de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 09 Julho , 2008, 08:17

Paulo e a universalidade do cristianismo

Como estava anunciado, há muito, pela Santa Sé, iniciou-se, no passado dia 28 de Junho, a celebração do Ano Paulino, que coincide com o bimilenário do nascimento do Apóstolo Paulo. Para o efeito, O Papa Bento XVI deslocou-se, nesse dia, à Basílica de São Paulo Fora de Muros, onde presidiu à celebração das primeiras Vésperas da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo.
Nesta cerimónia estiveram presentes delegações de outras confissões cristãs, para além do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I. Gestos que se traduzem num expressivo sinal de universalidade e de sentido ecuménico da fé em Jesus Cristo, através do testemunho do Apóstolo das Gentes.
Nesta comemoração de fé e júbilo, Bento XVI teve ocasião de dizer, a propósito de Paulo, que: “A sua fé é o ser atingido pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o abala até às entranhas e o transforma. A sua fé não é uma teoria, uma opinião sobre Deus e sobre o mundo. A sua fé é o impacto do amor de Deus sobre o seu coração. E, assim, esta mesma fé é amor por Jesus Cristo.”
Também, o Patriarca Bartolomeu I se referiu a Paulo como o homem que estabeleceu a aliança entre a língua grega e a mentalidade romana do seu tempo, “despojando a cristandade, de uma vez para sempre, de qualquer estreiteza mental, e forjando, para sempre, o fundamento católico da Igreja ecuménica.”
Paulo, como ninguém, até aí, não só tem a experiência e a vivência contínua de que é amado por Cristo, como ele próprio afirma: “vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a Si mesmo por mim” (Gal 2,20), bem como sente a universalidade deste mesmo amor, pelo que a mensagem que proclama só adquire o seu pleno sentido desde que ultrapasse todo o tipo de fronteiras existentes e vá ao encontro de cada um homem e mulher, sem limites geográficos, distinção de estatuto económico-social ou origem cultural. “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo” (Gal 3,28).
Num mundo, como eram as cidades greco-romanas, onde os escravos, as mulheres e as crianças eram humanos, mas não pessoas, pois só os cidadãos livres eram pessoas com plenos direitos e deveres, o cristianismo, através de Paulo, não só ultrapassa estas fronteiras sociais e culturais como oferece, a cada cidadão, uma nova consciência de si próprio, que se traduz numa nova pertença real, solidária e simbólica.
Esta nova pertença a uma nova Humanidade tem o seu centro comum no baptismo, ou seja, na decisão de cada pessoa colocar a sua existência sob o amor incondicional de Jesus, crucificado e ressuscitado, e a aceitação de um novo caminho para a sua vida. “Foi num só Espírito que todos nós fomos baptizados, a fim de formarmos um só corpo, quer de judeus, quer de gregos, quer escravos, quer livres…” (1º Cor 12,13).
A esta dimensão comum e universal do amor de Cristo por todos os homens e da opção, livre, destes, através do baptismo, acederem a um novo caminho e a uma vida nova – “Pelo Baptismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova” (Rm 6,4), Paulo acrescenta aquilo que será o centro imutável da sua fé, ao longo de toda a sua pregação e ressurreição de Jesus “E se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação e vã a nossa fé” (1º Cor 15,14).
Contudo, para Paulo, este centro fixo não lhe tira o discernimento nem a capacidade de ter um pensamento móvel; antes o reforça. Tudo isto permite-lhe estar sempre atento às circunstâncias e necessidades, sobretudo doutrinais e catequéticas, de cada momento e local, onde o cristianismo estava a florescer, através da genialidade e da singularidade com que se expressa na pregação transformadora e salvífica da Boa Nova.


Vítor Amorim

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