de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 25 Maio , 2010, 17:04
Padre Ribau Lopes Lé
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Hoje, na Figueira da Foz, onde me encontro, soube da notícia triste do falecimento do Padre Lé. Embora o seu estado de saúde bastante abalado fizesse supor que o fim físico não estaria longe, a verdade é que é sempre doloroso ver partir um amigo e, mais que amigo, um confidente em horas decisivas da minha vida.

Recolheu ao seio do Pai, que o motivou toda a sua existência, depois de cumprir a nobre missão de servir os seus irmãos na fé e todos os homens de boa vontade. Com um estilo muito próprio, deixou marcas indeléveis no coração de muitos dos seus amigos.

Natural da Gafanha da Nazaré, assumiu a Gafanha da Encarnação como terra sua, mostrando-se continuamente empenhado na defesa daquilo que considerava justo, quer sob o ponto de vista religioso, quer social e cultural. Com ele, inúmeras vezes troquei impressões e discuti princípios na defesa de uma sociedade mais cristã.

Há meses, quando os incómodos de saúde já se faziam sentir, tive o privilégio de o entrevistar, em jeito de homenagem que ele bem merecia neste Ano do Sacerdote, estabelecido pelo Papa Bento XVI. Foi, penso eu, uma alegria para ele recordar factos e acontecimentos que protagonizou desde a sua infância até ao presente. Para mim, que prezava a sua amizade, foi-o sem sombra de dúvida.

Hoje, que nos deixou fisicamente, sinto que o Padre Lé continuará connosco, com o cabelo hirsuto e aquele linguajar de gafanhão, como quem está a discutir com um sorriso aberto e sonoro para enquadrar o ambiente.

Que Deus o receba na Sua Glória.

 

Fernando Martins

 

 

 

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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 09 Março , 2010, 10:06
Quando a nossa selecção de futebol ganha,
a festa chega a encher as ruas
 
 
Alberto Margaça, casado com Rosa Ramos, mais conhecida por Rosa da Tia Ofélia, tem uma filha, professora de Francês e Inglês, e está no Canadá há 36 anos. Tem saudades da família e da terra, mas descobriu forma de as mitigar. Levou a viola que sempre o tem acompanhado desde a juventude.
 
 
 
 
A família Ribau de sua futura esposa e ao tempo namorada emigrou para o Canadá. E o Alberto passou a namorar por carta, durante cinco anos. Entretanto cumpriu o serviço militar em Angola, como radiotelegrafista. Mas a viola, que fazia parte de si próprio, nos momentos livres, promoveu-o a funcionário do Bar dos Oficiais e suas esposas, com a tarefa de animador. A guerra, para si, a cantar e a tocar, sobretudo música portuguesa, foi, de certo modo, uma festa. Para os outros, os que tinham de lutar, foi bastante traumatizante.
Quando regressou, a Rosa veio com a família e casaram na nossa igreja matriz, tendo o padre Domingos como celebrante e amigo. A Rosa morava mesmo pertinho da residência paroquial e participava, com frequência, nas festas paroquiais. Daí o seu gosto por cantar.
Depois do casamento seguiram para o Canadá, “com a viola às costas”, e durante um ano o Alberto frequentou a escola para aprender o Inglês. Só então, quando já dominava a língua, é que se empregou, como marceneiro, a sua profissão desde a juventude, na OSE (Ontário Store Fixtures). Ao fim de dez anos passou a chefe de secção e tempos depois assume o cargo de encarregado-geral, com 500 trabalhadores distribuídos por seis fábricas, na mesma área industrial, onde ainda se mantém.
 
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 23 Fevereiro , 2010, 19:37

A luta do gafanhão contra a areia, que foi domando através dos séculos, pode ser vista aqui, num texto de Joaquim Matias.

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Editado por Fernando Martins | Sábado, 21 Novembro , 2009, 17:11



«A próxima palestra integrada no 3º Ciclo de Conferências sobre “Aveirenses Ilustres” que a Câmara Municipal de Aveiro leva a efeito no auditório do Museu da Cidade, das 18, 30 às 19,30 horas, do dia 26 de Novembro, presta homenagem ao Artista ilhavense Cândido Teles.
Com esta iniciativa pretende a CMA homenagear personalidades que, activamente, deram o seu contributo para o desenvolvimento sociocultural e político-económico da região, valorizar a Historiografia Local e formar pedagogicamente públicos.
Associada à palestra evocativa decorre também uma pequena mostra de objectos e literatura alusiva à individualidade evocada que estará patente durante 15 dias no espaço do Museu da Cidade.
Tem hoje, também, o Artista, um lugar de destaque no Marintimidades, porque a oradora convidada será a autora deste blog e Cândido Teles, apesar de muitos outros aspectos de relevo, identifica-se, na região, com um grande pintor da Ria, da Costa Nova, das nossas fainas marítimas e lagunares.»

Ana Maria Lopes

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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 30 Outubro , 2009, 14:56

Padre Lé com D. António Francisco (foto de Manuel Olívio)


O sacerdote tem de se dar
até ao fim da vida

Um dia destes, de calor de Verão em pleno Outono, fui à procura do meu amigo e antigo confidente Padre Manuel Ribau Lopes Lé, mais conhecido por Padre Lé, que serviu a Igreja na Gafanha da Encarnação até há pouco tempo. Sentado num sofá, recebe-me de olhos bem abertos. Os olhos que sempre lhe conheci. Cedo, porém, percebi que o Padre Lé, com o peso dos 87 anos de idade e das canseiras, de mistura com recentes achaques, estava fragilizado.
A recomendação que me acolheu indica que a memória recente tinha dado lugar à mais antiga, para onde ele encaminha, já com alguma dificuldade, as conversas sobre a sua vida sacerdotal.

Ler toda a entrevista aqui
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Editado por Fernando Martins | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 13:49
1788 - 7 de Setembro

Joana Rosa de Jesus, mais conhecida por Joana Maluca, nasceu nesta data. Faleceu em 1878, com 90 anos de idade.
Leia mais aqui
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 11:10
Padre Manuel Lé

Com a sua presença e com as suas orações
continuará com o seu povo
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Com as novas nomeações do nosso Bispo, D. António Francisco, o prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, vai assumir a paroquialidade da Gafanha da Encarnação. O meu bom amigo Padre Manuel Lé vai, portanto, deixar a paróquia que serviu, com inexcedível zelo, durante 52 anos, depois de paroquiar Préstimo e Macieira de Alcoba, no arciprestado de Águeda.
O Padre Manuel Ribau Lopes Lé nasceu em 4 de Agosto de 1922, na Cambeia, Gafanha da Nazaré, tendo sido ordenado presbítero no dia 20 de Setembro de 1947, no Bunheiro, por D. João Evangelista de Lima Vidal. Nessa paróquia, aliás, serviu como coadjutor durante cinco anos, sendo o braço direito do Padre Domingos da Silva Pinho, por quem tinha e teve, ao longo da vida, muita estima.
Não será altura de avaliar, ao pormenor, o que foi a vida sacerdotal do Padre Manuel Lé, um amigo do seu amigo, mas também, e sobretudo, um homem de fé, com a ideia fixa dos seus deveres de pastor de almas.
Conheci-o desde sempre. Participei, aos nove anos de idade, na sua missa nova, na igreja Matriz da Gafanha da Nazaré, no dia 28 de Setembro de 1947, sendo Prior o Padre Guerra. Lembro-me, perfeitamente, que o Prior Guerra estava ao seu lado, no altar, indicando-lhe, momento a momento, o que devia ler no leccionário. Penso que talvez fizesse isso, não fosse o novo padre enganar-se com os nervos.
Depois, acompanhei-o de perto, tendo sido, na minha juventude, meu director espiritual. Com ele me aconselhava nas dificuldades da vida. E dele recebia sempre a reflexão meditada e acertada, que procurei seguir ao longo da vida. Daí a estima que nutro por ele.
Já agora, permitam-me que diga que foi, por andar com ele, que um dia encontrei a minha futura esposa. Por isso mesmo, foi o Padre Lé que presidiu à celebração do nosso matrimónio, precisamente no Bunheiro, paróquia em que iniciou as suas funções presbiterais.
Ao deixar agora a paroquialidade da Gafanha da Encarnação, posso adiantar que o Padre Lé cumpriu, plenamente, a sua missão de pastor e de amigo, durante gerações. E estou certo de que, mesmo com direito pleno ao merecido descanso, não deixará de continuar com o seu povo. Com a sua presença e com as suas orações.
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Fernando Martins
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Nota: No dia da sua missa nova houve um grande fogo nas medas de palha dos pais do futuro Padre Alexandre Vilarinho. A foto do Padre Lé faz parte dos  meus arquivos. Foi tirada em 1956.
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 10:03
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Adelino Caixote garante:
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As saudades de quem emigra são sempre muitas

Adelino Marques das Neves, mais conhecido por Adelino Caixote, 80 anos, está de férias na Gafanha da Nazaré, terra onde nasceu e que não lhe sai do coração, enchendo-lhe o pensamento com recordações e vivências. Casado com Zaida das Flores Sousa, natural da freguesia das Mercês, Lisboa, mas criada, desde menina, na Costa Nova. Radicados nos EUA, em New Jersey, procuram vir a Portugal, agora com mais frequência, porque estão livres de compromissos profissionais. Não tencionam, para já, regressar de vez, porque toda a família tem os pés bem assentes na terra do Tio Sam.
Conheço o Adelino desde que me conheço. Na sua oficina de bicicletas, em frente da igreja matriz, era ele quem remendava algum furo da minha bicicleta ou a afinava, para mais velocidade atingir. Vi crescer os seus filhos, sobretudo os dois mais velhos, e fui apreciando o seu esforço, de braço dada com a esposa, para governar a casa. Depois soube que emigrou para a América, em 1971, “legalmente”, com todos os seus, na esperança de encontrar dias melhores. Em conversa com o casal, senti a satisfação de ambos pelas conquistas alcançadas.
O Adelino e a Zaida estão casados desde 1954 e é um casal feliz, depois de muito trabalho e sacrifícios sem conta. Recordam o dia, 19 de Dezembro, em que o nosso prior de então, padre Saraiva, abençoou o seu matrimónio. Pais de quatro filhos, têm três vivos, “graças a Deus”. O Adelino, o mais velho, engenheiro químico, tem 55 anos. A seguir vem o Pedro, arquitecto, de 50, e por fim a Dora, de 44, bancária. Ainda têm seis netos.
Antes de emigrar para os EUA, o nosso entrevistado trabalhou como mecânico na EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), nos Estaleiros de São Jacinto e nas oficinas de Dinis Teixeira, Bóias e Piçarra. Passou pelas Minas de Queriga, perto de Santa Comba Dão. Veio a seguir a oficina na sua residência, frente à nossa igreja, onde consertou bicicletas e motorizadas durante sete anos.
“A oficina já não dava para sustentar a família, na altura com dois filhos, e fui para o bacalhau como ajudante de motorista; com a carta de motorista, fiz algumas viagens no Coimbra, no Adélia Maria e no Navegante”, explicou-nos o Adelino.
A experiência da Alemanha surgiu a seguir. Ainda como motorista marítimo, com carta tirada naquele país também. Sozinho, porque não via hipóteses de ter a família consigo, como era seu desejo. Fez duas viagens como 3.º e lá ganhou “bom dinheiro”, tendo a vantagem de não ser “trabalho forçado”, porque “tinha horário para trabalhar e para descansar, não era como nos navios portugueses”.
“Recebi a carta de chamada dos meus irmãos e fui para os EUA com toda a família, como era o meu sonho; era um país onde mais me podia realizar... e nunca me arrependi de ter dado este passo” disse. E acrescentou: “Na América trabalhei na construção de estradas, onde sofreu muito; era muito duro; não conhecia a língua...” (Aqui o Adelino emocionou-se…)
Mais sereno, referiu que tudo já tinha passado e continuou a acreditar que era na América que tinha mais garantias para um futuro melhor.
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Entretanto, apareceu um anúncio num jornal a pedir um mecânico montador. Com a ajuda de um espanhol, respondeu e foi admitido, depois de provar que estava legal e de apresentar as cartas de motorista marítimo e outros documentos profissionais. A sua função consistiu em montar uma nova fábrica de produtos químicos, no local onde uma outra tinha explodido. Ali ficou encarregado de todas as operações, com a orientação e ajuda de um engenheiro espanhol, que tinha elaborado os planos. Seleccionou, para isso, o pessoal necessário e lá ficou, até se reformar, na manutenção.
Quando deixou a Gafanha da Nazaré, só veio de férias dez anos depois. “Achei tudo muito estranho, porque estava tudo muito modificado; muitas casas, uma coisa fora do normal; os caminhos de areia foram substituídos por estradas alcatroadas com muito movimento.” E acrescentou: “As saudades de quem emigra são sempre muitas. Agora, apesar de reformado, tenho de continuar a ir para a América, porque tenho lá os meus haveres, os filhos e os netos; mas sempre que posso passo por cá uns tempos. Praticamente venho à Gafanha da Nazaré todos os anos.”
A Zaida acompanhou a entrevista, concordando com o que dizia o marido, o Adelino Caixote. E reconhece que foi difícil a adaptação. “Sempre trabalhei na confecção em série e quanto mais fizesse mais ganhava”, esclareceu.
Sem saber a língua, “no supermercado pedia o que precisasse apontando para as coisas” e com os filhos falava em Português. Nas escolas “eles começaram a falar Inglês com os colegas. E foram os filhos que ajudaram o casal a entrar na língua inglesa”.
Quando regressei à Costa Nova, fiquei admirada com o que vi, “tudo tão diferente: no vestir, no conviver, no ambiente, nas casas novas dos pescadores...”
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Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Domingo, 30 Agosto , 2009, 09:52
BACALHAU EM DATAS - 36



MESTRE MÓNICA

Caríssimo/a:

Aproximemo-nos de uma das nossas mais gradas figuras – certamente Mestre Manuel Maria estará entre os “dez mais” da nossa Comunidade.
Sirvamo-nos de duas transcrições da revista «Propaganda Industrial», de 1957.
A primeira pretende ser um retrato tirado na comemoração do “LXX aniversário da fundação dos Estaleiros Mónica”:

«Manuel Maria Bolais Mónica nasceu em Ílhavo em1889, sendo filho do construtor de barcos José Maria Mónica, que durante anos e anos trabalhou afincadamente nos estaleiros de seu pai, em Gafanha, onde, traçando planos de embarcações que, depois de construídas, seguindo sempre a feição tradicionalista, eram lançadas à água. Passava-se isto no tempo em que as fainas se prolongavam pela noite fora e eram iluminadas a archotes de alcatrão.
Em 1910, o Pai Mónica entendeu aproveitar a colaboração dos seus dois filhos, Manuel e António, que deveriam ser os continuadores da sua obra. Foi assim que, apenas com 21 anos de idade, Manuel Maria iniciou a sua carreira de construtor naval em que obteria plena consagração.
Perito na construção em madeira, das suas mãos privilegiadas e competentes, saíram já muitas dezenas de navios de linhas airosas, altos panos e borda firme: traineiras, cargueiros, bacalhoeiros, lugres, rebocadores, lagosteiros, etc..
Construiu o Mestre nos seus estaleiros, até hoje [1957], 85 unidades. Na sua especialidade – construção em madeira – são os Estaleiros Mónica considerados hoje como um dos melhores da Europa, senão o primeiro.
Em 1942, a quando da construção de 6 caça-minas para o Almirantado Britânico (Port PatriK, Port Belo, Port Reath, Port Stanlley, Port Royal e Port Patroch), foram confirmados os seus méritos e a qualidade dos trabalhos ali realizados pelos Engenheiros Dobson, do Almirantado Britânico, e Dicson, dos Loyds de Londres, que, na homenagem prestada ao construtor e seus colaboradores, tiveram palavras de elogio que a modéstia, aqui, não deixa reproduzir.
Mestre Manuel Maria é agraciado pelo Governo da Nação com as insígnias de Mérito Industrial e Cruz de Cristo.
Pretendeu o Mestre iniciar nos seus estaleiros a construção de navios em aço, mas o alvará que lhe foi concedido em 1945 concedia-lhe a respectiva licença, mas a título precário e provisório,sem direito a indemnização. Desgostoso, em 1947, resolveu encerrar o trabalho dos estaleiros, que estiveram paralisados durante cerca de 5 anos, pois só em 1952, a pedido da Parceria Marítima Esperança, reiniciou os seus trabalhos na construção dos navios Ilhavense II e Celeste Maria.
Mestre Mónica para melhor apetrechamento dos seus estaleiros, foi a Inglaterra, onde adquiriu uma doca flutuante de betão armado, para o serviço da frota bacalhoeira do porto de Aveiro, a segunda do País. Esta doca tem o comprimento total de 65,90 m. e a largura máxima de 19,45 m. e permite a docagem da maior parte dos navios entrados neste porto de pesca. [...]
Actualmente tem em construção os seguintes navios: Nau de S. Vicente, para a expansão comercial portuguesa nos estrangeiro; Novos Mares, para a pesca do bacalhau, e Helena Vilarinho, para a pesca de arrasto.
Nos seus estaleiros trabalham presentemente 250 operários especializados, o que nos permite avaliar a grandeza das construções em curso.»

A segunda é um hino:

«Parece-me que respiro melhor, quando vou à Gafanha benzer os barcos de Mestre Mónica. Mas não é só o ar da ria que tem o dom de nos abrir os pulmões. É não sei que fulgor de abundância, de riqueza nacional, de vitorioso progresso que por ali passa e nos bate em cheio no peito. É um milagre de beleza que Mestre Mónica sabe extrair de troncos rudes, de matéria informe. Quando passam os carros a gemer sob o peso morto daqueles pinheiros, quem imagina a elegância e a majestade, a doçura e a força, a maravilha e arte que dali vão sair!
Vai Ilhavense; vai Santa Joana; vai, Santa Mafalda; vai, Avé -Maria, desce imponente a húmida calha, entra nas águas, encanta os mares, recolhe a presa, e depois, ao regresso, entra airosa na barra, ao som da orquestra, ao flutuar das bandeiras, à alegria das multidões!
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Aveiro, 5 de Abril de 1957
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+ João Evangelista,
Arcebispo-Bispo de Aveiro
»

Manuel
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 12:45
Carlos Duarte na sua mais recente exposição, na Costa Nova


Tanto gosto de umas rugas de um idoso
como de um sorriso de criança…



Tudo começou quando fui viver para casa do meu avô na baixa coimbrã, com cerca de dois anos. Meu avô era professor do liceu e tinha três paixões: jornais, fotografia e caça. Todos os dias entrava em minha casa o Diário de Lisboa. Ao fim-de-semana o jornal e mais tarde a revista Vida Mundial; ao domingo era o Primeiro de Janeiro, com a célebre banda desenhada O Reizinho.
Todos os domingos, lá ia com ele até ao choupal, jardim Botânico ou jardim junto ao Mondego, sempre na companhia do seu caixote Kodak, com o qual fazia fotografias da natureza e, claro, do neto. Depois era vê-lo no corredor da casa a abrir a máquina, tirar o rolo de papel encarnado, revelar num tanque e pendurar o negativo com uma mola, enquanto os carretos de lata do referido rolo iriam servir para, juntamente com uma caixa de sapatos e os quadrados do Reizinho, fazer de máquina de "projectar cinema", para os putos da rua Corpo de Deus. Assim nasceu em mim o gosto pela fotografia, paralelamente com o gosto pelos jornais. Era a época do final da 2.ª Grande Guerra, com imagens espectaculares dos primeiros repórteres de guerra; as notícias eram lidas pelo meu avô, como se tratasse dum Telejornal! E assim nasceu o gosto pela fotografia e pelos jornais, que se mantém hoje da mesma forma.
A vida foi vivida intensamente em Coimbra e na época de 65/69 tudo se alterou, não só pelas novas leituras que nos chegavam da França em ebulição, dos EUA e, mais junto a nós, das crises académicas que se viveram na Lusa Atenas. E é nessa altura que a fotografia surge de novo na companhia de alguns amigos do núcleo de fotografia da AAC [Associação Académica de Coimbra], tendo como grande entusiasta António Portugal, com quem mais tarde criei o núcleo de fotografia do Ateneu.
Mas foi na guerra de África que a fotografia veio com mais força; muitas imagens foram publicadas na revista Tempo e no Diário de Notícias; recentemente, voltaram às páginas do meu livro. E assim, desde 1971, que não tenho parado, sempre a fazer fotografia e jornalismo, e raramente faço um artigo que não seja acompanhado de imagens.
Para mim a fotografia tem sempre que me dizer algo, seja uma paisagem ou um rosto, e tanto gosto de umas rugas de um idoso como de um sorriso de criança ou, ainda, de uma paisagem, mas tento sempre destacar um pormenor que, normalmente, passa despercebido à maioria das pessoas.
Desde 1978 que vivo nesta região e a paixão pela Ria surge porque sou um amante de tudo o que me rodeia; depois, aprendi com o Mestre Cândido Teles a "ver" a Ria da forma como ele a via e, na minha opinião, até agora, ele foi o único pintor que a "viu" como eu a "sinto e vejo".
Fiz muita fotografia a preto e branco, em especial no "25 de Abril 1974", mas o custo dos processos laboratoriais e a demora, em contrapartida com os processos de revelação a cores, mais rápidos e baratos, fizeram com que as fotos a preto e branco fossem "esquecidas", até porque a minha colaboração com os jornais tinha de ser a cores.
Claro que o preto e branco tem as suas características e eu costumo dizer que há fotografias que só "resultam" a cores e outras a preto e branco.
A fotografia dos nossos dias nada tem a ver com a de há cinco ou dez anos atrás; porém, o principal continua, isto é, quem não tiver imaginação e não souber "ver", pode até ter o melhor equipamento do mundo, mas não conseguirá fazer fotos com arte, seja ela analógica ou digital.
Sobre as minhas exposições, posso dizer que tenho tido boa aceitação por parte dos visitantes, e até o meu livro – "40 de fotografia" – já vai na 2.ª edição. Faço estas exposições com duas finalidades: mostrar o que faço e dar oportunidade a outros de possuírem trabalhos meus, o que me dá um grande prazer; depois, ajudar quem precisa, sendo o resultado das exposições entregue ao Rotary Clube de Ílhavo, para apoio à Obra da Criança.
E como agora a colaboração nos jornais já é reduzida, devido às novas tecnologias, a fotografia vai ter um papel importante e já está na forja uma exposição sobre o tema VIDA!

Texto elaborado a partir de uma entrevista via e-mail
Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Sexta-feira, 17 Julho , 2009, 18:40
No meu dóri, era eu o capitão...


João Zagalo, um doryman aguerrido - II

Contou-me uma história, que lhe deixou saudades, passada em Agosto, na Groenlândia, no Novos Mares, com o Capitão Pascoal:
– O navio deu a emposta (mudou de sítio) para arriar mais cedo. Deu uma pesquisadela. Disse o Capitão:
– Para fora, não tem nada. Ide para o lado de terra!

– «Vamos à vida, com Deus, vamos arriar!» – ordem do Capitão.

E a manobra do arriar começa. Eu, como era chasman (presumivelmente corrupção do inglês lastman), orientei, com outro camarada, a manobra de arriar.
Deduzi que o chasman era o dono do último bote do cimo da pilha, que não se desarmava. Tinha de ser um homem responsável, com jeito, traquejo e muita prática. Havia um chasman em cada pilha, que ajudava a arriar e a içar os botes e era sempre o último a partir para a pesca, depois de ter orientado estas lidas.
Eu, então, depois de botar as mãos no peitilho do avental para as aquecer, já que não trabalhava de luvas, remei de cu p’rà ré e fui p’ra fora, por estar mais desempachado (livre, disponível).
Larguei o trole e quando o grampolim chega ao fundo, comecei a sentir bacalhau na linha do grampolim. Bom sinal!
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Ana Maria Lopes
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Nota: Texto e fotos do Marintimidades
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 15 Julho , 2009, 17:51
Joana Pontes


EXEMPLO DE PERSEVERANÇA

Neste mês de Julho, em que a Câmara Municipal de Ílhavo promove, entre os dias 17 e 25, mais uma edição da Semana Jovem, dedicamos a rubrica “A Nossa Gente” a Joana Raquel Rodrigues Pontes.
Nascida a 6 de Abril de 1984, em São Salvador, Município de Ílhavo, esta jovem munícipe frequentou a Escola Primária da Cale da Vila e realizou o Ciclo Preparatório na EB 2,3 da Gafanha da Nazaré.
No Verão de 1996, com apenas doze anos, constituiu e dirigiu o “Clube da Leitura”, projecto que teve lugar no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré e que visava uma melhor e mais saudável ocupação dos tempos livres de crianças e jovens com carências económicas.
Concluído o Curso Tecnológico de Animação Sociocultural (Ensino Secundário), ingressou, em 2004, no Instituto Superior Politécnico Gaya para se licenciar em Intervenção Social e Comunitária.
Por iniciativa própria e na qualidade de sócia da Associação Tampa Amiga, Joana Pontes desenvolveu o Projecto “Vamos pôr esta ideia a Andar”, alimentado pela recolha de tampas de plástico para aquisição de Ajudas Técnicas para Instituições do Município de Ílhavo. Esta notável e meritória iniciativa, à qual a Câmara Municipal de Ílhavo se associou, e na qual colaboraram dezenas de pessoas anónimas, estabelecimentos comerciais, Escolas e outras instituições do Município e também de fora dele, deu os seus primeiros frutos quando, em Janeiro de 2008, Joana Pontes, após a recolha de cinco toneladas de tampas para reciclar, conseguiu assegurar a entrega de duas cadeiras de rodas à Fundação Prior Sardo e ao CASCI.
Mas, Joana Pontes abraçou ainda outras causas: em Dezembro de 2005 dinamizou uma Campanha de Recolha de Brinquedos e VHS para o Hospital Pediátrico de Coimbra e para a Pediatria do IPO do Porto e, em Dezembro de 2006, colaborou na campanha “Vamos aprender a semear sorrisinhos” em beneficência da Associação Porta Aberta (Palmela).
Licenciada em Serviço Social desde Novembro de 2008, Joana Pontes encontra-se, actualmente, a realizar o Curso de Mediadora EFA no Instituto Português da Juventude de Aveiro e prepara-se para frequentar o Curso de Formadora na mesma instituição, assim como a Pós-Graduação em Psicogerontologia Social no ISCIA – Aveiro.
Durante o seu percurso de vida, esta jovem enfrenta um Raquitismo Hipofosfatémico, já ultrapassou uma Tuberculose e uma Anorexia, mas a sua perseverança e o seu dinamismo nunca a impediram de concretizar os seus sonhos, fazendo dela um exemplo de coragem que a motivam para intervir no âmbito social sempre com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos que a rodeiam.
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In Viver em... da CMI
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Editado por Fernando Martins | Terça-feira, 14 Julho , 2009, 19:19
João Teixeira Filipe

João Zagalo, um doryman aguerrido - I

Na semana passada, marquei um encontro na seca com João Teixeira Filipe, homem de boa têmpera, trabalhador fiel de Testa & Cunhas, durante 59 anos, desde 1943 até 2002.
João Zagalo (alcunha), seu nome de guerra, nasceu na Gafanha da Nazaré, a 28 de Agosto de 1924. Foi no início e crepúsculo da vida, carpinteiro naval, mas, no seu auge, foi um grande pescador do bacalhau, um audacioso, sabedor e afortunado homem do dóri. Tem um certo orgulho nas categorias que teve a bordo e no apreço que capitães, colegas e empresa nutriam por ele.
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Ana Maria Lopes
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Leia mais aqui
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Nota: Texto e foto de Marintimidades
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Editado por Fernando Martins | Quarta-feira, 06 Maio , 2009, 14:02
Manuel Casqueira

Hoje de manhã recebi uma daquelas notícias que nos deixam petrificados. Morreu o Manuel Ramos Casqueira. Notícia inesperada como todas as que nos falam da partida para a última viagem terrena de pessoas que por qualquer motivo admiramos.
Manuel Casqueira, que conheço desde há muitos anos, gafanhão de 79 anos, morreu depois de uma longa vida de trabalho e de esforço nunca regateado para educar uma família numerosa. Casado com Rosa Merendeiro, era pai de 11 filhos, um dos quais, o Dinis, já falecido. Era pessoa de uma fé inquebrantável, que sabia e soube transmitir a todos os seus, não simplesmente por palavras, mas pelo exemplo, durante uma vida de canseiras.
Homem de missa diária, só faltando quando os trabalhos não lhe davam espaços livres, punha em prática, no seu dia-a-dia, a fé que o animava, estando permanentemente disponível para dirigir, em momentos difíceis, palavras amigas, de conforto e de estímulo, a quantos delas necessitassem, porque acreditava que o cristão não pode nem deve ficar indiferente à vida da comunidade.
Assíduo a todas as cerimónias, leitor nas eucaristias e ministro extraordinário da comunhão, Manuel Casqueira era membro da Associação do Sagrado Coração de Jesus, tendo ainda uma grande preocupação pelo estudo bíblico. Sempre que podia, e podia quase sempre, participava nos funerais que se realizavam na paróquia, levando, com muita frequência, a Cruz à frente do cortejo.
Homem bom, pai de família exemplar, cristão comprometido e fervoroso, cidadão compenetrado dos seus deveres, deixa, entre nós, um testemunho de santidade. O seu funeral terá lugar amanhã, quinta-feira, pelas 15.30 horas, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, com missa de corpo presente.
Paz à sua alma.

Fernando Martins
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Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 30 Abril , 2009, 10:55

Marcos Cirino desfia recordações com muito amor à Gafanha da Nazaré


Marcos Cirino da Rocha, 87 anos, gafanhão de gema, vibra com as coisas da Gafanha da Nazaré. Conhece muito da sua história. Evoca com entusiasmo os assuntos em que se envolveu. Conta pormenores que escapam a muito boa gente. E insiste na ideia de que há pessoas que nos querem prejudicar, decerto marcado por tempos e comportamentos idos.
Fomos ouvi-lo um dia destes. Entrámos em sua casa e vimos miniaturas de barcos de várias épocas. Todos construídos por si. “À escala”, sublinha. Mas também vimos inúmeras pastas de documentos e processos relacionados com antigas, e talvez recentes, reivindicações e polémicas.
Fernando Martins
Leia toda a entrevista aqui
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