de Fernando Martins
Editado por Fernando Martins | Quinta-feira, 22 Maio , 2008, 19:51

Expo’98, Memória e futuro


1. Já foi há 10 anos que se realizou a Expo’98. De 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998 a capital do país acolheu cerca de 11 milhões de visitantes de todo o mundo.
Vindo reabilitar uma zona esquecida da cidade de Lisboa, a Expo constituiu uma experiência de universalismo, horizonte que está inscrito na nossa matriz cultural, também na altura em que se celebravam os 500 anos da chegada de Vasco da Gama na mítica viagem à Índia. Quem não se lembra das vésperas atarefadas dos últimos retoques trabalhosos, das críticas sempre presentes em qualquer grande acontecimento, mas também da euforia de um país que, embora crescentemente centralizado em Lisboa, via-se a si próprio a acolher a última exposição do século XX. Verdade seja dita que, dez anos depois, comparativamente com a Espanha na Exposição de Sevilha’92, a zona da Expo está viva; porventura não tão acessível quanto se desejava, mas viva e integrada na cidade como uma zona privilegiada.
2. Um tema aliciante e crescentemente urgente norteou a Expo’98: «Os Oceanos, um património para o futuro». Lema feliz, tipicamente lusitano, no reconhecer das pontes criadas pelos mares como “redes” de encontro de povos e culturas. No esforço da unidade na diversidade. Mais que celebrar a história, esta temática visava também a preservação do presente e sensibilização para o futuro. Esta mesma urgência preservadora dos oceanos e de todo o património e recursos naturais, dez anos depois, ganhou ainda mais premência. Torna-se essencial uma continuada acrescida responsabilidade individual e colectiva para com o património oceânico que ocupa 70% da superfície da terra. Desde a primeira exposição de Londres’1851 que as temáticas têm vindo a orientar-se no sentido do zelo da própria humanidade.
3. A desejada regeneração da parte Oriental da cidade de Lisboa, junto ao Tejo, foi remodelada. Foram muitos os portugueses que visitaram com gosto a realização do, considerado, desígnio nacional, nesse tempo de “vacas gordas”. Mas muita gente nessa altura registou a sensação da Expo parecer de outro país; até à Expo e após a saída da Expo reinava um certo desconforto de que tudo teria muito pouco a ver com uma desejada homogénea realidade nacional. É certo que as apostas estratégicas são assim mesmo, nunca absolutamente pacíficas. Mas dez anos depois dessa lufada de ar fresco confirma-se. O desequilíbrio litoral versus interior acentuou-se; a desigualdade cresceu.
Nós, país de frente para o mar, talvez o vejamos mais como praia onde cada região faz o que pode do que como investimento efectivo (por exemplo nas pescas). É bom voltar à memória de um acontecimento inédito; dos 132 dias de visitas mas, especialmente, do esforço anterior e do eco posterior.
4. O futuro da Expo’98 acontece “hoje”, e mesmo com todas as objecções que sempre existem, o certo é que tanto a Expo ajudou Portugal a abrir-se ao mundo no reencontro universalista e cosmopolita como recredibilizou a capacidade empreendedora e eficaz dos portugueses em início do séc. XXI. Claro, essa realização não substitui a esforçada realidade do compromisso de todos os dias.

Alexandre Cruz
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