de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sábado, 30 Agosto , 2008, 21:16

Esta afirmação é admirável. Reconhece em nós a bondade que precisa de ser cultivada. Manifesta o propósito de empreender o esforço necessário para que se desenvolva e revitalize. Alarga e abre o horizonte humano a uma dimensão nova, presente na vida, mas escondida à maneira de semente lançada à terra, e eleva-o a um nível em que o divino e o humano se harmonizam em Jesus Cristo.
A vida abrange um universo muito mais amplo que o do ser humano. No entanto, é neste ser humano que ela adquire qualidade superior, sinal e reflexo de Deus em nós e apelo forte a que alcancemos a satisfação das nossas aspirações mais sublimes.
Dar vida ao que é bom centra a nossa atenção na bondade do ser humano e nas múltiplas modalidades em que se expressa. Faz-nos entrar em sintonia com o ver original de Deus em que sobressai que tudo o que tinha sido criado era bom, com o olhar de Jesus em que se destaca a lisura e a transparência das suas atitudes e dos seus comportamentos, com a finura penetrante do Espírito que se propõe renovar, com a nossa ajuda, o coração da humanidade e a face da terra.
Mas o que é bom em nós? Muitas respostas têm sido protagonizadas por gente ilustre. Hoje, servem-nos de guias Jesus de Nazaré e Simão Pedro.
Encontram-se eles a conversar sobre o propósito de Jesus querer ir a Jerusalém, cidade onde se concentrava o poder e a exposição ao perigo de condenação era efectiva e iminente. Pedro opõe-se terminantemente. Era impensável correr tal risco e fazê-lo deliberadamente.
O diálogo entre ambos é breve, mas eloquente: “Deus te livre” – afirma Pedro. “Sai da minha frente, Satanás”- replica Jesus. De facto, o narrador do episódio acentua que a resposta de Jesus é dada com os olhos fixos em Pedro.
E a pergunta surge com naturalidade: Onde está o que bom para nós? Na atitude de Pedro que quer evitar o perigo do sofrimento, a proximidade do aprisionamento, a previsível condenação à morte e execução infamante? Ou todo este cuidado não se coaduna com a sua ideia de Messias vitorioso, de Salvador de Israel, de Mestre admirado e seguido por tantos?
De facto, era impensável. Aliás como todos os ensinamentos de Jesus: os pobres serem protagonistas no reino de Deus, os excluídos terem o seu lugar na sociedade justa, os famintos sentarem-se à mesa da abundância, os escravos igualarem os senhores em dignidade, o indigente constituir o vigário de Deus na terra. Era novidade e surpresa que qualquer judeu, sobretudo se instruído nas leis então vigentes, podia compreender.
“Sai da minha frente e vai para traz de mim a fim de me seguires” é o sentido da resposta de Jesus. Não queiras ser tu a decidir o que é bom. Aprende em que consiste o projecto de Deus. Renuncia à tua ambição pessoal e ao egoísmo. Carrega com a tua cruz. Vence os preconceitos. Recupera a liberdade e a alegria. O amor vence a morte. E Deus Pai garante a ressurreição, dando vida nova ao que em nós é bom.
Georgino Rocha
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Anónimo a 26 de Setembro de 2008 às 23:23
"Dar vida ao que em nós é bom", é um artigo que faz bem ao coração. Quer pela profundidade da mensagem, quer pela beleza da forma como a mesma nos é transmitida.
Todavia,o que mais me tocou foi " o indigente constituir o vigário de Deus na terra". De facto, fez-me mais uma vez reflectir no amor do Mestre pelo discípulo. Quanta paciência e sabedoria teve Jesus com Pedro, para optimizar tudo o que nele havia de bom, criando-lhe o desejo de parecer com o Mestre.
Obrigada,Doutor Georgino Rocha

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