de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 04 Julho , 2008, 16:51

O país do copo meio cheio ou meio vazio

No programa “Prós e Contras”, da RTP1, emitido no passado dia 30 de Junho, o assunto proposto para debate dava pelo título “Que estratégias para Portugal”.
Presente o Ministro da Economia, um Deputado do PSD, economistas e empresários.
Como sempre, nestes tipo de programas, fazer perguntas não é garantia alguma de obter uma resposta precisa e clara e, muitas das vezes, quando esta é dada, nada tem a haver com a pergunta formulada, inicialmente. Estamos habituados a isso há imensos anos e, de algum modo, este tipo de atitudes faz parte do jogo das regras da argumentação democrática, desde que não se use e abuse deste expediente, como é, infelizmente, o comportamento de muitos políticos da nossa praça.
Desde o início do programa, creio que foi evidente para os espectadores que o Ministro Manuel Pinho e o Deputado do PSD (de que não me recordo o nome) estavam a fazer marcação “homem a homem”, procurando cada um deles tirar os melhores proveitos possíveis em benefício do Governo e do PSD, respectivamente.
A dado passo, entram os empresários no debate e, entre estes, há um que, virando-se para os dois políticos, diz-lhes, preto no branco: “Nós não temos tempo para ser enganados e o que se tem passado aqui é só retórica!”, para logo acrescentar que “o país está em campanha eleitoral permanente, na vez de o gerirem.”
Ao mesmo tempo que o continuava a escutar, lembrava-me da baixíssima formação da generalidade dos empresários portugueses, a nível empresarial e de gestão, uma realidade que é reconhecida nacional e internacionalmente e que ajuda a explicar, em muito, a baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, no seu próprio país, e a alteração, para bem melhor, quando estes vão trabalhar para empresas no estrangeiro, onde são respeitados e considerados pela sua dedicação ao trabalho. Absorvido com estes meus pensamentos e com as palavras que escutava, oiço, de repente, esta frase: “Os empresários portugueses precisam de um choque!” (sic), para logo dizer que: “Eles [os empresários portugueses] não podem querer ter lucros rápidos. Têm que ter paciência e organização”, dando a entender que o lucro rápido e fácil é o principal factor que mais contribui para a fragilidade de qualquer empresa.
De facto, estas declarações fugiam ao discurso típico do miserabilismo e das lamentações, tão ao jeito de alguns empresários portugueses, que, sempre que possível, lá estão a pedir mais um subsídio a qualquer Governo, prestando-lhe vassalagem e usando o chamado tráfego de influências.
Mas, afinal, quem é este empresário? É português, filho da pai húngaro e de mãe de ascendência inglesa e portuguesa. Chama-se Peter Villax e é o administrador da empresa Hovione. Naturalmente, fui procurar o que era a Hovione e logo descobri que é uma empresa portuguesa de topo, “especializada na área da ciência da saúde”, que investiga e fabrica produtos farmacêuticos de base de última geração, ou seja as substâncias activas que constituem os medicamentos. A Hovione é o maior investidor em Investigação e Desenvolvimento (I&D) na indústria farmacêutica portuguesa detendo 400 patentes no mundo inteiro. Com uma facturação anual, em 2006, de aproximadamente 93.7 milhões de dólares, a nível mundial.
Mais palavras para quê? Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso andar nas bocas do mundo para fazer parte da elite e da excelência. O que é preciso é saber trabalhar, investir, desenvolver e organizar, em equipa. Como dizia Peter Villax, nós somos um país do tipo “copo meio cheio ou meio vazio,” e não há nada pior do que isto, para dizer tudo e nada sobre a mesma coisa e fomentar a incerteza e a estagnação. É pena que Portugal tenha tão poucos empresários com esta visão e dimensão, porque não é fatalismo nem nenhum fado que nos torna piores do que os dos outros países desenvolvidos. A não ser, como dizia um dos economistas presentes: “O que os portugueses gostam é de serem bem enganados!”. Será mesmo assim ou já aprendemos a que não façam de nós uns permanentes distraídos, se não mesmo uns idiotas?

Vítor Amorim

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