depois os transformar em arroz de pato! Nem o forte argumento da minha quase condição de VEG.(Vegatariana) o faria permanecer quieto em cima do muro à espera da minha carícia. Quando me sentiu a uma distância considerada perigosa para a sua integridade física, abriu as asas e levantou em voo rasante quase junto à água, indo mergulhar a cerca de 5 metros, junto aos seus companheiros. Imediatamente começou a nadar como se a natação fosse para ele uma actividade de alta competição. A perícia com que fez aquele gesto foi para mim admirável. Apeteceu-me bater palmas pela perfeição com que desempenhou a sua tarefa. Aí, fiquei a pensar na minha pequenez, perante aquele punhado de criatura, que, sem receber lições de natação, apenas viu o exemplo dos progenitores, se move com toda a agilidade no meio aquático. Como eu gostaria de saber nadar também! Recebi lições, pratiquei, aprendi os exercícios respiratórios, mas... não adquiri as competências que aquele patinho tem em tão alto grau.
Esta cena fez-me lembrar um episódio ocorrido no Fluviário de Mora, quando viajava pelo Alentejo. O espaço está vocacionado para a exibição de peixes de várias espécies, mas o que me marcou foi a cena que aconteceu com um ninho de patos. Ao lado de um lago artificial que ladeava o pavilhão, havia um montículo de terra, onde uma pata havia nidificado. Aí, assistimos, pois todo o grupo acorreu para observar, a um milagre da natureza. Vimos literalmente os ovos eclodirem e do que inicialmente era um furinho minúsculo, saiu o patinho. Mas não foi isso que nos surpreendeu, apesar do encanto que encerra a multiplicação da vida. O patinho, acabadinho de nascer........dirigiu-se a cambalear ainda e... foi para o lago nadar! Toda a gente abriu a boca de espanto, pois tal nunca ninguém vira. E... o que é verdadeiramente surpreendente é que nem o patinho se afogou, nem a mãe pata foi correr atrás dele, a gritar cheia de aflição. A natureza é mestra... sabe que as mães patas não podem pagar as idas à piscina dos seus rebentos! O que apetece dizer é que este patinho “saiu-se das cascas”!
 
02.03.10
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