de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 16 Dezembro , 2008, 13:42

O Natal de Jesus moldou vivências nas mais diferentes e diversas sociedades até aos nossos dias, mesmo quando, como hoje acontece, o anfitrião da festa se vê obrigado a novos e desconhecidos exílios, sem que o seu destino, outrora profético, seja o Egipto bíblico. Seja como for, mesmo os menos familiarizados com a Tradição cristã não estranharão, se tiverem oportunidade de o vislumbrar, que o Nascimento de Jesus só tenha alcançado a vibração da anamnese, isto é, o fôlego de uma memória vivificante, com a experiência Pascal dos discípulos de Cristo. Só a experiência do Ressuscitado permitiu àqueles homens e àquelas mulheres da primeira hora reler os acontecimentos do seu tempo, e, alongando o olhar, reler igualmente o percurso de gerações, perscrutando um sentido para a aventura humana, um projecto que os crentes nunca deixarão de atribuir à Graça.
O grande dilema da pessoa humana, que atravessa culturas e tempos, independentemente das mundividências ou mesmo da sua falta, será sempre o de confrontar a vida, individual e colectiva, com um sentido. Nessa busca, mesmo antes de avultar na consumação do diálogo, a sensibilidade dos artistas constituirá sempre poderoso guia estelar, mesmo se o deflagrar de tantos desesperos obnubilem, demasiadas vezes, a força regeneradora da esperança. É disto que se trata, sentido e esperança, quando falamos de Natal. E foi este Natal que permitiu aos artistas traduzir em matéria não apenas o hino, como a razão do louvor.
Recorro ao Elogio fúnebre de Santa Paula, escrito por São Jerónimo, para deixar a formulação de um voto, fixando-me na descrição da visita de Paula à Basílica de Belém: «Ela jurou-me que via, com os olhos da fé, o Menino envolto em panos chorando no seu presépio; os Magos adorando a Deus; a estrela brilhando por cima; a Virgem Mãe, José solícito; os pastores vindo de noite para testemunharem o sucedido». Via... com os olhos da fé. Que o Natal de Jesus também se mostre, pelos olhos da nossa fé, às mulheres e aos homens que nos molduram a existência. Para que possamos dizer, como o escreveu Santo António de Lisboa, e a uma voz, ao Jesus do Presépio e ao Cristo da Cruz: ‘Aqui estamos, somos os teus ossos e a tua carne!’

João Soalheiro
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