de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Domingo, 13 Junho , 2010, 08:34

PELO QUINTAL ALÉM – 25

 

 

 

 

A HIDRANJA

 

 

 

 

A

meus vizinhos

Hortênsia e Hortênsio

 

Caríssima/o:

 

a. Hidranjas ou hortênsias são flores muito interessantes e que estão a florir com muita intensidade. No quintal podemos apreciá-las: azuis, rosas, brancas..., (contrariamente ao que afirmam os teóricos).

 

e. Não me recordo de nenhuma destas plantas pela Gafanha, nos nossos tempos de juventude.

 

i. Usos: utilizada em jardins para plantio como bordaduras, maciços, renques ou cercas-vivas. Deve evitar plantar-se hortênsias junto a árvores ou outras plantas com as quais ela possa competir pela humidade.

Os entendidos afiançam que a cor das flores depende da natureza do terreno onde estão plantadas e então indicam cuidados e «tratamentos» para se manter uma determinada coloração. Como digo acima, tenho-as de colorido vário e umas próximas das outras. Contudo, sempre adianto para os mais curiosos (e interessados!?) que se pretenderem que a hortênsia produza flores violetas devem colocar palhas de aço usadas dentro de água. Deixem até que a água esteja da cor da ferrugem. Depois reguem a hortênsia com esta água uma vez por semana. (Não garanto, mas a receita é esta... Já agora, se quiserem que fiquem muito azuis, despejem uma quantidade de pregos velhos junto à raiz... estou a ver alguns sorrisos incrédulos...)

Costumo podá-las quando acaba a floração. Aconselham que não se cortem os galhos que não tenham dado flores pois são os que as darão no ano seguinte.

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 06 Junho , 2010, 07:30

 

PELO QUINTAL ALÉM – 24

 

 

 

 

O MALMEQUER

 

A

todas/os que desfolham

malmequeres

 

 

Caríssima/o:

 

a. Para escrever, mesmo sobre assunto que nos prenda e submeta, torna-se uma necessidade criar silêncios e cortar com os puxões da vida. Não admira que o malmequer me esteja a chamar insistentemente e quase a implorar a minha disponibilidade... e eu, nada... Só a abelha que pousou no centro amarelo daquela flor me sorriu à página branca e conseguiu que as teclas se submetessem às regras da escrita... (Para evitar falsos juízos, não é o insecto que aparece na imagem!...)

De facto, no quintal, os malmequeres são uma nota de cor na verdura que tudo subjuga.

 

e. Pela Gafanha, o malmequer espreitava aqui e ali com a sua flor branca e mãos piedosas aprimoravam-se nos arranjos dos altares ou nas campas dos familiares.

 

i. E é e era pelas suas flores que esta planta se acarinhava...

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Maio , 2010, 08:07

 

PELO QUINTAL ALÉM – 23

 

 

 

 

O BUXO

 

 

A

ti António da Rita

 

Caríssima/o:

 

a. A imagem do labirinto traz-nos à ideia o buxo; e, de facto, esta é a planta ideal para estes trabalhos de engenharia de jardinagem. No nosso quintal ficamo-nos por umas sebes que tentam imitar umas empenadas ameias de castelos quase em ruínas.

 

e. E apesar de o buxo ser frequente  no Médio Oriente e na Europa e de em Portugal ser cultivado de Norte a Sul, pelas Gafanhas, apenas o encontrávamos a marcar os caminhos do cemitério. Por que seria (ou será)?

 

 

i.  A madeira de buxo é extremamente dura, compacta e resistente.

Em virtude desta dureza, os antigos utilizavam o buxo na fabricação de vergastas, varapaus (que os homens usavam como defesa pessoal), bengalas, colheres de pau, piões, pentes, flautas e clarinetes e tábuas de escrever. (Estas últimas eram recobertas por uma camada de cera e, depois, podia-se escrever sobre uma base sólida.) Boa também para travincas ou chavelhas.

Ainda hoje é empregada no fabrico de bolas de bilhar e de objectos de uso doméstico bem como de  instrumentos musicais, matemáticos e náuticos.

Mas para a pequenada do nosso tempo o encanto ia para os piões torneados pelo ti António da Rita!

 

o. Propriedades medicinais indicadas para esta planta: antiasmática, anti-reumática, anti-sifilica , depurativa, diurética, laxante, purgativa,sudorífica, tónico capilar.

Logo, com várias aplicações: Para uso interno não deve ser consumido a não ser em pequenas doses devido ao seu teor narcótico. Há quem use em doenças de fígado e febre. Para cabelo, em lavagens com água quente e abafar. É também usado para o reumatismo, sífilis e suadouros.

Contudo,  o seu uso deve ser evitado por grávidas, lactantes, e em casos de hipotensão e fraqueza geral. Não é recomendado para crianças em qualquer circunstância. Doses excessivas poderão causar transtornos no sistema nervoso, assim como perturbações gástricas.

E cuidadinho, porque podem mesmo causar vómitos, convulsões e  até a morte.

 

                                                                                                                                     

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 23 Maio , 2010, 15:47

 

PELO QUINTAL ALÉM – 22

 

 

                                     

A URTIGA

 

A

ti Terrinca

 

 

                                                            

Caríssima/o:

 

a. A urtiga é uma planta mal-amada.

E perguntarás a razão desta minha afirmação.

Claro que já enxuguei lágrimas abundantes e sinceras da face de mais de um neto, que as urtigas não perdoam e a dor é intensa e irritante.

Planta indesejada, nasce nos sítios mais incríveis do quintal e onde menos nos agradaria encontrá-las.

 

e. Por terras da Gafanha talvez a urtiga seja das ervas mais vulgares e que mais pragas  arranca dos lábios dos lavradores que porfiam.

Alguns terão feito a «experiência» de Esopo, sim aquele que viveu entre o ano de 640 ao de 560 antes da era cristã?

Dizia ele que: «Uma criança foi ferida por uma urtiga. Correu para a sua mãe e disse: - Urtigou-me fortemente, mas eu só a toquei levemente.

Por isso te urtigou disse a mãe, da próxima vez que te aproximes de uma planta dessas, agarra-a com força, sem carícias, e então será tão suave como seda, e não te maltratará novamente..

MORAL : - "Ao insolente, ao desrespeitoso, ou delinquente, deve demonstrar sempre que a autoridade prevalece sobre ele!"»

 

A minha experiência foi diferente e o encontro também inesperado: comprei, no ano de 1960, curiosamente no dia 25 de Abril, na Feira de Março, os cinco volumes de Os Miseráveis, de Vítor Hugo. Imaginai o meu espanto ao deparar, na página 185, com estas palavras:

“Num dia contemplava uma porção de gente ocupada em arrancar urtigas de um campo; olhou para o montão de plantas já arrancadas e secas, e disse:

- Estão inutilizadas. Não obstante, seriam aproveitáveis se soubessem servir-se delas. Quando a urtiga é nova, a sua folha é um legume excelente; depois de velha, tem filamentos e fibras como o cânhamo e o linho. O  tecido de urtiga vale bem o de linho. Migada, a urtiga é excelente para a criação; moída é boa para o gado vacum.  A baga da urtiga misturada com a forragem torna lustroso o pêlo dos animais; a raiz misturada com sal produz excelente cor amarela. No fim de tudo é muito bom feno, que pode ceifar-se duas vezes. E o que exige a urtiga? Pouca terra, nenhum cuidado e menos cultura ainda. Somente a baga é difícil de colher, por isso que cai à medida que vai amadurecendo; e eis aqui tudo. Com algum trabalho tornar-se-ia útil a urtiga: desprezam-na, torna-se nociva, e então destroem-na. Quantos homens se assemelham à urtiga!

E depois de certo silêncio acrescentou:

- Meus amigos, não se esqueçam nunca de que não há nem más plantas, nem maus homens. O que há são maus cultivadores.”

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 09 Maio , 2010, 09:00

 

PELO QUINTAL ALÉM – 20

 

 

 

A ROSA

 

A

José Passos,

ti Casqueirita, Manuel Casqueira

 

                                                            

Caríssima/o:

 

a. Reparando na imagem, é sem surpresa que a rosa enfeita o nicho que bordeja a avenida; há outras plantas mas a roseira fez questão de ocupar um lugar de privilégio.

O inventário das rosas do quintal foi tarefa de Amigo que, chegando o nariz a cada uma delas, me segredou: - Tendes muitas roseiras [até disse o número...]... e olha que as mais vistosas não são as que cheiram melhor... Cheira esta!- e indicava uma humilde rosa de Santa Teresinha...- Mas aqueloutra tem um perfume delicioso.

Se não fosse o esquisito critério de termos de empregar muitas palavras para não dizer nada... apetecia-me encher o espaço só com flores, rosas, pois claro!

 

e. E pelas nossas Gafanhas, rosas, nesta altura,... bem, só visto.

E depois os altares?

Verdade que, nos dias que vão correndo, muitos primam pondo nos seus jardins flores seleccionadas que compram nos hortos. Antigamente não era assim; o mérito estava na troca e na cedência.

 

i. Também os espinhos motivam esgares de face e trejeitos no nariz: deixá-los!  Para os que vivem a apreciar a vida e a natureza sabem que rosa sem espinhos é como comida sem sal!

A grande força desta planta é a sua  flor: cor, odor, ...

 

o. De origem asiática, há pelo menos 4 mil anos antes de Cristo, os assírios, babilónios, egípcios e gregos já usavam esta flor como elemento decorativo e para cuidar do corpo e em banhos de imersão.

Para além de decoração, as rosas são usadas na produção de cosméticos, remédios e infusões para chás aromáticos.

Ora, a minha memória remonta com frequência a uma bacia com rosas e outras flores mergulhadas em água e que passou a noite ao relento na noite de S. João. Logo de manhãzinha a cara ficou como nunca!...

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Maio , 2010, 07:52

PELO QUINTAL ALÉM – 19

 

 

 

:

 

 

O SABUGUEIRO

 

A

Chico da Lila,

Companheiros da Cambeia e do Esteiro

                                         

Caríssima/o:

 

a. Não fora a memória das vivências de criança e onde já estaria o nosso sabugueiro!?... O António Lamarão bem teimava que só está a ocupar terreno e que não dá nada... é só sombra e a comer o que é devido às videiras... Apesar disso e de muito mais, lá estão as suas flores a anunciar que a Primavera avança e traz consigo os perfumes, as cores e, mais tarde, os sabores que nos vão transportando rumo ao futuro.

 

e. Nos nossos tempos de escola, longe ainda plásticos e acrílicos, era com os ramos do sabugueiro que fazíamos os nossos tubos para espingardear companheiros e companheiras. Tirava-se a medula, introduzindo um arame, e o tubo estava pronto e à espera das balas de papel amassado.

E também no Esteiro, o Chico da Lila fazia um figuraço mergulhando e com o tubo lá se mantinha debaixo de água, passeando pelo fundo, para regalo e gáudio da rapaziada.

Não me recordo onde estava a planta fornecedora da matéria prima, mas devia ser em algum esconso onde só os gatos teriam poiso.

 

i. Certo é que não se vislumbrava utilidade para além das que aí ficam; evidente, também se queimava em fogueira cujo calor abriria os berbigões e escaldava as couves para a lavagem dos recos.

 

o. Geralmente, utilizam-se flores de sabugueiro para fins terapêuticos. Indicado para afecções pulmonares, bronquite, dor de garganta e como expectorante; ainda para inflamações nos olhos, purificador do sangue e também actua nos reumatismos, na purificação dos rins, e provoca o suor.

É muito comum, até nos dias de hoje, colocar flores de Sabugueiro na água da banheira, para relaxamento e pele cansada.

 As bagas secas são excelentes contra a diarreia (mastigar dez bagas - frutos, 3 vezes por dia).

Nesta altura em que tanto se fala da gripe, surge um facto novo: um grupo de pessoas, em Salzedas, tem nos últimos quatro anos tomado licor de bagas de sabugueiro. Afirmam que neste tempo ainda nenhum se constipou, muito menos foi apanhado pela gripe.

 

 As flores de sabugueiro são  lindas e perfumadas e, na culinária, servem para enfeitar saladas, doces, sempre usadas cruas e frescas.

 

De facto, as virtudes desta planta (das flores, folhas, cascas, bagas,...) são tais e tantas que o que aí fica certamente aguçará a curiosidade...

 

u. Haverá algo mais a acrescentar?

Se há... Umas curiosidades:

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 25 Abril , 2010, 00:15

 

PELO QUINTAL ALÉM – 18

 

 

 

 

 

 

A MADRESSILVA

 

A

ti Evaristo Loureiro

                                                            

Caríssima/o:

 

a. Plantada junto ao portão a madressilva lá se encontra e exala o seu perfume característico que é o seu grande trunfo.

É planta assaz pouco simpática se não for dominada: invade e sobrepõe-se a outras  que abafa. Assim se transforma numa praga e torna-se indesejável.

 

e. Foi na Gafanha o meu primeiro encontro com a madressilva e vem desde a meninice a minha admiração pelo  odor das suas flores. Era um tronco razoavelmente grosso e não muito alto que, junto à porta de entrada da casa de meu Padrinho, lhe escancarava o rosto num prazer único que partilhava connosco.

Daí levei uma haste que tem proliferado pelo nosso quintal... onde espalha a sua agradável fragrância.

 

i. Planta melífera por excelência, na sua floração e folhagem verde macia reside o motivo da sua escolha como planta ornamental para sebes, caramanchões e pérgulas e para cobrir muros.

Por outro lado constitui também um bom revestimento para solos, crescendo rapidamente e ocultando a terra ou segurando os terrenos de uma encosta, evitando a sua erosão.

 

o. No que respeita às suas características medicinais atribui-se às suas flores e folhas propriedades anti-sépticas, diuréticas, adstringentes e laxativas, sendo  utilizada  para evitar ou combater as anginas, a colibacilose e a tosse.

Em todo o caso, ficam umas advertências:

Todas as madressilvas são tóxicas em maior ou menor grau, incluindo o seu fruto, uma baga vermelha.

Não cultivar próximo a dormitórios, pois as pessoas alérgicas a perfumes poderão apresentar reacções.

 

u. E creio que alguma surpresa poderá surgir com esta invocação

 

 Nossa Senhora da Madressilva

 

Alguns artistas portugueses representaram vários aspectos da devoção popular a Nossa Senhora. Entre elas aparece o título de Nossa Senhora da Madressilva.

No Museu Regional de Aveiro, há uma gravura  com este título.

 

E terminemos de maneira diferente com uma oração:

 

Fazei, ó Deus, que, ao celebrarmos a memória da Virgem Maria sob o título de Madressilva, possamos também, por sua intercessão, participar da plenitude da vossa graça.

Por Cristo Senhor nosso. Amém.

 

 

 

                                                             Manuel  

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 18 Abril , 2010, 09:39

PELO QUINTAL ALÉM – 17

 

 

 

 

O ALECRIM

 

A

ti Céu Zanaga,

ti Alexandrina Margaça

                                                            

Caríssima/o:

 

a. O tempo voa e, levados nas suas asas, vem-nos a tentação de olhar para trás... Já lá vai a Páscoa e antes dela os Ramos que, onde são vividos, levam os Cristãos para a rua com os seus «ramos»  a vitoriar o Cristo.

Foi aí que o nosso alecrim surgiu como vítima e herói, como fácil te levou o raciocínio: cortado, esfrançado, atado e amarrado, para depois ser levantado, benzido e abençoado, trazido para casa e colocado no altar da oração do lar como presença amiga e testemunha do nosso compromisso.

 

e. Também assim na Gafanha da nossa meninice: no jardim ou pelos caminhos, crescia e florescia como arbusto a que muitas vezes se associavam pensamentos mais curvos que os caminhos...

 

i. ...Que também se faziam defumadoiros em tempos de invernia para desinfectar ou, quantas vezes, para afugentar “sombras” que os vivos nos entretecíamos a projectar na escuridão.

Uma que outra, em excepção, usava-o na culinária, para assados, vinhos-d'alho e alguns o queimavam em experiências de assados de brincadeiras de juventude.

 

o. Para além da tal desinfecção dos ares e dos brônquios não ia o alecrim mas, convenhamos sem dificuldades que esta erva terá virtudes curativas que nos indicam sábia e profusamente: “A sua essência entra em muitos medicamentos, composição de bálsamos para fricções, e de certos produtos de perfumaria - água de Colónia, por exemplo.

O alecrim é, principalmente, um medicamento estimulante para todas as pessoas atacadas de debilidade extrema, e emprega-se também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.

Uma tosse pertinaz desaparecerá com infusões de alecrim.

Também se recomenda a todas as pessoas cujo estômago seja preguiçoso para digerir.

Uma infusão de alecrim faz-se com 4 gramas de folhas por uma chávena de água a ferver. Tome-se depois das refeições.”

Claro que se deve ouvir sempre a autoridade clínica e nunca esquecer que, apesar de não haver contra-indicações, “as preparações de alecrim não devem ser tomadas durante a gravidez”.

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 11 Abril , 2010, 09:37

PELO QUINTAL ALÉM – 16

 

 

O PINHEIRO

 

A

Mestres

Manuel Maria Bolais Mónica

Manuel da Rocha Fernandes Júnior

Manuel Soares Sardo

                                         

Caríssima/o:

 

a. Também sou dos que pensam que o pinheiro liga bem com Natal e, no íntimo, reservava-lhe esse cantinho para o fazer surgir com o máximo de fulgor.

Só que, nesta semana da Páscoa, o pinheiro impôs-se e quase exigiu que o mostrasse pois era a sua melhor altura. De viagem, numa ligeira subida, dou de caras com uma mancha de pinheiros todos floridos, mesmo a provocarem-me! Por várias vezes foram os eucaliptos que me atraíram para as suas flores discretas; mas agora bem iluminadas pelo Sol, as flores eram outras, de um castanho lustroso. E pensei: “será que os do nosso quintal também estão cheios de flores?”

Transposto o portão a dúvida virou evidência: apesar de baixos e de relativamente novos, estão cobertos, desfeitos em flores!

 

e. Não pude verificar porém, nas crastas da Gafanha e na Floresta Nacional, certamente a oferenda se repete numa promessa de pinhas pejadas de pinhões!

Será que os mais novos distinguem os pinheiros na paisagem?

Sim, que os da minha geração se recordarão dos pinhais que bordejavam a nossa Gafanha, ali para os lados da Mata...

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Abril , 2010, 09:32

PELO QUINTAL ALÉM – 15

 

;

A GLICÍNIA

 

A

minha Madrinha Rosa,

meu Padrinho Manuel

e  Afilhadas e Afilhados.

                                                            

Caríssima/o:

 

a. Abrindo o portão à Páscoa, logo nos surpreende a glicínia, com os seus cachos de flores azuis pendentes da latada, em frente da casa. E não é só a cor, nem a forma, também o odor característico nos identifica com a magia que de todos os lados nos visita.

Certo que agora não têm som, já as não visitam as obreiras dizimadas pela varroose; uma ou outra abelha  zune, não orquestra sinfonia, canta a solo!...

 

e. Pelas nossas Gafanhas não era planta que se topasse em cada esquina, mas de um ou outro muro se debruçavam os seus cachos.

 

i.  Se me perguntarem a utilidade da glicínia cresce o meu embaraço.

Fora poeta e a imagem dar-nos-ia por satisfeitos; mas neste mundo em que estamos embrenhados e onde  se não premeia a beleza, ... conversados!...

Mas ... é importante destacar que a glicínia é muito apreciada pelas abelhas, sendo uma espécie muito valiosa para os apicultores.

 

o. Quanto a aplicações medicinais fica a advertência: os cachos de flores azuis, lilazes ou brancas transformam-se em vagens semelhantes às do feijão que ingeridas dão origem a perturbações digestivas.

 

u. E apenas algumas curiosidades:

 

O crescimento da glicínia é lento a moderado e pode levar anos para que se torne adulta e inicie o florescimento; porém é muito longeva, vivendo até 100 anos.

Os gregos e os romanos tinham o costume de se enfeitarem com  glicínias, pois acreditavam que elas preservavam o amor conjugal.

As glicínias eram as flores preferidas da Arte Nova, no século XIX.

Azuis, brancas ou rosadas, são um presente que sugere amor e carinho, simbolizando a ternura, a beleza e a amizade.

Arthur Conan Doyle escreveu um policial intitulado “Wisteria Lodge” [em português: “Vila Glicínia”], publicado em 1908, onde narra mais uma caso resolvido pelo famoso detective Sherlock Holmes e o seu inseparável Watson.

 

 

E ficam os votos de Santa Páscoa... mesmo que não as saboreemos, deliciemo-nos com as espantosas cores das amêndoas ... e dos folares!

                                                                                                                       

 Manuel

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 21 Março , 2010, 09:07

 

 
 
 
PELO QUINTAL ALÉM – 13
 
 
A CEBOLA
 
A
ti Merendeiro,
ti Alexandrina Cordeiro
                                                            
Caríssima/o:
 
a. A réstea está dependurada e o que me chamou a atenção foi o facto de as cebolas estarem a grelar; natural nesta época do ano. Contudo, agora é tempo de guardar as cascas que a Páscoa aproxima-se.
Pelo que se vê no quintal apanham-se cebolas e até se fazem umas résteas entrançando a rama com fiteiras.
 
e. Também nas nossas terras da Gafanha quem se dava ao desleixo de não ter o seu canteirinho plantado com cebolo? Tempos de agricultura de subsistência, mas alguns, mais industriosos, lá iam ao mercado fazer uns tostões.
 
i. A cebola era condimento alimentar em quase todas as refeições: às rodelas, picada, ... frita...
Há até aquela do rapaz a quem perguntam:
- Então que foi hoje o teu jantar?
- Broa com cebola...
- E o do teu pai?
Aí o rapaz deu três assobios... e sussurrou:
- Broa com cebola... cortadinha à navalhinha!...
 
o. Anda nos caminhos da nete uma mensagem dedicada à cebola que tem causado rios de exclamações; mas isto, na minha modesta ignorância, só é devido à falta de atenção para com a cultura do nosso Povo que ao longo dos séculos vai apurando e refinando costumes e tradições.
Em resumo: diz a tal mensagem que quem tiver cebolas espalhadas pela casa está livre de gripes e constipações. Nada de extraordinário; mas amigo que visito regularmente colocou, em cada divisão, seu pires com sua cebola!...
Acredite-se ou não: a cebola ajuda e muito em « afecções respiratórias, asma brônquica, arteriosclerose, afecções coronárias, reduz os níveis de triglicéridos, afecções renais, diabetes, afecções hepáticas, cancro de estômago»...
Ainda há o chá de casca de cebola, que ajuda a resolver os problemas da garganta, para quando estamos roucos, com dificuldade em falar, juntando mel e limão. E ainda..chá de casca de cebola para lavar o cabelo...quem já tem o cabelo claro, clareia ainda mais...
E podíamos ir por aí fora; só mais esta: “uma cebola grande ingerida crua, durante crises herpéticas diminui a duração da crise do herpes”.
 
 
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 14 Março , 2010, 09:06

 PELO QUINTAL ALÉM – 12

  
 
 
O SALGUEIRO
 
A
ti António Facica
Manuel Mau
Bartolomeu Conde
Padre António Nédio
                                                            
 
 
Caríssima/o:
 
a. Quando entrares pelo portão do meu quintal olha para o teu lado esquerdo e logo verás o nosso salgueiro, posto ali a pedido, para que as suas flores anunciassem a Primavera. E vai cumprindo a sua missão: a cada Inverno, vai ganhando forças, renovando energias para nos maravilhar com os seus maçaruquinhos branco-acinzentados e peludinhos. Aí tens a Primavera!- parece dizer-nos o salgueiro.
 
e. Também na nossa Gafanha, nas zonas mais húmidas, ao comprido com as valetas, crescia esta planta. Hoje, deve ser difícil encontrá-la; será que algum exemplar resistiu em cômoro esquecido?
 
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Março , 2010, 10:53

PELO QUINTAL ALÉM – 11

 

 
 
 

A MIMOSA

A

ti João Manteiro e

ti Maria Soares

                                                            
Caríssima/o:
 

a. Hoje apetece-me falar dessa planta misteriosa que nos oferece as suas flores ainda no Inverno, muitas vezes em pleno Entrudo. Já tivemos ali uma no quintal, mas a «vigilante» deu ordens para que se arrancasse mais depressa que imediatamente...: é uma praga; fora com ela!

Estás a ver a minha cara...

Mas hoje não tenho palavras que lhe exprimam toda a minha gratidão; um dia vos explicarei quão profunda e sincera ela é...

 

e. Pelas Gafanhas, à borda d'água, as topávamos e as chamávamos de bichaneiras.

Planta que casava bem com as estramagueiras e nos servia de refúgio nas nossas, nem sempre inocentes, brincadeiras infantis.

Quando a floração rebentava, a impaciência ardia-nos cá dentro com mais intensidade: a Primavera estava perto, pertinho, a chuva agora não nos estorvava mais!

 

i. Verdade seja que para além deste encantamento (e convenhamos que trazia sortilégio!) que mais nos oferecia a nossa bichaneira? Umas flores amarelas para pôr numa jarra (mas aí logo o brilho parecia esvair-se...) e uns cavacos para o lume.Ouvíamos falar das características da sua madeira, muito especial...

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 28 Fevereiro , 2010, 08:01

PELO QUINTAL ALÉM – 10

 

A HERA

 

A

Ti Melrito

   Caríssima/o:

 

a. Ali está a revestir um muro; de vez em quando é preciso irmos a ela e rebaixá-la que se prepara para tudo cobrir!.

Também sobe pela palmeira e, quando nos distraímos, os pardais saem dos ninhos que esconderam sob a sua folhagem pelo tronco acima...

 

e. Como todos sabemos, a hera é uma planta trepadeira que surge espontaneamente no campo, revestindo muros, paredes e mesmo árvores, servindo-lhe uns e outras de suporte para trepar e a que se agarra com as suas raízes adventícias.

Em Portugal, para além de espontânea, é também utilizada como planta ornamental. Existem algumas pessoas que apreciam a hera permitindo que adorne com o seu manto sussurrante os caramanchões, as grades ou as fachadas de suas casas. Outras consideram-na uma planta prejudicial e destroem-na.

É certo que a hera deteriora as paredes e que quando invade o solo, nenhuma outra vegetação consegue encontrar o caminho para a luz.

No entanto, não é um parasita, pois apesar de se agarrar às árvores, não se alimenta da sua seiva. Por outro lado, a sua floração tardia assegura uma boa provisão aos insectos também durante o Outono. As aves canoras gostam de comer os seus frutos. Lenhosa importante para a nidificação e abrigo de pássaros.

 

Pelas nossas Gafanhas não era difícil encontrar heras quase todas devidamente “domesticadas”.

 

Hoje, será assim?

 

 

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 07 Fevereiro , 2010, 09:12
PELO QUINTAL ALÉM – 7



A FIGUEIRA DA ÍNDIA
A
meu Pai

Caríssima/o:


a. Discreta presença, arrumada num canto muito sombrio, debaixo de ramada de videira americana, a nossa figueira-da-índia não tem ido muito longe; figos nem vê-los... Se ainda está viva e a ocupar espaço deve-o à grata memória que uma sua antepassada me deixou e à esperança de poder reproduzi-la em lugar mais solarengo ...

e. Nos longínquos idos de quarenta do século passado, tosse convulsa arreliadora se apoderou do meu dorido peito. Médicos? Medicamentos da farmácia? Privilégio de poucos...

Não sei onde meu Pai bebeu a informação mas, chegado a casa, foi-se à figueira da índia, cortou-lhe uma palma. Na cozinha, para uma bacia, cortou-a às rodelas que foi sobrepondo alternadamente com camadas de açúcar amarelo. No dia seguinte de manhã:
- Anda, filho, toma para te arrancar essa tosse de cão...
Desconfiado, abri a boca e sorvi o xarope que me fez esquecer o rufar do peito!...
A tosseira foi diminuindo... e ficou a vontade de renovar a colherada do tal xarope que entretanto se extinguiu...

Não sei que aconteceu a esta benfazeja piteira; certamente a sua sorte não foi diferente de umas tantas que que por aí vegetavam e nos ofereciam os figos em troca de umas valentes picadelas!... Teimávamos arrancá-los com os dedos desprotegidos...

i. A Figueira-da-Índia é um cacto lenhoso vivaz, originário da América Central. Em Portugal é subespontânea e é cultivado em jardins e para a formação de sebes artificiais no Alto Douro, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Algarve, Madeira e Açores.

O fruto é comestível, mas deve ser consumido com moderação, para evitar a diarreia.


o. Por mim confesso a minha ignorância e, para além do xarope que menciono acima, desconhecia por completo que a figueira-da-índia pode ser usada:
externamente, nas dores musculares e com acção cicatrizante no eczema e psoríase ;
internamente, em tratamentos para perda de peso, de úlceras gástricas e síndroma do cólon irritável; no controlo da diabetes e do colesterol elevado.
Ainda a sua acção se nota em problemas respiratórios como a tosse irritativa ou bronquites.


u. Planta muito ligada a lendas e mitos que se estendem da América à Índia. Fiquemos por aqui:

«A figueira da Índia (Ficus religiosa) é venerada na Índia principalmente pelos sectários de Buda, não a cortando nem lhe tocando nunca com ferro, para não ofender o Deus nela oculto.
Não só a árvore é adorada mas também o local onde alguma viveu é considerado local sagrado. A veneração dos índios pelo “ficus religiosa”, é devida à seguinte lenda:

Buda, após a conversão, ia sempre orar sob aquele vegetal; a rainha, sua esposa, despeitada por aquele facto, mandou cortar a árvore, e Buda, quando o soube, sentiu tamanho desgosto que declarou que se a árvore não tornasse a rebentar morreria de pesar. Mandou depois reunir cem bilhas de leite e regar com ele o tronco do vegetal, donde logo brotaram ramos, que cresceram rapidamente, atingindo a altura que hoje tem.»

Mas já agora não resisto e transcrevo da revista AUDÁCIA o que se segue e que parece completar o que acabámos de ler:

«O ano chinês

Na China, o novo ano não começa a 1 de Janeiro, mas depende da primeira lua cheia do ano. A data é celebrada com grande festa, que dura até duas semanas.
O calendário chinês é muito antigo, tem mais ou menos cinco mil anos.
Segundo uma lenda antiga, quando Buda atingiu a iluminação à sombra de uma figueira-da-índia, convidou todos os animais a participar da sua alegria. Apenas doze animais compareceram à festa. A cada um deles foi atribuído um ano para governar (a lenda é um pouco confusa, uma vez que o Buda viveu há “apenas” 2500 anos). O calendário chinês percorre assim um ciclo de doze anos, que começa sob a regência do rato, para depois continuar com o ano do boi, do leão, do coelho..., até terminar no ano do porco, iniciando-se um novo ciclo de 12 anos.
Cada um dos 12 animais é regido pelos cinco elementos - água, madeira, fogo, metal e terra. O sistema astrológico chinês, por isso, contempla um ciclo de 60 anos. Metade é yin (feminino) e metade é yang (masculino).
Este sistema de contar os anos continua largamente difundido na China e em outros países orientais.»

Manuel
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