de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 08 Junho , 2010, 23:36

 

 

 

 

PRÓLOGO

 

Fui avestruz. Sou ruminante

Da seiva lírica. A pastagem,

Outrora verde e abundante,

Está queimada da estiagem.

 

Olhar o céu límpido e mouco

Não vale mais do que o que foi.

A água tarda. O pasto é pouco.

A fome rói.

 

Ah, se uma lágrima bastasse

Pra encher de viço esta secura!

Sinto-a a escorrer-me pela face

Futura.

 

António Manuel Couto Viana

 

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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 31 Maio , 2010, 08:22

Foto de Lita
 

 

 

 

IGNOTO DEO

 

Desisti de saber qual é o Teu nome,

Se tens ou não tens nome que Te demos,

Ou que rosto é que toma, se algum tome,

Teu sopro tão além de quanto vemos.

 

Desisti de Te amar, por mais que a fome

Do Teu amor nos seja o mais que temos,

E empenhei-me em domar, nem que os não dome,

Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.

 

Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano

Que por demais tresanda a gosto humano!

Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,

 

Desisti de Te achar no quer que seja,

De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja...

– Tu é que não desistirás de mim!

 

José Régio

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Maio , 2010, 09:57

 

 

O Grupo Poético de Aveiro vai realizar um Encontro nos dias 29 e 30 de Maio, tendo como convidados poetas espanhóis representantes de diversas Associações: Grupo Literário e Artístico Sarmiento e Juan de Baños de Valladolid, Círculo Poético Orensano de Ourense, República de las Letras de Pontevedra e Fundacion Cumulum de Lugo.
Esta forma de intercâmbio cultural com os nossos vizinhos espanhóis teve inicio em 1993 e tem vindo a alargar-se, ao longo dos anos, a um número cada vez maior de associações. 
Recital poético - dia 29 - Biblioteca Municipal de Aveiro - 18horas
Leitura de poemas - dia 30 - Parque Municipal Infante D. Pedro - 11horas
Convidamos todos os amantes da Poesia a assistir a este Encontro Poético Luso-Espanhol, integrado na Feira do Livro de Aveiro.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 08 Maio , 2010, 12:16

 

 

UM BARCO

 

Um barco divaga

sonolento

sob as ondas

redondas

do mar.

 

Um barco único,

minúsculo,

como uma estrelinha

brilhando

no imenso crepúsculo.

 

Um barco…

sem remos,

sem velas,

sem asas…

 

Um barco sereno,

como a brisa do mar.

 

Norberto Rosa

 

In Timoneiro,

Setembro/Outubro de 1980

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 02 Maio , 2010, 07:40

 

 


 
 

MÃE

 

É aquela que tem:
Esperança ilimitada
Fé que move montanhas
Luz que rompe as trevas
Força para virar o mundo
Energia sempre renovada
Enorme capacidade de sofrimento
Coragem de nunca desistir.
 
Firmeza na palavra.
Lucidez no pensamento
Discernimento na decisão
Amor sem limites.
 
Bravura à flor da pele
O sonho na palma da mão
A alma vestida de esperança
O sol guardado no bolso.
 
Na voz, melodia inexcedível
Doçura e perfume nos gestos
Ternura infinita no olhar.
 
O bálsamo num beijo
Calor revigorante no colo
A magia num afago
No abraço o perdão desmedido
Na palavra o estímulo
Ao seu redor, a paz.

 

 

Aida Viegas

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 27 Abril , 2010, 14:10

A largada

 

 

Foram então as ânsias e os pinhais

Transformados em frágeis caravelas

Que partiam guiadas por sinais

Duma agulha inquieta como elas...

 

Foram então abraços repetidos

À Pátria-Mãe-Viúva que ficava

Na areia fria aos gritos e aos gemidos

Pela morte dos filhos que beijava.

 

Foram então as velas enfunadas

Por um sopro viril de reacção

Às palavras cansadas

Que se ouviam no cais dessa ilusão.

 

Foram então as horas no convés

Do grande sonho que mandava ser

Cada homem tão firme nos seus pés

Que a nau tremesse sem ninguém tremer.

 

Miguel Torga

 

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 20 Abril , 2010, 15:34

 

 

 

 

Partamos

 

Partamos!...

a sorrir… de mãos dadas…

olhos presos no azul do Infinito…

embriagando-nos de luz…

— da luz pura e renovadora da Verdade —

galgando «encostas»…

escalando «rochedos»…

conquistando, enfim, as cristas nevadas!...

 

Ferimos as mãos?...

Tingimos de sangue as pedras dos caminhos?...

Sentimos vertigens à borda de abismos?...

Que importa?

 

Todo o esforço é uma conquista…

a vida é uma conquista…

que nos deixará na alma, no coração,

em todo o nosso ser, uma alegria justa e imensa…

 — a alegria indizível de vencer!...

 

Subamos!...

É preciso subir para viver…

Subir para ver mais longe…

Subir para compreender os nossos irmãos…

Subir para abraçar a Humanidade inteira…

 

Partamos, então, a sorrir, de mãos dadas…

Calcorreando caminhos e estradas...

cobertas de pó e de suor…

mas a cantar… a cantar…

irradiando à nossa volta

ALAGRIA

AMOR…

 

Irmã Maria Rosa

 

 

In Timoneiro, Fevereiro de 1984

 

 

NOTA: Presto hoje uma singela homenagem a uma pessoa que conheci na década de oitenta do século passado. Chamava-ve  Maria Rosa e era uma consagrada  das Religiosas do Amor de Deus. Tirou o curso de Educadora de Infância já madura. E trabalhou, como coordenadora do jardim e Creche da Obra da Providência, durante algum tempo. Pessoa exigente, responsável, e com capacidade de iniciativa. Frontal sem esconder o lado espiritual da vida.  

Há dias encontrei uns poemas seus no Timoneiro e tanto bastou para a lembrar com alguma emoção. Em momentos especiais não se esqueceu de mim. Regressou lá para os lados de Lisboa, onde continuou a trabalhar. Anos depois reconheci-a num concurso da Televisão, para conseguir fundos para uma  acção que estava a desenvolver. Ganhou uma verba, que não consigo precisar, e ficou feliz. Soube, mais tarde, que tinha falecido.

Recordo-a com saudade.

 

FM

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 17 Abril , 2010, 12:01
Por sugestão do Ângelo Ribau
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Editado por Fernando Martins | Sábado, 17 Abril , 2010, 11:43

 

 

 

Nas Asas de um Sonho

 

Nas asas de um sonho

Através do espaço

Liberta de penas

Sempre hei-de voar.

Voar sem limites

Os céus o destino

Por entre as galáxias

Lá na imensidão

Subindo, subindo

Sem para trás olhar.

 

Nas nuvens dormir

Em cama de estrelas.

De almofada o sol

Cortinas de bruma

Lençóis de luar.

 

Ao raiar da aurora

Irei acordar

Aspirar o amor

Ver do alto a vida.

Tristezas e mágoas

P’ra longe bem longe

P’ra lá do infinito

Do peito expulsar.

 

Aida Viegas

 

 

Nota:No próximo dia 28 de Maio, em Aveiro, terá lugar a apresentação de mais um livro de Aida Viegas: Histórias de Bolso das Gentes de Aveiro

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 04 Abril , 2010, 11:03

 

 

 

RESSURREIÇÃO

 

Jesus desceu a nós, veio em Missão

Trazer a cada um sua Verdade;

Veio falar de Amor e Caridade,

Veio dizer que o outro é um irmão.

 

A cada um de nós deu Sua mão

Para vencer a dor e a ansiedade;

Veio alterar as leis da sociedade,

Veio falar de Espr’ança e Salvação.

 

Pregou e fez milagres p’ra mostrar

Que há algo que transcende e faz pensar

E que pode mudar a nossa sorte!

 

Na cruz foi um arauto do perdão

E quando aconteceu Ressurreição

Mostrou que há outra Vida além da Morte!

 

 

Maria Celeste Salgueiro Seabra

 

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 31 Março , 2010, 12:24

 

 

Autores portugueses encontraram inspiração nos passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transporta-nos para o mistério da cruz

 

Na história da poesia portuguesa são muitos os autores que calcorreiam com o leitor os passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transporta-nos para o mistério da cruz. A inspiração de vários poetas mostra o olhar sofredor da Mãe que segura e chora o seu Filho:

 

 

«Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,

Da Pedra e da tristeza, no teu canto,

Comigo ao colo, morto e nu, gelado

Embrulhado nas dobras do teu mando» (Torga, Miguel)

 

«Ó visão, visão triste e piedosa!

Fita-me assim calada, assim chorosa…

E deixa-me sonhar a vida inteira» (Quental, Antero de)

 

«Oh Virgem de Nazaré,

Oh Mãe de Jesus

Lírio aberto aos pés da cruz,

Cujas pétalas de luz

Vertem lágrimas de fé» (Conde de Monsaraz, [Papança, António Macedo])

 

«Junto da cruz, que estremecia ao vê-la

Chorou, baixinho, a Mater Dolorosa:

E a terra, em volta, soluçou com ela» (Oliveira, António Correia de)

 

Ler mais aqui

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Editado por Fernando Martins | Domingo, 28 Março , 2010, 10:48
Foto de Carlos Duarte
 
 

Depois do Inverno, morte figurada,

A primavera, uma assunção de flores.

A vida

Renascida

E celebrada

Num festival de pétalas e cores.

 

Miguel Torga

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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 26 Março , 2010, 17:43

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Aquele grande rio eufrates

  

E o sexto anjo derramou a sua taça
sobre aquele grande rio Eufrates
Apocalipse XVI, 12

 

 

Deixará o poeta anónimas algumas
das palavras que deus lhe pôs na boca
ou esses longos versos onde cabe a emoção?
Quantas vezes nesse obscuro instinto de escrever
o poema terá sido para ele
mais que o lugar onde ia ver-se livre
das palavras que o sobrecarregavam?
Estará ele disposto a abandonar o requintado gosto
que têm as leituras junto ao vão da janela?

 

Ruy Belo

 

Leia todo o poema aqui

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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 17 Março , 2010, 12:01

 

Para os poetas e amantes da poesia

 

Em 1999, a UNESCO decidiu instituir o dia 21 de Março como Dia Mundial da Poesia. O Grupo Poético de Aveiro tem comemorado esta data, ao longo de todos estes anos, com o objectivo de incentivar o gosto pela leitura e escrita de Poesia.
Para o próximo dia 21 de Março, aquela associação programou diversas intervenções no espaço urbano, procurando sensibilizar a população para a importância da Poesia na nossa cultura e nas nossas vidas:
 
 
Comboio urbano:
Partida Aveiro - 15.19h - 15.32
Partida Estarreja - 15.59h - 16.17h
 
Fórum Aveiro:
17.00h às 17.30h
Praça Marques de Pombal:
18.00h às 18.30h
 
 
O Grupo Poético de Aveiro conta com o apoio de todas as pessoas que gostam de Poesia para transformar este dia numa verdadeira festa! Contamos com a vossa presença!
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 15 Março , 2010, 10:18

 

 

1

Olho a oriente
com os pés no ocidente.
Que palavra leve!

2

Trepa a primavera
pelo perfume lilás
a cobrir o muro.

3

Desperta a noite;
o orvalho enche a manhã.
Um cheiro a saudade.

4

Hera pelo muro
rastejando palmo a palmo –
o verde e o viço.

5

Ao abrir do sol,
se espreguiça o amarelo
pelas maravilhas.

6

Na outra colina,
do lado de lá do ver,
é que os sonhos pastam.

 

 Luísa Freire
In O tempo de perfil, ed. Assírio & Alvim

 

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