de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 02 Julho , 2009, 14:55
Alfredo Ferreira da Silva na sala de jantar da Casa Gafanhoa

Os trajes são de gente simples,
porque a Gafanha nunca foi terra de fidalgos


No próximo dia 11 de Julho, o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN) vai realizar o seu XXVI Festival Nacional de Folclore, com a participação de cinco grupos. Esta iniciativa, que tem sido, ao longo de 26 anos, a mais expressiva, ao nível da cultura popular, levada a cabo pelo grupo, mostra à evidência a vitalidade desta associação, ostentando garantias de continuidade, pela força da juventude que a integra.
Nasceu a partir de uma festa de final do ano catequético da nossa paróquia, registando a história o dia 1 de Setembro de 1983 como data de fundação. Assume em 11 de Julho de 1986, por escritura pública, a sua existência legal. Desde a primeira hora, tem sido, sem dúvida, um extraordinário baluarte da cultura da região e um grande embaixador da Gafanha da Nazaré, quer no País, quer no estrangeiro.

Manequim representativo da gafanhoa

Em antevésperas de mais um Festival Nacional de Folclore, quis ouvir um dos seus fundadores e presidente da direcção, Alfredo Ferreira da Silva, com o objectivo de dar a conhecer aos meus leitores um pouco da vida desta instituição cultural, que já atingiu, há muito, a maioridade.
A conversa decorreu no ambiente mais apropriado, na sala de jantar da Casa-Gafanhoa, espaço museológico representativo de uma habitação de lavrador rico dos princípios do século XX.
Alfredo Ferreira da Silva recorda que os 26 Festivais de Folclore da Gafanha da Nazaré correspondem à idade do Grupo Etnográfico, como associação cultural com intervenção nas áreas da pesquisa, do estudo, do registo, dos ensaios e das actuações. A oficialização veio mais tarde, depois de confirmado que na nossa região havia tradições que mereciam e deviam ser recordadas, revividas e divulgadas.
Ferreira da Silva quer continuar a mostrar o que a nossa terra tem neste sector da cultura. No entanto, adianta que os responsáveis do GEGN têm de enfrentar a situação de alguns colaboradores, que “têm pouca disponibilidade de tempo”. Acrescenta que “a vida de hoje é um bocado diferente e difícil”.
Recorda que “outros vão envelhecendo e já não podem fazer tudo o que é necessário fazer; apenas vão coordenando e apoiando os mais novos.”
O presidente do Grupo Etnográfico sublinha, contudo, que, “felizmente, têm aparecido muitos jovens, até ao 12.º ano de escolaridade; quando entram nas universidades ou se empregam, nem sempre podem dar o seu contributo, embora alguns o façam, apesar dos sacrifícios por que têm de passar”.
Questionado sobre o envolvimento dos mais novos nas pesquisas e estudo das nossas raízes, Ferreira da Silva garante que essa tarefa ainda está mais nas mãos dos que andam no grupo desde a primeira hora. São, portanto, os mais velhos que recolhem as nossas tradições, nomeadamente, nas áreas das músicas, danças e cantares. Muitas recolhas estão na “mala”, não podendo ser divulgadas, apenas porque “o reportório já é bastante grande”, informa.
Quanto a participações nos mais diversos festivais para os quais o GEGN é convidado, Ferreira da Silva explica que houve uma fase inicial de grande entusiasmo, próprio da juventude. “Havia saídas às sextas-feiras, sábados e domingos e até às segundas-feiras; eram fins-de-semana muito ocupados e muito cansativos; a partir de certa altura, optámos por saídas aos sábados e domingos, neste caso só se for perto, porque os membros do grupo têm de trabalhar ou estudar às segundas de manhã”, esclareceu.
O GEGN tem compromissos com a Câmara Municipal de Ílhavo, no sentido de participar nos eventos para os quais é convidado. Assinou um protocolo com a autarquia, recebendo dela um subsídio anual, fundamental para a subsistência da associação. Outras receitas resultam de “jantares, rifas e quermesses organizados para o efeito”. Ainda recebe apoios do Instituto da Juventude e da Junta de Freguesia. Neste caso, não muito significativos, “porque as receitas da Junta não devem ser muito grandes”.
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Manequim representativo do gafanhão

O GEGN considera que a filiação na Federação do Folclore Português (FFP), ocorrida em 16 de Maio de 1988, significa, como regalia a ter em conta, “a garantia de qualidade”. E acrescenta: “Os dirigentes e técnicos da Federação estão constantemente a exigir rigor nas visitas que fazem aos seus filiados, o que é muito bom, para não se apresentar gato por lebre.”
Ferreira da Silva fez questão de sublinhar que o Folclore não é espectáculo para toda a gente, mas apenas para quem sabe apreciar trajes das regiões e de determinadas épocas, suas danças e cantares, ritmos e postura do corpo. “Quando convidamos grupos para os nossos festivais, pedimos, normalmente, que apresentem o seu folclore genuíno, porque não podemos deixar de ser exigentes”, frisou.
E sobre os trajes apresentados pelo GEGN, salienta que são todos de gente simples e de trabalho. “A Gafanha nunca foi terra de fidalgos”, esclarece.

Fernando Martins



XXVI Festival Nacional de Folclore
da Gafanha da Nazaré

Data: 11-07-2009
Local: Largo anexo à Alameda Prior Sardo
Grupos participantes: Orfeão da Feira – Vila da Feira; Rancho Folclórico e Etnográfico e Arzila, Soure; Grupo Etnográfico “Os Esparteiros de Mouriscas”- Mouriscas – Abrantes; Centro Recreio Popular S. Félix da Marinha – Vila Nova de Gaia; e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.

Programa:
16.30 horas – Recepção aos grupos participantes
17 horas – Visita à Casa Gafanhoa e cerimónia de boas-vindas, com entrega de lembranças
18.30 horas – Jantar na Escola Preparatória da Gafanha da Nazaré
21 horas – Início do desfile
21.30 horas – Abertura oficial do Festival
22 horas – Início do Festival

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