de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 10 Junho , 2008, 22:36

Escravos da Economia?


1. Os noticiários das últimas semanas, de sobremaneira, procuram ser autênticas aulas de economia. Especialistas das diversas áreas económicas convergentes procuram explicar, até ao limite, todos os pormenores do que está a acontecer na economia mundial. As múltiplas greves confirmam na rua o mal-estar consequente às loucuras petrolíferas e financeiras. Da Europa a notícia do alargamento das horas de trabalho semanal. Os próprios governos de chancela tipicamente social estão vergados de tal forma que a primeira palavra de todos os discursos é sempre «economia» e só depois, lá para o final, então vem a palavra «social». A competitividade, sem olhar a grandes meios para atingir todos os fins vitoriosos, é palavra-chave já desde criança, para quem até a “lavagem” noticiosa dos juros e dos combustíveis vem dizer que parece não haver mundo para além da economia.
2. Juntando a toda esta feira económica, estamos em pleno campeonato europeu de futebol, Euro 2008, onde, a par das festas colectivas, são exorbitantes os números económicos das transmissões televisivas, para já não falar das loucuras clubísticas que conseguem sempre uns largos milhões para “comprar” novos deuses, os jogadores de futebol. Talvez tudo pareça surreal demais para ser a verdade da nossa actualidade. Apelidamo-nos de mundo desenvolvido, e muitas vezes como contraposição ao mundo subdesenvolvido de que temos também grande quota de responsabilidade histórica (pois que os países europeus assim proporcionaram). A Europa e o mundo estão em plena transformação, numa corrida atroz para ver quem chega primeiro a tudo; nesta corrida (que demonstra tão pouco desenvolvimento humano), regressa o triunfo da lei do mais forte.
3. Das realidades mais importantes dos dias de hoje, e com a aprendizagem da história (económica), talvez seja o tornar bem patente dos mecanismos de interacção económica. Não ver só o agora, mas perscrutar o depois. O endeusamento económico será a fatalidade de uma selva mortífera para os mais frágeis; o regressado deus-economia agrava as fracturas e desigualdades já existentes mas, simultaneamente, fará crescer sempre essa revolução da multidão “contra” a meia dúzia de senhores do mundo. É um erro dizer sempre a palavra economia em primeiro lugar, pois esta opção demonstra a menor visão das funções humanas da própria economia. Sendo verdade que o realismo obriga a enfrentar com inovação e esperança as complexas questões económicas, todavia estas não são um fim em si mesmo, mas sim um serviço com sentido de humanidade. A ética do trabalho (para todos) e a dignidade humana, nunca perdem a validade; antes são factor primordial de desenvolvimento. Este não se esgota, está muitíssimo acima dos factos da economia.


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