de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 11 Junho , 2010, 23:39

 

 

 

Tenho andado a consultar jornais antigos, onde depositei, como se fossem bancos, centenas de textos. Confesso que até fico espantado com a diversidade de trabalhos jornalísticos que produzi,  paralelamente  às minhas ocupações profissionais, oficiais e particulares,  tão absorventes. Escrevi sobre tudo e sobre todos. Uns textos estão assinados e outros não. Mas todos identifico, sem me enganar, como filhos dilectos que todos são. Disso, naturalmente, darei conta daqui a uns tempos, quando estiver mais folgado.

Estas deambulações pela minha vida jornalística trazem-me à memória recordações preciosas e evocações saudosos. Tanta gente que conheci ao longo da minha vida e que já nos deixou.  Tanta gente generosa  com quem convivi. Tantos eventos que divulguei e tantas histórias que contei.

Até um dia destes.

 

FM

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 01 Junho , 2010, 18:32

O Ângelo recordou hoje uma façanha de quatro irmãos, levada a cabo para poderem ir à festa da Senhora dos Navegantes. Pode lê-la aqui.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 15 Maio , 2010, 11:25

Recordo hoje, com a precisão possível, a minha participação num cortejo em favor do Seminário de Santa Joana Princesa, em 1946. O seminário estava em vias de construção. Veja aqui. Quem dá mais achegas?

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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 23 Abril , 2010, 09:39
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Uns amigos meus estiveram há dias em Montemor-o-Velho, cujo castelo admiraram. Tanto bastou para que  hoje o recorde aqui. Foi num dia de verão que lá estive. Dia quentíssimo, que me obrigou a procurar refrescos. Insaciavelmente. O castelo, para além das memórias que evoca, permite-nos apreciar uma paisagem  que se estende a perder de vista. Foi dia, também, de visitas organizadas por instituições que cuidam de idosos. Eram muitos. E havia, em muitos deles, aqueles olhos abertos e as perguntas sobre as vidas de há séculos, quando por ali se lutava à pedrada e coisa parecida. Recordar o passado é olhar para o presente, com outras lutas. Não à pedrada, mas à custa de ideias ou por causa delas. Como será no futuro?
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 20 Abril , 2010, 15:34

 

 

 

 

Partamos

 

Partamos!...

a sorrir… de mãos dadas…

olhos presos no azul do Infinito…

embriagando-nos de luz…

— da luz pura e renovadora da Verdade —

galgando «encostas»…

escalando «rochedos»…

conquistando, enfim, as cristas nevadas!...

 

Ferimos as mãos?...

Tingimos de sangue as pedras dos caminhos?...

Sentimos vertigens à borda de abismos?...

Que importa?

 

Todo o esforço é uma conquista…

a vida é uma conquista…

que nos deixará na alma, no coração,

em todo o nosso ser, uma alegria justa e imensa…

 — a alegria indizível de vencer!...

 

Subamos!...

É preciso subir para viver…

Subir para ver mais longe…

Subir para compreender os nossos irmãos…

Subir para abraçar a Humanidade inteira…

 

Partamos, então, a sorrir, de mãos dadas…

Calcorreando caminhos e estradas...

cobertas de pó e de suor…

mas a cantar… a cantar…

irradiando à nossa volta

ALAGRIA

AMOR…

 

Irmã Maria Rosa

 

 

In Timoneiro, Fevereiro de 1984

 

 

NOTA: Presto hoje uma singela homenagem a uma pessoa que conheci na década de oitenta do século passado. Chamava-ve  Maria Rosa e era uma consagrada  das Religiosas do Amor de Deus. Tirou o curso de Educadora de Infância já madura. E trabalhou, como coordenadora do jardim e Creche da Obra da Providência, durante algum tempo. Pessoa exigente, responsável, e com capacidade de iniciativa. Frontal sem esconder o lado espiritual da vida.  

Há dias encontrei uns poemas seus no Timoneiro e tanto bastou para a lembrar com alguma emoção. Em momentos especiais não se esqueceu de mim. Regressou lá para os lados de Lisboa, onde continuou a trabalhar. Anos depois reconheci-a num concurso da Televisão, para conseguir fundos para uma  acção que estava a desenvolver. Ganhou uma verba, que não consigo precisar, e ficou feliz. Soube, mais tarde, que tinha falecido.

Recordo-a com saudade.

 

FM

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 17 Abril , 2010, 08:00

 

 

 

Alberto Martins 

   

17 de Abril de 1969

 Maria Donzília Almeida

 

 

Decorria o ano da Graça de 1969 em Coimbra, onde me encontrava como caloira, na urbe universitária. Todos os dias subia os degraus daquele extenso patamar que dava acesso à Faculdade de Letras. Mesmo em frente, erguia-se imponente a estátua de Minerva, que parecia dar as boas-vindas aos estudantes. Eu, uma novata e amante do exotismo estrangeiro, ouvia, sempre, nessa saudação, a palavra welcome reescrita e transposta para o acesso à entrada da minha actual “Home, sweet home”.

Coimbra era uma cidade a latejar por todas as suas artérias, desde a parte alta onde se situava a velha academia, até à baixinha onde o comércio prosperava e se alimentava da massa estudantil.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Abril , 2010, 21:02

Para recordar, com a ajuda dos meus amigos, aqui ficam duas fotos que me foram enviadas pela professora Custódia Caçoilo. Escola da Marinha Velha, em 1958, e com a mesma professora, em 2002. Vejam e comentem... Para fazer história.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 10 Abril , 2010, 16:37

 

A boa disposição à mesa

 

 

Participei hoje em mais um almoço-convívio de antigos alunos da EICA (Escola Industrial e Comercial de Aveiro) no restaurante Abílio dos Frangos. De frango só comemos o conhecido arroz malandro ou de miúdos. Saboroso e próprio para abrir o apetite de jovens com uma significativa carga de anos e trabalhos. Disse jovens porque os 36 que ali se juntaram souberam reflectir tempos idos, tal a alegria e o prazer do encontro.

Como não podia deixar de ser, foram evocados, com um minuto de silêncio, os que este ano já não puderem estar connosco. Um deles, o Machado, de Ílhavo, teve esta tarde o seu funeral. Ainda soube do nosso encontro, mas a sua hora de partir para a última viagem sem retorno chegou, neste mesmo dia.

 

Cabelos brancos: selos comuns
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Também foram lembrados o Arroja e o Pompeu que há meses nos deixaram as suas memórias, como sinal de que a vida tem como meta indiscutível e inegociável a morte terrena. Os crentes, como eu, acreditam que a vida continua de forma gloriosa com a ressurreição.

Depois do arroz malandro, de mistura com conversas sempre apetecidas, na perspectiva de que o futuro se constrói com os alicerces do passado e do presente, veio um cozido à portuguesa com um tinto que casou bem com as carnes e enchidos. Houve quem preferisse o branco e até o verde que, pelos vistos, neste último caso, não matava a sede ao conviva.

 

 

Não faltaram conversas mais profundas
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Sobremesas com fruta e doces, mais café que completa, muito bem, qualquer refeição que se preze. A conversa continuou como prato principal. Tive então a oportunidade de sugerir que no próximo encontro cada um se apresentasse com uma pequena história, pela positiva, onde as queixinhas das maleitas ficassem fora da mesa da confraternização. Veremos se a moda pega. Gostaria que sim. É que, meus amigos, o melhor que podemos fazer, nas nossas idades, é não acordar as doenças. Deixemo-las sossegadinhas a dormir. Falemos então das muitas coisas boas que a vida ainda nos reserva. Sem stresse, sem ansiedades. Porque a vida tem de continuar a ser vivida.

 

Fernando Martins

 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 08 Abril , 2010, 09:21
Torreira
:
 
 
As cores da Torreira estão sempre na minha memória. Há anos, a família tinha uma indisfarçável atracção pela praia da Torreira, no concelho da Murtosa. Íamos lá com frequência e no Verão as visitas eram mais frequentes. E daí me ficaram imagens que ainda hoje ocupam um lugar especial na minha memória.
Terra por onde passe, é certo e sabido que sempre haverá algo que me prenda ao que vi e senti.
Da Torreira, ficaram-me as cores do céu e da ria, mas também os barcos dos pescadores e os olhares das pessoas, pobres ou ricas. Ainda o cheiro da maré que sobe e desce, ciclicamente, há muitos séculos.  Na quinta-feira santa estive com um amigo muito ligado àquela praia e um pouco dela falámos. Tanto bastou para esta simples recordação que me há-de levar um dia destes até lá.
 
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 07 Abril , 2010, 17:52

 

Dinis Vizinho sempre presente e sempre atento com a sua digital
 
:

No próximo sábado, dia 10, pelas 12 horas, vai realizar-se mais um almoço de confraternização dos antigos alunos da EICA — Escola Industrial e Comercial de Aveiro, no restaurante Abílio dos Frangos.

Como manda a tradição, o convívio vai caracterizar-se por um desfiar contínuo de recordação de tempos que perduram, indelevelmente, na memória de todos.

Presentes também os que já nos deixaram, em obediência às leis inevitáveis da vida. Contudo, ao recordá-los, saberemos todos evocar o bem e o bom que eles nos legaram, através dos anos.

 

 

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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 25 Março , 2010, 19:20

Pode ver aqui o desafio que faço aos meus leitores e amigos. Gostaria de receber recordações de todos... Fico à espera.

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 19 Janeiro , 2010, 22:15



«Por escolas de outros tempos»


Penso que nunca se publicou tanto no nosso País como agora. Diariamente aparecem nas livrarias novas obras de jovens promissores e de escritores consagrados. As reedições sucedem-se, sinal de que há muita gente a ler. E se as edições se vão multiplicando dia a dia, com facilidade para alguns escritores e com imensas dificuldades para os novatos nestas lides da escrita, é sabido, também, que muitos outros se vêem obrigados a edições de autor, isto é, pagas pelos próprios, sem ajudas de ninguém. Os mais teimosos lá vão tentando descobrir patrocínios para as suas publicações, mas nem sempre é fácil. Outros desistem dessas preocupações e vão escrevendo para os familiares e amigos.
Um desses é o meu amigo Manuel Olívio da Rocha, um gafanhão que reside no Porto há décadas. Quase todos os anos, pelo Natal, brinda-nos com um trabalho que poderia, muito bem, ser impresso e distribuído por editoras que não se envolvessem somente com escritores que aparecem nas televisões ou nas rádios, ou que tenham amigos nos jornais e revistas, ligados a lóbis editoriais.


Neste Natal trouxe-me «Por escolas de outros tempos», onde nos oferece um retrato das escolas das nossas meninices. Evoca professores e alunos, fala das brincadeiras não ensaiadas, recorda exames que nos inquietavam e a «tinta que escorreu do aparo e pôs uma borrata logo ali no meio da cópia!»
Evoca professores que fizeram história na Gafanha da Nazaré e diz com graça: «Há dias em conversa alguém me dizia que o Professor Carlos era baixo e pequenote… Fiquei perplexo! Na minha ideia ele era um “gigante”… »
Ilustrado quanto baste, a preto e branco, como exige a bolsa do meu amigo, este trabalho do Manuel Olívio leva-me lá para trás, para folhear os livros que usávamos, escrever com a pena que entrava no tinteiro da carteira, antes de chegar ao papel. Dos borrões inesperados, dos mapas que duravam anos a fio, das provas levadas a sério, dos desenhos e das caligrafias, dos problemas de seis operações, do quadro preto que acolhia tanta sabedoria decorada e tantos erros que exasperavam os professores.
Depois há transcrições da Monografia da Gafanha do Padre Resende, a relação dos jogos daqueles tempos, ilustrados quando possível, adivinhas, poemas e outros textos.
E muito, muito mais, que seria impossível transcrever. O melhor é ler o livro. O pior é que o livro não foi editado nem está à venda. As editoras não podem. Mas há tanta coisa nas livrarias sem graça nenhuma, meu Deus.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 11 Janeiro , 2010, 22:34




A BRANCURA QUE CAI DOS CÉUS

A beira-mar tem os seus encantos: os horizontes largos dão-nos margem aos sonhos. Há décadas, um amigo meu do interior do País, de passagem pela Gafanha da Nazaré, quedava-se tardes inteiras sentado com os olhos fitos na linha longínqua que definia o oceano. Nunca tinha visto o mar, que não havia posses para passear até ao litoral. Nem sequer havia televisão na aldeia onde vivia.
Espantado com tanta obsessão pelo nosso mar, perguntei-lhe, como quem não quer a coisa, por que razão por ali ficava tanto tempo. Respondeu-me, com alguma candura, “que esperava ver, ao longe, sinais de terra”.
Vem isto a propósito dos terríficas mas simultaneamente belas paisagens nevadas, que o frio tem provocado por algumas zonas do País. Terríficas porque causam transtornos e podem mesmo meter medo a quem viaja. Belas porque nos mostram imagens raras como aquelas que os nossos olhos contemplam via televisão.
Eu, que nasci ao som do mar e com o cheiro a maresia a entrar-me por todos os poros, nunca pude apreciar ao vivo, em plena serra, o espectáculo da neve a cair e a pintar de branco puro montes e vales, florestas e pessoas. Apenas visitei uma vez a Serra da Estrela, e neve, a sério, por aqui, nunca. Apenas um dia, na escola onde leccionei, há muitos anos, caíram uns farrapitos de neve que mal cobriram o recreio. E todos, professores, empregada e alunos, deixaram livros e cadernos, problemas e leituras, para se deslumbrarem com a pureza que naquele dia nos levou a sorrir com gosto. Pudesse eu sentir o palpitar de um nevão e talvez ficasse como o meu amigo, extasiado, a apreciar a Natureza com tudo o que ela tem de bonito e de raro, em dias purificados pela brancura que cai dos céus.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 28 Novembro , 2009, 11:59

Douro


O Douro sempre apetecido

É nos dias menos agradáveis que me vêm à memória os bons momentos vividos em dias bonitos. Como é o caso de um passeio ao Douro, onde a paisagem, vista de qualquer ângulo, tem uma beleza ímpar. Nesta foto, até as nuvens são dignas dos nossos olhares àvidos do belo.




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Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Novembro , 2009, 17:04



Não há o hábito salutar de cumprimentar

Até meados de século passado, as Gafanhas tinham um ambiente marcadamente rural. A população residente era em número muito inferior à grande massa de gente que nelas habita, nos dias de hoje. Não havia praticamente indústria, exceptuando a faina ligada à secagem e tratamento do bacalhau.
As pessoas que cá viviam mourejavam nas parcelas de terra que possuíam, ocupando-se numa agricultura de subsistência, paralelamente com alguma actividade piscatória, artesanal. O nível de vida era muito baixo. O número de automóveis era diminuto e quem os possuía era um privilegiado e detentor de um estatuto social elevado. Pela estrada principal, os veículos que circulavam eram carroças de vacas, que os pequenos lavradores utilizavam para fazer o transporte das suas mercadorias.
Praticamente todos se conheciam uns aos outros e todos se saudavam: - O Senhor nos dê muito bom dia! Bom dia nos dê o Senhor. Ouvia-se a cada passo, entre as pessoas que se dirigiam para o campo. A religiosidade destas gentes era bem patente e a saudação era o reflexo das suas crenças. Ninguém passava na rua que não cumprimentasse todos aqueles com quem se cruzasse, fossem ou não da família. Aqui havia um conceito alargado da mesma, já que as pessoas se entreajudavam nas fainas agrícolas, nomeadamente nas grandes sementeiras da batata, do milho e do trigo.
Com o aumento demográfico e a invasão das Gafanhas, por gentes de fora, este costume tão salutar foi-se perdendo. Só os mais antigos conservam ainda este hábito que teimam em passar para as novas gerações.
Na grande cidade, com um individualismo crescente, todos passam indiferentes, cada um a tratar da sua vidinha, ignorando completamente o próximo. Entra-se num consultório cheio de gente e não se ouve um Bom dia! Boa tarde! Entra-se num elevador apinhado de pessoas e....alguém se cumprimenta? Assiste-se a esta cena caricata – todos de cabeça baixa.... a “inspeccionar” o calçado de seu parceiro. Se está ou não engraxado! Se está na moda ou não! Se...se..se.... Não há o hábito salutar de cumprimentar, de dizer um bom dia, boa noite!
Daí que, se por um lado a comunicação entre as pessoas se tornou mais efectiva no encurtar de distâncias, via internet, por outro lado as relações entre as pessoas são menos afectivas.
E, se tanto se diz que o mundo hoje é uma aldeia global, então, façamos nós como os nossos antepassados, aqui, na Gafanha que se cumprimentavam todos entre si, sem excepção. Os antigos tinham razão!

M.ª Donzília Almeida
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