
Quando as nossas autarquias avançaram com esta simples mas justa homenagem a Carlos Roeder, não pude deixar de intimamente aplaudir o gesto. É que este industrial foi um dinâmico empresário que deu trabalho a muitas centenas de pessoas, quer no Estaleiro de S. Jacinto, quer noutras empresas que também fundou, ou das quais foi sócio de relevo.
Carlos Roeder foi, e ainda é, uma figura de referência na região, sendo considerado, por um dos seus fiéis admiradores e colaboradores, Henrique Moutela, “um homem de invulgares qualidades de trabalho e de capacidade técnica”.
Aparece na região, lembra Henrique Moutela, a “vender motores para os veleiros da Empresa de Pesca de Aveiro (EPA). Fá-lo a crédito, na década de 30 do século passado”. Na altura, “é convidado a entrar como sócio nessa empresa, com o valor da venda dos motores”.
Carlos Roeder, com uma visão de futuro bastante nítida, convence os sócios da EPA a abandonarem “a pesca à linha em dóris” e em 1935 aparece o primeiro arrastão português, o ‘Santa Joana’, mandado construir na Dinamarca.
O Estaleiro de S. Jacinto foi construído em 1940, “com amigos e colaboradores”. Mas o seu primeiro trabalho de engenharia foi o hangar da base da então Aviação Naval. Depois, quase até aos nossos dias, o Estaleiro foi, realmente, uma fonte de trabalho e de riqueza para muita gente da região, em especial de S. Jacinto, Gafanhas, Aveiro e Ílhavo.
De ascendência alemã, Carlos Roeder estudou na Escola Politécnica de Lisboa, seguindo posteriormente para a Alemanha, onde cursou engenharia. Diz-se que a sua origem e formação muito contribuíram para a sua capacidade organizativa, para o sentido empresarial e para uma visão universal do trabalho. O seu gosto era, de facto, criar riqueza, dando emprego a centenas de pessoas, enquanto procurava destacar, sobretudo, a competência profissional e a lealdade dos seus colaboradores. Muitos dos seus encarregados eram pessoas sem grandes estudos, mas cumpridores rigorosos das suas decisões.
No fim da vida, determinou a criação de uma fundação, a Fundação Roeder, destinada a contribuir para o bem-estar de todos os seus trabalhadores ou ex-trabalhadores.
Fernando Martins